São Paulo assume a liderança em passageiros enquanto a hierarquia aeroportuária da América Latina evolui

Os 20 aeroportos mais movimentados da América Latina e do Caribe atenderam 440,4 milhões de passageiros em 2025, com o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (GRU) ultrapassando Bogotá e Cidade do México para se tornar o maior aeroporto da região em volume de passageiros.

Segundo os resultados consolidados divulgados pelo Airports Council International Latin America and the Caribbean (ACI-LAC), os 20 principais aeroportos registraram crescimento de 5% no tráfego de passageiros, 1,8% na carga aérea e 3% nas movimentações de aeronaves. Em conjunto, responderam por 55,4% do tráfego regional de passageiros, 76,6% da carga aérea e 40,5% das movimentações de aeronaves.

Os resultados revelam mais do que uma simples mudança no topo do ranking de passageiros. Eles mostram uma nova configuração da liderança aeroportuária regional, na qual escala de passageiros, intensidade operacional e capacidade logística deixam de estar concentradas em um único grande hub.

GRU assume a liderança enquanto o tráfego regional cresce acima da média mundial

O Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos movimentou 47,1 milhões de passageiros em 2025, um crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. Após subir duas posições no ranking, o GRU ultrapassou o Aeroporto Internacional El Dorado, em Bogotá, que registrou 45,4 milhões de passageiros, e o Aeroporto Internacional Benito Juárez, na Cidade do México, com 44,6 milhões. Tanto Bogotá quanto Cidade do México apresentaram ligeiras quedas no volume de passageiros.

O crescimento conjunto dos 20 maiores aeroportos da região também superou o ritmo observado em escala global. Segundo a ACI World, o tráfego mundial de passageiros alcançou 9,8 bilhões em 2025, alta de 3,7%, enquanto os principais aeroportos da América Latina e do Caribe registraram expansão de 5%. Embora a comparação envolva universos estatísticos distintos — os 20 maiores aeroportos da região versus todo o sistema aeroportuário mundial —, ela evidencia que as principais plataformas latino-americanas e caribenhas cresceram acima da média global.

Os números finais também confirmam o desempenho superior ao inicialmente esperado, já observado ao longo do ano. Em novembro de 2025, a ACI-LAC informou que o tráfego regional de passageiros havia crescido 5,43% entre janeiro e setembro, superando sua previsão inicial de 4,1% para o conjunto do ano. Argentina, Brasil, Panamá e Peru figuraram entre os mercados nacionais com melhor desempenho nesse período.

Brasil e México continuam ocupando posição central nesse cenário de crescimento. Dos 20 maiores aeroportos da região em movimentação de passageiros, seis estão localizados no Brasil e cinco no México, o que significa que os dois países concentram mais da metade das principais plataformas aeroportuárias da América Latina e do Caribe. Essa relevância se explica não apenas pela presença de grandes hubs internacionais, mas também pela força de seus mercados domésticos e pela existência de sistemas aeroportuários com múltiplos aeroportos. A ACI-LAC, no entanto, não divulga dados agregados por país, o que impede uma comparação direta do peso relativo de cada mercado apenas com base no ranking.

A liderança regional agora é compartilhada entre São Paulo e Bogotá

Um ano antes, o Aeroporto Internacional El Dorado, em Bogotá, ocupava a liderança regional nas três principais categorias de desempenho. Em 2024, o aeroporto movimentou mais de 45 milhões de passageiros, 809.021 toneladas de carga aérea e registrou 360.044 movimentações de aeronaves.

Os resultados de 2025 redesenham esse cenário. São Paulo/Guarulhos passa a liderar em volume de passageiros, mas Bogotá mantém a liderança regional tanto em carga aérea quanto em movimentações de aeronaves.

O El Dorado processou 828.600 toneladas de carga, muito acima das 529.600 toneladas registradas por São Paulo/Guarulhos. O aeroporto colombiano também contabilizou 362.400 movimentações de aeronaves, contra 313.400 do Aeroporto Internacional Benito Juárez, na Cidade do México, o segundo mais movimentado da região em operações.

Na comparação com os resultados publicados para 2024, o volume de carga de Bogotá cresceu aproximadamente 2,4%, enquanto as movimentações de aeronaves aumentaram menos de 1%. Embora se trate de uma evolução relativamente moderada, ela foi suficiente para preservar a liderança do aeroporto em duas atividades estratégicas para o setor.

