Falando em Lima em 27 de setembro, antes do início do programa principal de conferências do WAGA 2026, Rafael Echevarne, Diretor-Geral da ACI-LAC, apresentou uma ampla análise da indústria aeroportuária na América Latina e no Caribe. A região movimentou 797 milhões de passageiros em 2025, mas a conectividade permanece abaixo dos níveis de 2019, enquanto a economia dos aeroportos e as necessidades de infraestrutura de longo prazo continuam moldando suas perspectivas de crescimento.
A apresentação de Rafael Echevarne reuniu dados sobre tráfego, conectividade, investimentos e economia aeroportuária para ilustrar tanto a dimensão do mercado latino-americano e caribenho quanto as limitações que afetam seu desenvolvimento futuro.
A ACI-LAC representa cerca de 360 aeroportos administrados por aproximadamente 90 operadores em 45 países, enquanto a rede mais ampla da ACI reúne mais de 2.200 aeroportos em todo o mundo. Durante o workshop para a imprensa, Rafael Echevarne destacou a importância particular da aviação em uma região onde a geografia limita as formas alternativas de transporte.
“A aviação não é um luxo aqui em nossa região. É uma parte fundamental do desenvolvimento econômico e social de nossos países”, afirmou Rafael Echevarne, em declarações traduzidas do espanhol.
Um mercado de 797 milhões de passageiros com espaço para crescer
A América Latina e o Caribe movimentaram 797 milhões de passageiros em 2025, representando cerca de 8% do tráfego global de passageiros, segundo os números apresentados por Rafael Echevarne. O tráfego aeroportuário global alcançou aproximadamente 9,4 bilhões de passageiros, e a ACI prevê que esse volume praticamente dobre até 2045.
O Brasil foi o maior mercado da região em 2025, com aproximadamente 235 milhões de passageiros, seguido pelo México, com 191 milhões, e pela Colômbia, com 100 milhões.
A apresentação também destacou o potencial de crescimento ainda existente na região. O número total de passageiros per capita foi de 1,11 no Brasil, 1,25 no Peru e 1,45 no México, em comparação com 5,69 nos Estados Unidos e 6,51 na Espanha.
Para a ACI-LAC, gerar tráfego adicional depende, portanto, não apenas da demanda, mas também da capacidade dos mercados de desenvolver conexões aéreas mais robustas e flexíveis.

A conectividade permanece abaixo dos níveis de 2019
O número de pares de aeroportos conectados na região LAC caiu de 3.959 em 2019 para 3.306 em 2026.
A queda, no entanto, não foi uniforme. Os pares internacionais de aeroportos entre a região LAC e mercados externos diminuíram de 1.959 para 1.417, enquanto os pares domésticos recuaram de 1.412 para 1.286. Em contrapartida, as conexões internacionais intra-LAC aumentaram ligeiramente, de 588 para 603.
Rafael Echevarne associou o desafio da conectividade, em parte, à estrutura regulatória do mercado regional. Ele comparou a América Latina e o Caribe ao ambiente mais liberalizado da Europa, argumentando que os diferentes processos nacionais de autorização podem desacelerar as companhias aéreas que buscam estabelecer novos serviços entre países. A ACI-LAC defende maior abertura, desregulamentação e liberalização para apoiar o desenvolvimento de novas rotas.
A economia dos aeroportos continua sendo uma limitação
Os dados da ACI apresentados em Lima também apontaram diferenças entre os aeroportos da região LAC e seus pares no restante do mundo.
A receita aeroportuária total na região LAC foi de aproximadamente US$ 19,30 por passageiro em 2024, em comparação com US$ 20,71 no restante do mundo. Os aeroportos da região também continuam mais dependentes das receitas aeronáuticas, enquanto as atividades não aeronáuticas representaram 25,5% das receitas, em comparação com 36,8% globalmente.
A situação é particularmente difícil para as instalações de menor porte. Trinta por cento dos aeroportos da região LAC registraram prejuízos financeiros em 2024, e 82% desses aeroportos deficitários movimentaram menos de um milhão de passageiros.
Os números destacam o desafio enfrentado pelos aeroportos regionais que garantem conectividade e acesso aos territórios, ao mesmo tempo em que operam com volumes de tráfego e bases de receitas comerciais relativamente limitados.
A infraestrutura se torna o próximo desafio
A capacidade de longo prazo exigirá investimentos substanciais.
A apresentação estimou as necessidades de despesas de capital dos aeroportos da região LAC em aproximadamente US$ 93,5 bilhões entre 2021 e 2040, incluindo US$ 82,6 bilhões para o período de 2026 a 2040.
Os dados da ACI também estabelecem uma relação direta entre as limitações de infraestrutura e impactos econômicos mais amplos. Até 2040, cada um milhão de passageiros impossibilitados de viajar devido à insuficiência da capacidade aeroportuária poderia representar aproximadamente 9.500 empregos a menos e uma redução de US$ 254 milhões no PIB regional.
Para Rafael Echevarne, os números apresentados em Lima apontam para uma equação mais ampla para a América Latina e o Caribe: a demanda de passageiros existe, mas liberar o potencial da aviação na região também exigirá políticas de conectividade, aeroportos financeiramente sustentáveis e infraestrutura capaz de acomodar o crescimento futuro.
FAQ
Quantos passageiros a América Latina e o Caribe movimentaram em 2025?
Os dados da ACI-LAC apresentados por Rafael Echevarne indicam um tráfego regional de 797 milhões de passageiros, cerca de 8% do tráfego global.
Como a conectividade aeroportuária da região LAC mudou desde 2019?
O número de pares de aeroportos conectados caiu de 3.959 em 2019 para 3.306 em 2026, embora os pares internacionais intra-LAC tenham aumentado ligeiramente durante o período.
Quantos aeroportos da região LAC registraram prejuízos em 2024?
Segundo a apresentação, 30% registraram prejuízos financeiros, sendo que 82% desses aeroportos movimentaram menos de um milhão de passageiros.
Quanto investimento aeroportuário a região LAC necessita?
Os números apresentados durante o workshop indicaram aproximadamente US$ 93,5 bilhões em necessidades de CAPEX aeroportuário entre 2021 e 2040.



