O desafio da segurança da aviação em El Salvador vai além da infraestrutura aeroportuária

El Salvador

El Salvador apresentou avanços concretos desde a adoção de seu plano de segurança da aviação 2022–2025, incluindo a certificação do Ilopango International Airport. No entanto, os dados mais recentes da ICAO mostram que fortalecer a infraestrutura aeroportuária é apenas parte da equação. O país ainda enfrenta um desafio mais amplo: garantir que sua capacidade de regulamentar, certificar e supervisionar continuamente os aeroportos evolua no mesmo ritmo.

Quando El Salvador publicou seu National Aviation Safety Plan, em 2022, o Ilopango International Airport ainda estava em processo de certificação. O país também havia estabelecido como objetivo melhorar a supervisão dos aeroportos, a gestão da segurança operacional e a capacidade institucional.

Quatro anos depois, uma dessas mudanças é claramente visível.

Ilopango foi certificado em 2024, um marco que a Autoridad de Aviación Civil (AAC) apresentou como parte dos esforços para garantir que o aeródromo estivesse em conformidade com as normas de segurança aplicáveis.

Mas a certificação de um aeroporto específico conta apenas parte da história.

Dados da ICAO publicados em outubro de 2025 atribuíram a El Salvador um índice de Effective Implementation de 75,2% em Aerodromes and Ground Aids (AGA) — área da supervisão da aviação que abrange os aeródromos e seus sistemas de apoio.

Esse dado é relevante porque o próprio plano 2022–2025 de El Salvador havia estabelecido uma meta de pelo menos 85% tanto na supervisão de aeródromos quanto na investigação de acidentes em sua próxima auditoria USOAP.

Essa diferença evidencia um desafio que vai além da construção ou certificação de infraestrutura.

O desenvolvimento aeroportuário precisa de um sistema de supervisão por trás dele

A segurança aeroportuária depende da infraestrutura física, mas também do que acontece depois que essa infraestrutura é construída.

As autoridades precisam dispor de capacidade técnica suficiente para certificar instalações, realizar inspeções, supervisionar operadores e garantir que as deficiências sejam corrigidas. À medida que o tráfego e a atividade aeroportuária aumentam, essas responsabilidades também crescem.

El Salvador já havia reconhecido essa necessidade em seu plano nacional.

O documento identificava a certificação, a supervisão contínua e a resolução de deficiências de segurança entre as áreas que exigiam maior atenção. Também destacava o setor de aeródromos como uma das áreas do sistema nacional de aviação que precisava ser aprimorada.

É isso que torna o índice de 75,2% particularmente relevante. Ele não representa simplesmente uma avaliação das condições das pistas ou das instalações aeroportuárias. Reflete o sistema mais amplo do Estado responsável por garantir que os aeródromos continuem atendendo aos requisitos de segurança ao longo do tempo.

A avaliação detalhada da ICAO de 2025 mostra que El Salvador apresenta um desempenho sólido em algumas partes desse sistema, enquanto resultados mais baixos permanecem em áreas relacionadas ao pessoal técnico, aos processos de certificação e à supervisão contínua.

Para operadores aeroportuários e formuladores de políticas públicas, essa distinção é importante: um aeroporto pode alcançar um importante marco de certificação enquanto o sistema mais amplo de supervisão ainda precisa ser fortalecido.

A auditoria da ICAO de 2025 criou um novo ponto de referência

O fim do plano nacional também coincidiu com uma importante avaliação externa.

A ICAO realizou uma auditoria do Universal Safety Oversight Audit Programme em El Salvador entre 16 e 28 de julho de 2025.

Antes da auditoria, a AAC vinha trabalhando em atualizações regulatórias, preparação das equipes, documentação e avaliações internas. Os próprios materiais preparatórios da autoridade mostram que o exercício abrangia diversas áreas do sistema de aviação civil, desde operações de aeronaves e aeronavegabilidade até navegação aérea, aeródromos e investigação de acidentes.

A auditoria oferece, portanto, a El Salvador um novo ponto de referência após os quatro anos de implementação do plano de segurança.

Existe, no entanto, uma limitação importante. O plano de 2022 registrava um índice geral de Effective Implementation de 89,64%, mas os protocolos de auditoria da ICAO evoluíram desde então. Os números antigos e os mais recentes, portanto, não devem ser tratados como medidas diretamente comparáveis para determinar se a segurança da aviação melhorou ou piorou.
A questão mais relevante é saber se as fragilidades específicas identificadas por El Salvador estão sendo efetivamente enfrentadas.

No caso dos aeródromos, o dado mais recente disponível da ICAO indica que ainda há trabalho a ser feito.

O progresso é real — mas a capacidade de segurança precisa acompanhar essa evolução

Isso não significa que o ciclo 2022–2025 tenha sido uma história de metas não cumpridas.

A certificação de Ilopango representa uma mudança concreta em relação à situação descrita quando o plano foi elaborado. O país também passou por uma nova auditoria da ICAO e continuou atualizando seu marco de gestão da segurança operacional, incluindo a aprovação de uma nova edição de seu RAC 19 Safety Management Regulation em julho de 2025.

A principal conclusão é que o desenvolvimento aeroportuário e a supervisão da aviação são duas camadas distintas de um mesmo sistema.

Uma cria capacidade no terreno. A outra garante que essa capacidade continue operando com segurança.

Essa distinção se torna cada vez mais importante à medida que os mercados de aviação se expandem. Novas infraestruturas, operações adicionais ou certificações aeroportuárias também aumentam a demanda por inspetores, conhecimento técnico, processos de supervisão, dados de segurança e acompanhamento regulatório.

O próprio plano de segurança de El Salvador já reconhecia algumas dessas pressões. Além das limitações de infraestrutura, identificava recursos limitados, cultura de segurança e capacidade institucional entre os desafios enfrentados pelo sistema nacional de aviação.

A questão, portanto, já não é simplesmente saber se o país consegue executar projetos específicos ou concluir processos de certificação. Trata-se de saber se o sistema responsável por supervisioná-los consegue evoluir no mesmo ritmo.

O desafio pós-2025

O plano de El Salvador foi concebido para vigorar até 2025. Ele também previa o monitoramento contínuo das iniciativas de segurança e a avaliação do progresso em relação aos objetivos nacionais.

O encerramento desse ciclo revela um cenário mais complexo do que um único índice de auditoria poderia indicar.

Uma importante certificação aeroportuária foi concluída. O marco regulatório continuou evoluindo. Uma nova auditoria da ICAO forneceu outra avaliação externa do sistema de aviação do país.

Ao mesmo tempo, a supervisão dos aeródromos estava em 75,2% nos dados da ICAO de outubro de 2025, abaixo da meta de 85% estabelecida por El Salvador.

Para a próxima etapa da estratégia de segurança da aviação do país, o desafio central torna-se cada vez mais claro: o avanço da infraestrutura precisa ser acompanhado pelo fortalecimento da capacidade institucional necessária para supervisioná-la.

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