CMA CGM dobra suas linhas na Martinica e reforça a conectividade marítima do Caribe

336 milhões de euros de investimentos, uma frota de navios de 6.000 TEUs e a duplicação das linhas marítimas em Fort-de-France até 2027: o grupo marselhês transforma a Martinica e Guadalupe em plataformas logísticas regionais e envia uma mensagem direta aos operadores da América Latina.

Foi diante de um navio de 6.000 TEUs iluminado operando em plena noite, no nono andar do Poseidon, com uma vista panorâmica do terminal de Fort-de-France, que a CMA CGM lançou oficialmente seu serviço PCRF XL em 9 de março. O simbolismo foi deliberado: mostrar, em tempo real, o que o hub significa concretamente. O evento reuniu o prefeito, senadores, deputados, o presidente da CCI, o Presidente do Conselho de Supervisão do Grande Porto Marítimo da Martinica e numerosos atores econômicos do território.

“A ambição é transformar as Antilhas Francesas em um hub logístico regional no coração do Caribe.”
— Bertrand Bey, Diretor de relações institucionais, Grupo CMA CGM

Este programa foi lançado oficialmente em 19 de dezembro de 2023, com um investimento conjunto de 336 milhões de euros mobilizando a CMA CGM, o Estado francês e os dois Grandes Portos Marítimos de Guadalupe e Martinica. O objetivo: elevar a capacidade global de transbordo das duas ilhas para aproximadamente 300.000 TEUs por ano, contra cerca de 68.000 atualmente — dos quais 25.000 para a Martinica e 28.000 para Guadalupe. Este projeto é acompanhado de obras portuárias significativas: aumento do calado de 13,50 m para 14,50 m, extensão de 150 metros lineares de cais para atracação simultânea de dois grandes navios, e ampliação de 2.500 m² do pátio de contêineres na retroárea.

Loïc Bertaudon (Direção comercial, ultramar francês) | Guillaume de Chastellux (Diretor das Linhas Antilhas-Guiana) | Bertrand Bey (Vice-Presidente de Relações Institucionais França) | Henri Soupa (Relações de imprensa, Grupo CMA CGM)
Catherine BOURGAIS (Coordenação dos territórios ultramarinos – DROM-COM) | Loïc Bertaudon (Direção comercial, ultramar francês) | Guillaume de Chastellux (Diretor das Linhas Antilhas-Guiana) | Bertrand Bey (Vice-Presidente de Relações Institucionais França) | Henri Soupa (Relações de imprensa, Grupo CMA CGM)
HUB CMA CGM — MARTINICA & GUADALUPE · NÚMEROS-CHAVE
Investimento total: 336 M€ (dos quais 257 M€ de infraestruturas públicas)
Capacidade-alvo: 300.000 TEUs adicionais/ano — vs. ~68.000 atualmente (~25.000 Martinica, ~28.000 Guadalupe)
Linhas CMA CGM em Fort-de-France: 3 atualmente → 6 em 2027
Linhas CMA CGM na zona do Caribe: 19 no total
Frota PCRF XL: 7 navios de 6.000 TEUs — vs. 6 navios na configuração anterior
Trânsito Le Havre–Martinica: 9 dias (reduzido em 2 dias) · Dunquerque: 13 dias (reduzido em 4 dias)
Tomadas reefer: 800 (vs. 200 antes do projeto)
Portêineres híbridos: 6 unidades entregues na Martinica
Calado Martinica: 13,50 m → 14,50 m (final de 2026)
Horizonte de finalização: 2027

De 1.700 a 6.000 TEUs: três gerações de navios em 20 anos

Guillaume de Chastellux, Diretor das Linhas Antilhas-Guiana, traçou durante o lançamento a evolução da frota: 1.700 TEUs até 2006, 2.200 TEUs de 2006 a 2019 com as séries Fort-Saint-Charles e Fort-Saint-Georges, depois os 3.500 TEUs até 2025. Desde janeiro de 2026, sete navios de 6.000 TEUs estão implantados no serviço PCRF XL — o último da série integrou o dispositivo no início do mês.

A linha operava até então com seis navios. Agora conta com sete. Este navio adicional injeta tempo de segurança na rotação — quatro dias no Norte da Europa, três dias na zona caribenha — para manter um calendário diante das adversidades meteorológicas. Isto não é um detalhe: oito eventos climáticos importantes perturbaram o transporte marítimo europeu entre 15 de dezembro de 2025 e 8 de fevereiro de 2026.

