SITA: orquestração de dados pode transformar a jornada dos passageiros nos aeroportos – WAGA 2026

SITA

Durante o WAGA 2026, realizado em Lima em 28 de setembro, a SITA apresentou uma visão da digitalização dos aeroportos baseada menos na implementação de tecnologias isoladas e mais na integração dos dados já gerados ao longo da jornada dos passageiros. A empresa considera a orquestração de dados, a biometria, a identidade digital e o apoio à tomada de decisões por inteligência artificial ferramentas essenciais para tornar os processos aeroportuários mais ágeis, mantendo as pessoas no centro das operações.

Durante sua coletiva de imprensa no WAGA 2026, a SITA apresentou a próxima etapa da transformação aeroportuária a partir de um desafio central: os aeroportos já geram grandes volumes de informações, mas boa parte desses dados permanece distribuída entre sistemas separados

A apresentação, organizada em torno do tema “reinventar o aeroporto” e da orquestração da experiência do passageiro, relacionou a evolução das expectativas dos viajantes à necessidade de aeroportos, companhias aéreas e sistemas tecnológicos trocarem informações de maneira mais eficiente.

As expectativas dos passageiros estão cada vez mais digitais

Os números apresentados pela SITA ilustram a rapidez com que o comportamento dos passageiros está mudando.

Segundo a apresentação, 95% dos passageiros estão dispostos a utilizar ou compartilhar informações digitais de viagem, incluindo cartões de embarque, informações sobre bagagens e credenciais por meio de dispositivos móveis ou carteiras digitais.

A SITA também informou que 67% dos passageiros viajam com menos bagagem ou sem bagagem, enquanto 42% desejam receber informações em tempo real sobre suas malas, voos e outros aspectos da viagem.

Essas expectativas evoluem paralelamente à presença crescente de tecnologias já utilizadas nos aeroportos, incluindo sistemas de autoatendimento, automação, biometria e identidade digital.

Segundo a SITA, o problema é que esses sistemas não necessariamente funcionam como um ambiente único e conectado.

O desafio da fragmentação dos dados aeroportuários

As informações dos passageiros podem estar armazenadas em um sistema, os dados biométricos em outro e as informações operacionais do aeroporto em uma plataforma diferente. As companhias aéreas e outras partes interessadas também produzem seus próprios conjuntos de dados.

Para a SITA, simplesmente gerar mais informações não é suficiente.

“Os dados, por si só, não geram nada”, afirmou a empresa durante a apresentação, explicando que informações isoladas não permitem tomar as melhores decisões operacionais.

A mudança proposta está na orquestração de dados: conectar informações provenientes de diferentes sistemas aeroportuários para que possam ser analisadas em conjunto e disponibilizadas mais rapidamente às equipes operacionais.

À medida que aumenta o número de sistemas interconectados, os responsáveis pelas decisões podem obter uma visão mais ampla e atualizada das atividades aeroportuárias, permitindo respostas mais rápidas às mudanças nas condições operacionais.

A inteligência artificial como ferramenta de apoio à decisão

A inteligência artificial faz parte desse modelo, mas a SITA estabeleceu uma distinção clara entre utilizar a IA para apoiar decisões e transferir essas decisões para as máquinas.

Durante as operações aeroportuárias, as informações em tempo real podem mudar de um minuto para outro. Segundo a empresa, a IA pode ajudar a processar esses dados e proporcionar aos operadores maior visibilidade quando ocorrem interrupções ou mudanças operacionais.

No entanto, o papel humano continua sendo central.

Em declarações traduzidas do espanhol, a SITA explicou que os dados podem alimentar a inteligência artificial, mas “nunca substituem o elemento humano” necessário para a eficiência das operações aeroportuárias.

O objetivo, portanto, não é automatizar por automatizar. Trata-se de conectar as informações de maneira suficientemente eficaz para permitir que as equipes aeroportuárias antecipem situações e tomem decisões mais bem fundamentadas.

Rumo a uma jornada do passageiro mais fluida

Essa abordagem também vai além das operações internas dos aeroportos.

Durante a discussão, a SITA mencionou aeroportos da região que já estão avançando em diferentes componentes desse modelo. Aruba foi citada por seus processos transfronteiriços de passageiros baseados em credenciais digitais, com sistemas desenvolvidos para simplificar a jornada desde as etapas anteriores ao embarque até a chegada.

A SITA também destacou que nenhum aeroporto da América Latina e do Caribe representa atualmente o modelo completo. Diferentes aeroportos apresentam níveis distintos de maturidade em biometria, inteligência artificial, processamento de fronteiras e integração operacional.

A visão apresentada em Lima depende, portanto, menos de uma tecnologia revolucionária específica e mais da capacidade de fazer os sistemas existentes trabalharem juntos. Para a SITA, a próxima etapa da digitalização aeroportuária consiste em transformar informações fragmentadas em um ambiente operacional conectado, capaz de melhorar as decisões, reduzir os pontos de atrito e tornar a jornada do passageiro mais ágil e adaptável.


Nota da redação: primeiro artigo de uma série de dois sobre o WAGA 2026, dedicada à visão da SITA para o futuro das operações aeroportuárias e da experiência do passageiro.

FAQ

O que a SITA entende por orquestração de dados aeroportuários?

Trata-se de conectar as informações geradas pelos diferentes sistemas aeroportuários, das companhias aéreas, de biometria e de passageiros, permitindo que sejam analisadas e utilizadas em conjunto.

Quais tendências de comportamento dos passageiros a SITA destacou no WAGA 2026?

A SITA apresentou dados indicando que 95% dos passageiros estão dispostos a utilizar ou compartilhar informações digitais de viagem, enquanto 42% desejam receber mais informações em tempo real durante sua jornada.

Como a SITA prevê a utilização da IA nos aeroportos?

Como uma ferramenta para processar informações em tempo real e apoiar a tomada de decisões humanas, em vez de substituir os profissionais aeroportuários.

Quais tecnologias já fazem parte desse modelo?

A apresentação mencionou sistemas de autoatendimento, automação, biometria, identidade digital e dados operacionais interconectados.

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