WAGA 2026: Reter mulheres na aviação exige mais do que recrutamento

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Angeline Flemming durante a sessão Women in Airports, realizada na WAGA 2026, em Lima.

Durante a WAGA 2026, em Lima, a discussão Women in Airports deslocou o foco da atração de mulheres para a aviação para sua permanência no setor. Angeline Flemming, da Aruba Airport Authority, colocou a mobilidade profissional, a liderança e a representatividade no centro desse desafio, enquanto lideranças aeroportuárias destacaram questões práticas que vão da licença parental e dos cuidados infantis ao recrutamento e à organização do ambiente de trabalho.

Do recrutamento à retenção

Para Angeline Flemming, aumentar o número de mulheres que ingressam na aviação representa apenas parte do desafio.

Em entrevista à LATITUDE15 após a sessão Women in Airports, na WAGA 2026, Flemming chamou a atenção para uma questão mais profunda: se o setor está criando um ambiente no qual as mulheres possam permanecer, progredir e, eventualmente, assumir posições de liderança.

“Muitas mulheres amam a aviação, mas, às vezes, a aviação não retribui esse amor.”

Para Angeline Flemming, transformar essa relação exige uma atuação ativa tanto das organizações quanto das mulheres que já ocupam cargos de liderança. A discussão em Lima também levantou preocupações relacionadas à retenção, especialmente à medida que as mulheres avançam em um setor no qual determinados níveis hierárquicos continuam sendo amplamente dominados por homens.

A mobilidade profissional pode ajudar a manter as mulheres na aviação

A retenção não significa necessariamente seguir uma única trajetória profissional.

Angeline Flemming incentivou as mulheres a permanecerem abertas às oportunidades existentes em diferentes áreas da aviação, desenvolverem novas competências, transitarem entre funções e assumirem responsabilidades adicionais. Em um setor que abrange operações aeroportuárias, segurança, sustentabilidade, atividades comerciais e gestão, ela apresentou a mobilidade profissional como uma forma de continuar evoluindo, em vez de considerar uma função difícil ou uma etapa desafiadora como o fim de uma carreira na aviação.

Essa mensagem também surgiu durante a discussão na WAGA. As participantes incentivaram as profissionais mais jovens a explorar diferentes funções na aviação quando o cargo atual já não oferece as oportunidades de progressão que procuram.

Lorie Argus, CEO do Aeroporto de Melbourne, apresentou outra perspectiva a partir de sua própria trajetória profissional. Ela descreveu sua experiência de mobilidade internacional e progressão na aviação, reconhecendo que, durante grande parte da carreira, esperava pela próxima promoção em vez de estabelecer desde cedo a ambição de chegar ao cargo de CEO.

Visibilidade e apoio profissional influenciam a progressão na carreira

A conversa também foi além das competências técnicas.

Lorie Argus destacou a importância da visibilidade, das redes de contatos profissionais e da disposição para buscar oportunidades ativamente. Em vez de presumir que um bom desempenho levará automaticamente à progressão, a discussão incentivou as mulheres a procurar novas responsabilidades, solicitar promoções e construir relacionamentos com pessoas capazes de apoiar seu desenvolvimento profissional.

Para Angeline Flemming, essa responsabilidade também se estende àqueles que já alcançaram posições de liderança.

“Quando você alcançar uma posição de liderança, certifique-se de levar outras pessoas com você.”

Sua mensagem coloca o apoio ativo ao desenvolvimento de outras profissionais ao lado da evolução individual na carreira: liderar não significa apenas alcançar uma posição, mas também criar espaço para que a próxima geração possa progredir.

Licença parental e cuidados infantis continuam fazendo parte da equação

A progressão profissional não pode ser completamente separada das condições que envolvem o trabalho.

Durante a sessão, as participantes discutiram os filhos, as responsabilidades de cuidado e outros compromissos familiares como fatores que podem influenciar a permanência das mulheres na aviação e a velocidade de sua progressão profissional.

Lorie Argus destacou a importância de discutir o retorno ao trabalho antes mesmo do início da licença parental de uma funcionária e de manter contato durante seu afastamento, permitindo que ambas as partes se preparem para a etapa seguinte.

Os cuidados infantis também foram levantados pelo público como uma questão relacionada à gestão da força de trabalho, e não apenas como uma responsabilidade pessoal. Um exemplo apresentado envolveu um aeroporto que disponibilizava uma estrutura de atendimento infantil e que posteriormente precisou ampliar sua capacidade, ilustrando como os serviços oferecidos no entorno do local de trabalho podem influenciar a capacidade dos funcionários de retornar e permanecer em seus empregos.

Pequenas mudanças podem ampliar o número de candidatas

Algumas iniciativas mostraram que melhorar a participação feminina nem sempre exige começar por grandes programas.

Lorie Argus descreveu uma iniciativa de recrutamento para cargos de segurança aeroportuária na qual a mudança das imagens utilizadas para representar a função ajudou mais mulheres a se identificarem com o trabalho. Segundo ela, essa alteração resultou em um aumento de 45% nas candidaturas femininas.

O exemplo foi apresentado juntamente com outras considerações práticas, incluindo as instalações no ambiente de trabalho, a flexibilidade e a maneira como as vagas são comunicadas às potenciais candidatas.

Isso demonstra que a formação de um grupo de talentos para a aviação pode ser influenciada antes mesmo de uma candidata enviar sua inscrição.

Liderar também significa abrir espaço para outras pessoas

A discussão Women in Airports acabou relacionando recrutamento, retenção e liderança como partes de um mesmo desafio relacionado à força de trabalho.

A mensagem de Angeline Flemming é que a aviação já oferece às mulheres uma ampla variedade de oportunidades, mas as trajetórias profissionais se fortalecem quando as pessoas permanecem abertas ao aprendizado, a novas funções e a maiores responsabilidades. Ela também considera que as mulheres que já ocupam posições de liderança têm um papel importante em garantir que essas oportunidades se tornem visíveis e acessíveis a outras profissionais.

Para os aeroportos, a implicação vai além do aumento do número de mulheres recrutadas. O recrutamento abre as portas; a retenção, a mobilidade e a liderança determinam se haverá, em seguida, uma formação sustentável de talentos.

FAQ

Qual foi o tema da discussão Women in Airports na WAGA 2026?

A sessão abordou as carreiras das mulheres na aviação, incluindo liderança, retenção, mobilidade profissional, responsabilidades parentais e barreiras práticas no ambiente de trabalho.

Quem é Angeline Flemming?

Angeline Flemming é uma executiva da Aruba Airport Authority que atua nas áreas de sustentabilidade e em responsabilidades relacionadas à gestão aeroportuária.

Quais desafios de retenção foram discutidos?

A discussão destacou a progressão na carreira, a visibilidade profissional, a mentoria, a licença parental, os cuidados infantis, as instalações no ambiente de trabalho e a representatividade.

Qual exemplo de recrutamento foi apresentado na WAGA 2026?

Lorie Argus afirmou que uma mudança nas imagens utilizadas para divulgar vagas na área de segurança aeroportuária resultou em um aumento de 45% nas candidaturas femininas.

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