653 pares de aeroportos a menos que em 2019: América Latina e Caribe têm mais assentos, mas uma rede menor

653 fewer airport pairs than in 2019: seats are back, routes are not. ACI-LAC study on regional connectivity in Latin America and the Caribbean

As companhias aéreas vão oferecer mais assentos na América Latina e no Caribe (LAC) em 2026 do que antes da pandemia. Mas vão conectar menos pares de aeroportos: 3.306 neste ano, ante 3.959 em 2019. Os números são do estudo Regional Connectivity and Market Power in Latin America and the Caribbean, encomendado pelo Airports Council International – Latin America and Caribbean (ACI-LAC) e realizado pela GPA e pela Universitat de Barcelona. A LATITUDE 15 apresenta os principais resultados em uma série de artigos, começando pela amplitude da rede.

Capacidade supera o nível pré-pandemia

A capacidade programada de assentos na região caiu 53,3% em 2020. Voltou ao nível de 2019 em 2023 e depois cresceu 5,3% tanto em 2024 quanto em 2025. As malhas atuais indicam uma nova alta de 2,7% em 2026, com o crescimento perdendo ritmo. Os mercados domésticos se recuperaram primeiro; os serviços internacionais levaram mais tempo.

Três países concentram mais da metade dos assentos da região: Brasil (24,2%), México (22,1%) e Colômbia (11,5%).

Capacidade de assentos na América Latina e no Caribe, 2019-2026, e participação de mercado por país
Fig. 3 do estudo: capacidade de assentos na LAC, 2019-2026, e participação de mercado por país. Fonte: ACI-LAC (GPA, Universitat de Barcelona).

Para onde foram os 653 pares de aeroportos

A maior parte da diferença está nas ligações com o resto do mundo. Os pares de aeroportos entre a LAC e destinos fora da região caíram de 1.967 para 1.417 no período. O estudo atribui uma parte importante dessa queda às conexões com os Estados Unidos: 1.322 pares de aeroportos em 2019 e 892 em 2026, uma redução de 32,5%. Ainda assim, os Estados Unidos continuam sendo, de longe, o maior mercado individual nesse indicador, com 44,2% dos pares de aeroportos internacionais, ou 54,9% quando se inclui o Canadá.

As redes domésticas também encolheram, embora de forma moderada, segundo o estudo. Já as ligações dentro da região se recuperaram totalmente: os pares intra-LAC passaram de 586 para 603 e hoje representam 29,9% dos pares internacionais.

Em 2026, os aeroportos da LAC estão conectados a 110 aeroportos nos Estados Unidos e no Canadá, 34 na Europa, 10 na Ásia, 8 na África e 3 na Oceania.

Pares de aeroportos internacionais na América Latina e no Caribe por mercado, 2019-2026
Fig. 5 do estudo: pares de aeroportos internacionais na LAC por mercado, 2019-2026. Fonte: ACI-LAC (GPA, Universitat de Barcelona).

Mais assentos concentrados nos principais aeroportos de entrada

A região tem 546 aeroportos comerciais com voos regulares. Apenas 23 deles oferecem mais de 10 milhões de assentos por ano, mas, juntos, concentram 55,7% da capacidade. No outro extremo, 399 aeroportos, ou 73% da rede, oferecem menos de um milhão de assentos e respondem por 7,6% da capacidade. No Caribe, o sistema aeroportuário é formado, em sua grande maioria, por aeroportos menores.

O peso dos maiores aeroportos está crescendo. Aqueles com mais de 20 milhões de assentos por ano detinham 34,9% da capacidade regional em 2019 e 42,4% em 2026.

Como a LAC se compara

O estudo compara a LAC com os Estados Unidos, a Europa Ocidental e o Sudeste Asiático. A Europa Ocidental soma 10.793 pares de aeroportos em 2026 e os Estados Unidos, 9.177, ante 3.306 na LAC e 2.080 no Sudeste Asiático. Em média, um aeroporto da LAC tem 12,1 conexões diretas com outros aeroportos, contra 15,0 no Sudeste Asiático, 27,5 nos Estados Unidos e 51,2 na Europa Ocidental. Os autores ressaltam que geografia, população, tamanho do mercado e estrutura territorial influenciam esses indicadores.

Pares de aeroportos conectados por região e por tipo, 2026
Fig. 24 do estudo: pares de aeroportos conectados por região e por tipo, 2026. Fonte: ACI-LAC (GPA, Universitat de Barcelona).

O que o estudo recomenda

Os autores relacionam essa constatação a uma de suas quatro prioridades estratégicas. Com a capacidade acima de 2019 e os pares de aeroportos ainda abaixo desse nível, eles avaliam que fortalecer a conectividade não deve significar apenas adicionar capacidade nos principais aeroportos de entrada, mas também ampliar a rede e melhorar o acesso ao transporte aéreo nos mercados secundários. Entre os instrumentos citados estão esquemas de incentivo aeroportuário, marcos regulatórios proporcionais e condições operacionais adaptadas a aeronaves e mercados menores, para que rotas de menor demanda possam se desenvolver e se sustentar.

O estudo também destaca os serviços com escalas e os triangulares. Várias companhias aéreas europeias e intercontinentais fazem escalas intermediárias na região para atender mercados da LAC que talvez não sustentassem, sozinhos, um voo de longo curso independente.

Perguntas para se fazer

Aeroportos

  • Dos destinos atendidos pelo seu aeroporto em 2019, quantos voltaram a ser atendidos em 2026?
  • Seu crescimento vem de mais assentos nas rotas existentes ou de novos destinos?

Órgãos de turismo e destinos

  • Quais mercados emissores perderam a ligação direta desde 2019?
  • Seus indicadores acompanham o número de destinos atendidos, além do número de assentos?

Autoridades de aviação civil e governos

  • Seus esquemas de incentivo e suas condições regulatórias levam em conta as rotas de menor demanda e as aeronaves menores?

Leia também: WAGA 2026: Rafael Echevarne destaca o persistente déficit de conectividade aérea na América Latina e no Caribe

Sobre os dados

Os números de 2026 se baseiam nas malhas atuais das companhias aéreas. Aeroportos comerciais são aqueles com código IATA de três letras e serviços comerciais regulares. Pares de aeroportos são os aeroportos ligados entre si por voos regulares. Fonte: ACI-LAC, Regional Connectivity and Market Power in Latin America and the Caribbean, Deliverable 3 – Final Report, elaborado pela GPA e pela Universitat de Barcelona.

Próximo artigo da série: assentos oferecidos versus os destinos reais dos passageiros.

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