Além dos aeroportos: o impacto econômico mais amplo da aviação na Guiana

Em 2023, o transporte aéreo sustentou US$ 160 milhões em atividade econômica e 5.200 empregos na Guiana, segundo o mais recente estudo nacional da IATA. Essa contribuição total correspondeu a 1% do PIB do país e refletiu não apenas a atividade das companhias aéreas e dos aeroportos, mas também os efeitos mais amplos gerados pelo turismo, pelas cadeias de suprimentos e pelos gastos dos trabalhadores do setor.

As atividades diretamente ligadas à aviação representaram menos da metade desse impacto total. Companhias aéreas, aeroportos, prestadores de serviços de navegação aérea e empresas relacionadas geraram US$ 78,9 milhões, o equivalente a 0,5% do PIB, e empregaram diretamente 2.000 pessoas. Essa diferença mostra como a presença econômica da aviação se estende para além das empresas responsáveis pelas aeronaves e pela infraestrutura aeroportuária.

As atividades aeronáuticas diretas geram US$ 78,9 milhões

As companhias aéreas foram as principais responsáveis pela contribuição econômica direta do setor de aviação na Guiana. Em 2023, elas geraram US$ 45,7 milhões e sustentaram diretamente cerca de 700 empregos.

Os aeroportos, os prestadores de serviços de navegação aérea e as atividades de fabricação aeronáutica civil contribuíram com mais US$ 33,2 milhões, além de sustentarem 1.300 empregos. Juntos, esses dois segmentos responderam pela contribuição direta de US$ 78,9 milhões e pelos 2.000 postos de trabalho diretamente vinculados ao setor.

Os dados revelam uma diferença entre a distribuição dos empregos e a geração de valor econômico. As atividades aeroportuárias e relacionadas sustentaram quase o dobro de empregos diretos em comparação com as companhias aéreas, enquanto estas últimas apresentaram a maior contribuição para o PIB.

A estimativa total de US$ 160 milhões divulgada pela IATA também incorpora benefícios gerados fora do setor aeronáutico direto. Entre eles estão os gastos realizados ao longo da cadeia de suprimentos, o consumo dos trabalhadores da aviação e as atividades turísticas viabilizadas pelo transporte aéreo. O relatório não apresenta uma divisão específica de cada componente indireto e induzido. Ainda assim, sua inclusão praticamente duplica o impacto econômico atribuído à aviação na economia nacional.

O turismo amplia o impacto econômico da aviação

O turismo apoiado pelo transporte aéreo contribuiu com cerca de US$ 35 milhões para o PIB da Guiana e sustentou aproximadamente 1.800 empregos em 2023.

Esse volume de empregos se aproxima dos 2.000 postos gerados diretamente pelas atividades aeronáuticas, demonstrando como os benefícios da conectividade internacional se distribuem para além dos aeroportos e das operações das companhias aéreas.

Estima-se também que os visitantes internacionais tenham gasto US$ 34,3 milhões por ano em bens e serviços oferecidos por empresas locais. Essas despesas podem beneficiar diferentes segmentos da economia do turismo, incluindo hospedagem, alimentação, transporte terrestre, comércio varejista e serviços destinados aos viajantes.

A contribuição de US$ 35 milhões para o PIB e os US$ 34,3 milhões em gastos dos visitantes, no entanto, não devem ser somados. Os valores medem aspectos distintos da atividade turística: o primeiro representa o valor adicionado à economia, enquanto o segundo corresponde às despesas realizadas pelos visitantes internacionais.

Os dados reforçam, ainda assim, a estreita relação entre aviação e desenvolvimento turístico. Em um mercado fortemente dependente das viagens internacionais, a oferta de transporte aéreo determina não apenas a capacidade de os visitantes chegarem ao país, mas também a distribuição de seus gastos entre as empresas locais.

Carga aérea e acessibilidade reforçam o valor estratégico do setor

Os aeroportos da Guiana movimentaram 11.300 toneladas de carga aérea em 2023, colocando o país na posição de 120º maior mercado mundial de transporte aéreo de cargas. A Guiana também ocupava a 117ª posição entre os mercados comerciais nos dados citados pela IATA.

O relatório não identifica as principais mercadorias transportadas, as rotas utilizadas ou o valor das cargas. Esse volume deve, portanto, ser considerado um indicador geral da atividade de carga aérea, e não uma medida detalhada de sua contribuição para o comércio exterior do país.

A carga aérea pode, ainda assim, desempenhar um papel estratégico ao proporcionar acesso rápido aos mercados internacionais, apoiar cadeias de suprimentos sensíveis ao tempo e viabilizar o transporte de mercadorias destinadas a operações de emergência ou de assistência humanitária. Seu valor econômico pode, portanto, superar sua participação nos volumes totais de carga movimentados no país.

Os benefícios econômicos da aviação também dependem da acessibilidade do transporte aéreo para a população. A IATA estima que um habitante precisava trabalhar, em média, 5,2 dias para conseguir pagar uma passagem aérea em 2023, com base nas tarifas médias e no PIB per capita.

A Guiana registrou ainda aproximadamente 584 viagens aéreas para cada 1.000 habitantes no mesmo ano. Esses indicadores oferecem uma visão do uso e da acessibilidade do transporte aéreo, embora as médias nacionais não reflitam as diferenças de renda e de poder de compra entre as famílias.

A contribuição direta da aviação permanece limitada a 0,5% do PIB da Guiana, mas seu impacto total é duas vezes maior quando são incluídos o turismo, as cadeias de suprimentos e os gastos dos trabalhadores. Seu valor estratégico ultrapassa, portanto, a atividade gerada nos aeroportos, abrangendo também o acesso proporcionado aos visitantes internacionais, aos mercados comerciais e aos fluxos essenciais de mercadorias.


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