A reestruturação da rotação produz dois efeitos diretos e imediatos para os operadores econômicos. Primeiro, o transit time Le Havre–Martinica passa de onze para nove dias, e Dunquerque de dezessete para treze dias, graças à adição de uma escala em Roterdã e de uma segunda escala em Dunquerque para exportação. Em seguida — e esta é a mudança mais aguardada pelos importadores — o navio chega agora à Martinica na segunda ou terça-feira, contra quarta ou quinta-feira anteriormente. Descarregar mais cedo na semana significa abastecer as prateleiras antes do fim de semana: um ganho operacional concreto para toda a cadeia de distribuição local.

“O transporte marítimo não cria o mercado, mas o acompanha.”
— Philippe Rech, Diretor-geral da CMA CGM Martinica — lançamento PCRF XL, 9 de março de 2026

Fort-de-France: de 3 linhas a 6 até 2027, sete serviços nomeados

Philippe Rech, Diretor-geral da CMA CGM Martinica, precisou que Fort-de-France conta atualmente com três linhas marítimas CMA CGM. Até 2027, contará com seis. Esta duplicação se inscreve em uma malha regional já densa: 19 linhas CMA CGM cruzam o conjunto da zona caribenha. Esta estratégia coloca também as Antilhas francesas em concorrência direta com os grandes hubs de transbordo da região, notadamente Kingston (Jamaica), Cartagena (Colômbia) e Caucedo (República Dominicana).

A reestruturação dos serviços regionais, iniciada desde dezembro de 2025, articula-se em torno de sete serviços nomeados.

Intra-Caribe, três serviços estão operacionais. O AGEX (Antilhas-Guiana Express), lançado em meados de dezembro, conecta a Martinica, Guadalupe e a Guiana Francesa com dois navios dedicados em rotação semanal — cinco a seis dias de trânsito em cada sentido. O transbordo intermediário via Trinidad foi suprimido: as mercadorias chegam agora diretamente ao porto de Dégrad-des-Cannes na Guiana. O AGEX cumpre duas funções: oferecer uma ligação direta para os industriais dos territórios franceses do Caribe, e assegurar o transbordo dos volumes provenientes de outras origens para a Guiana, notadamente do Mediterrâneo ou do Golfo. O serviço Guyana conecta a Martinica à Guiana, ao Suriname e a Trinidad. O Kalinago, sem escala na Martinica, mantém a conectividade para as ilhas de Barlavento (Windward Islands) via Trinidad. Em Guadalupe, o serviço Leewards atende em rotação todas as ilhas do Norte até Port Hospen.

Para a América Central, o Motagua — lançado no início de janeiro de 2026 desde Guadalupe — é dedicado à Guatemala e Honduras, com a função principal de transportar mercadorias refrigeradas destes dois países para o Norte da Europa, e inversamente. Finalmente, dois serviços estão programados para 2027: o Brasex estendido conectará o sul do Brasil, região de Santos, ao Caribe com uma parada na Martinica; o Indigo, segundo feeder conectado, assegurará a ligação para Cuba.

Descarbonização e oportunidades LAC: a entrevista exclusiva Latitude 15

Na entrevista concedida à Latitude 15 durante o evento, Guillaume de Chastellux precisou o esforço de descarbonização portuária:

“A principal ação foca no maquinário portuário. Estamos passando do funcionamento puramente a óleo combustível para tecnologias híbridas, e até elétricas em Guadalupe.”
— Guillaume de Chastellux — entrevista exclusiva

Questionado diretamente sobre o que este reposicionamento representa para os operadores da América Latina e do Brasil — o público internacional da Latitude 15 — Guillaume de Chastellux entregou uma mensagem sem ambiguidade. Em um contexto regional marcado pelas tensões geoestratégicas, Philippe Rech destacava por outro lado a capacidade do grupo de combinar seus vetores marítimos, aéreos e terrestres para manter a continuidade dos serviços — uma resiliência construída sobre 48 anos de operações em ambiente de crise.

“Convido absolutamente todos os nossos clientes e parceiros a saírem de seus territórios e a observarem as oportunidades na região — comércio, indústria, transformação, reexportação, consolidação de mercadorias. Todo o campo de possibilidades é muito amplo.”
— Guillaume de Chastellux — entrevista exclusiva

Equipe CMA CGM da Martinica: Audrey Rose-Derond, Arnauld Nicolas, Mongin Lesly, Bilan-Ledoux Evy

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