Essa distinção é particularmente relevante para operadores aeroportuários e investidores. O volume de passageiros mede a dimensão do mercado, mas o número de movimentações reflete a intensidade operacional, enquanto a carga evidencia o papel do aeroporto nas cadeias logísticas, no comércio de alto valor agregado e no transporte de mercadorias sensíveis ao fator tempo. Sob essa perspectiva, Bogotá continua sendo, provavelmente, o hub mais diversificado da América Latina e do Caribe, mesmo após perder a liderança no transporte de passageiros.

O crescimento mais acelerado acontece fora do Top 3

O ranking também revela um segundo grupo de aeroportos que apresenta taxas de crescimento significativamente superiores à média regional.

O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão (GIG) registrou o maior crescimento de passageiros entre os 20 primeiros colocados, com alta de 23,6%. Em seguida aparecem Buenos Aires/Jorge Newbery, com 19,3%, Monterrey, com 15,6%, e Brasília, com 11,9%.

Monterrey e Jorge Newbery também se destacaram pelo crescimento nas movimentações de aeronaves, que avançaram 18% e 15,2%, respectivamente. Essa expansão simultânea de passageiros e operações indica que o crescimento foi impulsionado por um aumento efetivo da oferta de voos, e não apenas por fatores como maiores taxas de ocupação ou mudanças na capacidade das aeronaves. Ainda assim, o relatório da ACI-LAC não fornece informações suficientes para identificar com precisão os fatores que explicam esse desempenho.

Para companhias aéreas e operadores aeroportuários, esses indicadores ajudam a diferenciar aeroportos que já possuem grande escala daqueles que demonstram maior dinamismo de crescimento. GRU, BOG e MEX continuam sendo as maiores plataformas da região, mas aeroportos como GIG, AEP, MTY e BSB podem representar sinais mais claros de onde estão se acelerando o desenvolvimento de rotas, a utilização da infraestrutura aeroportuária e as oportunidades comerciais.

A carga aérea permanece concentrada em um número limitado de grandes gateways

O principal ensinamento estrutural do ranking aparece na diferença entre as três participações de mercado divulgadas pela ACI-LAC.

Os 20 maiores aeroportos concentraram pouco mais da metade do tráfego regional de passageiros e 40,5% das movimentações de aeronaves, mas responderam por mais de três quartos de toda a carga aérea. O mercado de carga é, portanto, consideravelmente mais concentrado em um grupo restrito de gateways logísticos do que o transporte de passageiros ou as operações aéreas.

Esse nível de concentração também se destaca quando comparado ao cenário mundial. Segundo a ACI World, os 20 maiores aeroportos de carga do mundo movimentaram quase 41% do volume global em 2025, ante 76,6% registrados pelos 20 principais aeroportos da América Latina e do Caribe. Embora os dois rankings abranjam mercados geográficos e redes aeroportuárias diferentes, essa diferença evidencia a forte dependência da região em relação a um número limitado de hubs de carga.

Essa concentração gera ganhos de escala para companhias aéreas, agentes de carga e operadores de handling, mas também levanta questões relacionadas à capacidade, à diversificação de rotas e à resiliência operacional. Nesse contexto, Lima/Jorge Chávez e Recife, onde a carga aérea cresceu 16,7% e 16,4%, respectivamente, podem se tornar plataformas importantes à medida que a região busca alternativas aos seus gateways dominantes.

Para os aeroportos do Caribe, os resultados reforçam a dificuldade de competir com os grandes hubs continentais apenas em termos de volume. O resumo divulgado pela ACI-LAC não destaca nenhum aeroporto caribenho, embora a ausência do ranking completo não permita conclusões mais amplas. As melhores oportunidades para essas plataformas provavelmente estão em funções especializadas, como conectividade turística, conexões regionais, carga expressa, produtos perecíveis e ligações confiáveis com hubs de maior porte, em vez de tentar reproduzir a escala de São Paulo, Bogotá ou Cidade do México.

O próximo desafio será transformar esse crescimento em capacidade sustentável. A ACI World projeta que o tráfego mundial de passageiros alcance 10,2 bilhões em 2026 e 18,8 bilhões até 2045, ao mesmo tempo em que alerta para o risco de gargalos provocados por limitações de infraestrutura, atrasos na entrega de aeronaves e crescente complexidade operacional.

Os resultados de 2025 mostram que a América Latina e o Caribe entraram nesse novo ciclo de expansão apoiados em vários hubs sólidos, e não em um único aeroporto dominante. São Paulo lidera agora em passageiros, Bogotá preserva sua vantagem operacional e logística, enquanto um grupo de plataformas de crescimento mais acelerado começa a redesenhar o mapa aeroportuário regional.


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