Q1: Santo Domingo é frequentemente apresentada como um potencial hub aéreo do Caribe. Você compartilha dessa visão? O que pretendem alcançar concretamente: ampliar o número de destinos ponto a ponto ou obter um crescimento mensurável do tráfego de passageiros em conexão?
Sim. Santo Domingo reúne condições naturais para fortalecer sua posição como um dos principais centros de conectividade aérea do Caribe: sua localização geográfica, o tamanho e o dinamismo da economia dominicana e o crescimento contínuo do turismo e dos negócios.
Nossa prioridade é continuar ampliando a conectividade nas duas frentes: mais destinos diretos e melhores oportunidades de conexão. Trabalhamos ativamente com as companhias aéreas — fornecendo estudos de mercado, condições operacionais favoráveis e apoio comercial — para desenvolver novas rotas. Os resultados já são visíveis: diversas companhias anunciaram aumentos de frequência e novas conexões nos últimos meses, o que confirma que essa estratégia está funcionando.
Q2: A Copa opera cinco voos diários, a JetBlue triplicou suas frequências e a Sunrise Airways inaugurou uma rota para Pointe-à-Pitre. Quais são atualmente os mercados caribenhos prioritários para a malha aérea de SDQ e como a AERODOM trabalha para viabilizar novas conexões?
Mais do que falar de três rotas específicas, prefiro abordar os mercados prioritários. Continuamos identificando oportunidades para fortalecer a conectividade com o Caribe Oriental, as Antilhas e outros mercados onde existe demanda potencial.
O desafio não é apenas identificar uma rota, mas demonstrar às companhias aéreas que existe uma demanda sustentada ao longo de todo o ano. Nosso trabalho consiste em fornecer informações de mercado, facilitar as condições operacionais e atuar em conjunto com as companhias aéreas para transformar essas oportunidades em novas rotas. Para isso, contamos com uma equipe experiente e qualificada, apoiada pela rede global da VINCI Airports e por sua experiência no desenvolvimento de tráfego em mais de 70 aeroportos.
Q3: O futuro terminal está sendo projetado para atender aos passageiros em conexão — considerando tempos de conexão, processamento de bagagens, imigração e fluxos de trânsito — ou principalmente para absorver o crescimento do tráfego de origem e destino?
O terminal foi projetado para oferecer flexibilidade e eficiência operacional, além de acompanhar o crescimento futuro do aeroporto, tanto no tráfego de conexão quanto no de origem e destino. Não estamos apenas construindo mais espaço físico: estamos criando uma infraestrutura preparada para diferentes tipos de operação e para aprimorar a experiência do passageiro em cada etapa de sua jornada.
Isso inclui planejar cuidadosamente os fluxos de passageiros, a tecnologia, o processamento de bagagens, a segurança e a coordenação com as autoridades envolvidas nesses processos. Também significa incorporar a identidade e a atmosfera próprias da República Dominicana em cada espaço, para que até mesmo um passageiro em conexão possa vivenciar, ainda que por algumas horas, algo genuinamente dominicano. A modernização do sistema de processamento de bagagens (BHS), que já estamos implementando no terminal existente, faz parte dessa mesma visão integrada: maior eficiência operacional a serviço de uma melhor experiência de viagem.
Q4: Qual é a proposta de valor específica de Santo Domingo dentro da rede aérea do Caribe — como capital, centro de negócios ou porta de entrada regional — e quais segmentos impulsionam atualmente seu crescimento: viagens de negócios, diáspora, MICE ou tráfego de conexão?
Santo Domingo é a capital política e econômica do país, um importante centro de negócios e, ao mesmo tempo, uma porta de entrada para o turismo e para a diáspora dominicana — uma combinação que poucas cidades do Caribe podem oferecer.
Além disso, o crescimento que alcançamos no transporte aéreo de cargas confirma que a conectividade de Santo Domingo vai muito além do turismo. Em 2025, a AERODOM movimentou mais de 111 mil toneladas métricas de carga, enquanto o Aeroporto Internacional Las Américas (AILA) concentrou aproximadamente 75% da carga aérea do país. Isso reflete o papel cada vez mais importante do aeroporto como plataforma logística regional e como motor do desenvolvimento econômico nacional.
Q5: O aumento do tráfego de conexão significa que os passageiros passam mais tempo no terminal. Como transformar esse tempo em receitas não aeronáuticas e, ao mesmo tempo, conferir à experiência comercial uma identidade claramente dominicana?
A chave é entender que o passageiro não deve se sentir simplesmente como alguém que está esperando um voo. Queremos que o aeroporto faça parte de sua experiência de viagem.
Isso significa oferecer serviços úteis, espaços confortáveis, conectividade digital, uma oferta comercial atraente e, sobretudo, incorporar elementos que representem a República Dominicana: nossa gastronomia, nossos produtos, nossa cultura e nossa hospitalidade. A experiência comercial deve atender aos padrões internacionais, mas manter uma identidade claramente dominicana.
Paralelamente, estamos incorporando soluções digitais que tornam a experiência do passageiro mais simples e agradável, como o acesso gratuito à internet por meio de eSIM e a digitalização de serviços como o estacionamento.




