A América Latina e o Caribe recuperaram rapidamente o tráfego de passageiros após a pandemia, mas a abrangência da rede aérea regional não acompanhou o mesmo ritmo. Durante a WAGA 2026, em Lima, Rafael Echevarne, diretor-geral da ACI-LAC, destacou a persistência de um déficit de conectividade e voltou a defender uma maior liberalização dos mercados de transporte aéreo.
O número de pares de aeroportos atendidos na América Latina e no Caribe caiu de 3.959 em 2019 para 3.306 em 2026, segundo dados apresentados por Rafael Echevarne durante um encontro com a imprensa realizado em Lima, em 27 de setembro.
Isso representa aproximadamente 653 conexões a menos, uma redução de cerca de 16,5% em relação à rede existente antes da pandemia.
Para o Dr. Rafael Echevarne, os números evidenciam uma distinção importante entre a recuperação do tráfego e a recuperação da conectividade. A questão faz parte dos desafios mais amplos de crescimento enfrentados pelos aeroportos da América Latina e do Caribe, juntamente com as questões econômicas aeroportuárias e as necessidades de infraestrutura de longo prazo.
“Estamos abaixo dos níveis que tínhamos em 2019.”
Ele observou que, embora a América Latina tenha recuperado rapidamente seus volumes totais de passageiros, a região perdeu conectividade.

A redução não é uniforme em toda a rede
A contração não afetou todos os tipos de conectividade da mesma maneira.
Segundo os dados apresentados em Lima, o número de pares de aeroportos domésticos caiu de 1.412 em 2019 para 1.286 em 2026, uma redução de aproximadamente 8,9%.
A maior queda ocorreu nas conexões internacionais entre a América Latina e o Caribe e os mercados externos à região, que passaram de 1.959 para 1.417 pares de aeroportos, uma diminuição de aproximadamente 27,7%.
Em contrapartida, a conectividade internacional intrarregional apresentou um ligeiro crescimento, passando de 588 pares de aeroportos em 2019 para 603 em 2026.
Essa distinção é importante. Os dados não mostram um colapso generalizado das conexões entre os países da América Latina e do Caribe em comparação com 2019. Em vez disso, indicam que as ligações internacionais intrarregionais continuam representando uma parcela relativamente pequena da rede total.
Em 2026, essas conexões correspondem a aproximadamente 18,2% dos pares de aeroportos, em comparação com 38,9% para as ligações domésticas e 42,9% para as conexões internacionais com mercados externos à região.

O Dr. Echevarne também chamou a atenção para o desequilíbrio entre a conectividade externa e a intrarregional, observando que a região dispõe atualmente de maior capacidade aérea de ligação com mercados como os Estados Unidos e o Canadá do que entre os próprios países latino-americanos.
ACI-LAC coloca a regulamentação no centro do debate
Para a ACI-LAC, melhorar a conectividade não é apenas uma questão de infraestrutura aeroportuária.
Rafael Echevarne argumentou que os marcos regulatórios continuam limitando a facilidade com que as companhias aéreas podem estabelecer novas rotas entre países.
Ele comparou a situação regional com a da Europa, onde a liberalização permite que as companhias aéreas operem com muito mais liberdade entre diferentes países, sem a necessidade de criar estruturas operacionais separadas para cada mercado nacional.
Na América Latina e no Caribe, explicou, autorizações adicionais e exigências específicas de cada país podem desacelerar a expansão das redes e reduzir a flexibilidade das companhias aéreas para entrar em novos mercados.
Por isso, a ACI-LAC defende políticas de abertura de mercados, desregulamentação e liberalização, com o objetivo de criar um ambiente mais dinâmico para o transporte aéreo.
O Dr. Echevarne reiterou essa posição durante a coletiva de imprensa oficial da WAGA, em 28 de setembro, apresentando a liberalização e a desregulamentação como os caminhos mais eficazes, na avaliação da ACI-LAC, para estimular o tráfego aéreo em toda a região.
Conectividade como questão econômica e territorial
O argumento vai além da concorrência entre companhias aéreas.
A América Latina e o Caribe abrangem territórios separados pela Cordilheira dos Andes, pela Amazônia, por grandes desertos e por extensas redes de ilhas, tornando a aviação particularmente importante onde as alternativas de transporte terrestre são limitadas.
Para Rafael Echevarne, isso confere à conectividade um papel econômico e social mais amplo.
“A aviação não é um luxo aqui na nossa região.”
Ele descreveu o transporte aéreo como fundamental para o desenvolvimento econômico e social, bem como para a capacidade das cidades e dos destinos de se conectarem a mercados mais amplos.
Os números apresentados durante a WAGA evidenciam, portanto, um desafio mais amplo: os volumes de passageiros podem se recuperar sem que toda a diversidade da rede aérea seja restabelecida. Para a ACI-LAC, reduzir essa lacuna exigirá não apenas capacidade aeroportuária e demanda das companhias aéreas, mas também um ambiente regulatório que facilite a criação de novas rotas.
FAQ
A conectividade aérea da América Latina e do Caribe voltou aos níveis de 2019?
Não. Os dados apresentados por Rafael Echevarne mostram 3.306 pares de aeroportos em 2026, em comparação com 3.959 em 2019.
Qual segmento registrou a maior queda?
A conectividade internacional entre a América Latina e o Caribe e os mercados externos à região, que caiu de 1.959 para 1.417 pares de aeroportos.
A conectividade internacional intrarregional diminuiu desde 2019?
Não. Os dados apresentados mostram um ligeiro aumento, de 588 para 603 pares de aeroportos, embora as conexões intrarregionais ainda representem o menor dos três segmentos de conectividade.
O que a ACI-LAC propõe para melhorar a conectividade regional?
A organização defende uma maior liberalização do transporte aéreo, a desregulamentação e a abertura dos mercados, para facilitar a criação e a operação de novas rotas aéreas em toda a região.
Nota da redação: este artigo é a segunda parte de uma série de sete publicações da LATITUDE15 sobre a WAGA 2026, dedicada aos principais temas destacados por Rafael Echevarne, diretor-geral da ACI-LAC, em Lima.




