A Corporación América Airports (CAAP) registrou mais um período de crescimento de passageiros em sua carteira de aeroportos em março de 2026, com o tráfego internacional voltando a superar os mercados domésticos em grande parte da rede latino-americana do grupo. A operadora movimentou 7,44 milhões de passageiros durante o mês, alta de 5,5% em relação ao ano anterior, enquanto o tráfego do primeiro trimestre atingiu 21,8 milhões de passageiros, representando um crescimento de 7% frente ao mesmo período de 2025.
Além dos números gerais, os resultados mais recentes de tráfego da CAAP oferecem uma visão reveladora de como os padrões de conectividade aérea continuam evoluindo na América Latina: maior demanda transfronteiriça, crescente relevância de hubs secundários, expansão das operações low-cost e mercados domésticos cada vez mais seletivos.
Para um grupo que opera aeroportos na Argentina, Brasil, Uruguai e Equador — além de ativos na Itália e Armênia — os números de março mostram como a conectividade regional e internacional está se tornando cada vez mais central nas estratégias de crescimento de tráfego.
O tráfego internacional continua superando a demanda doméstica
O principal destaque dos resultados da CAAP em março permanece sendo o aumento da diferença entre o desempenho do tráfego internacional e do mercado doméstico.
O tráfego internacional de passageiros cresceu 12,2% em relação ao ano anterior em toda a rede do grupo, enquanto o tráfego doméstico caiu 2,4%. Os passageiros em trânsito também registraram forte crescimento de 25,6%, refletindo o fortalecimento dos fluxos de conexão em diversos aeroportos do portfólio.
Essa dinâmica ficou especialmente visível na América Latina.
A Argentina, ainda o maior mercado operacional da CAAP, registrou crescimento de 15,6% no tráfego internacional apesar da queda de 4,3% nos passageiros domésticos. Mesmo assim, o tráfego total avançou 2,7% em relação ao ano anterior, impulsionado pela forte demanda regional e internacional. Segundo a empresa, operadores low-cost e regionais como JetSMART, Flybondi, Copa, Arajet e LEVEL contribuíram para esse ambiente de crescimento internacional. Rio de Janeiro, Santiago e São Paulo estiveram entre os destinos internacionais com melhor desempenho durante o mês.
Os números mostram como a conectividade regional sul-americana continua se recuperando mais rapidamente do que alguns segmentos domésticos, especialmente nos corredores de lazer e VFR (visiting friends and relatives) entre Argentina, Brasil e Chile.
Um padrão semelhante apareceu no Equador, onde o tráfego internacional cresceu 13,7% apesar das persistentes preocupações de segurança no país. A CAAP destacou especificamente o forte desempenho das rotas europeias, enquanto as tarifas aéreas elevadas continuam pressionando a demanda doméstica.
O Uruguai também permaneceu fortemente impulsionado pelos fluxos internacionais. O tráfego de passageiros aumentou 7,6% em relação ao ano anterior após uma forte temporada de verão sustentada por frequências adicionais e rotas temporárias. Entre os destaques apontados pela CAAP esteve o lançamento da rota Montevidéu–Belo Horizonte pela Azul, operando duas frequências semanais — mais um exemplo da expansão gradual de rotas regionais secundárias pela América do Sul.
Os hubs secundários continuam fortalecendo seu papel
Uma das tendências mais relevantes visíveis nos dados da CAAP de março é a crescente importância dos hubs secundários e dos modelos descentralizados de conectividade na América Latina.
No Brasil, Brasília registrou crescimento total de passageiros de 12,2%, enquanto o tráfego em conexão disparou 29,9% em relação ao ano anterior. A CAAP associou parte desse desempenho à recuperação da demanda corporativa após o Carnaval, mas os números também reforçam o papel crescente de Brasília como plataforma de conexão doméstica além dos tradicionais gateways costeiros do país.
Na Argentina, Córdoba apresentou alguns dos números de crescimento mais fortes da rede:
- +21,1% no tráfego total de passageiros;
- +64,8% no tráfego internacional;
- +14,9% nos movimentos de aeronaves.
O aeroporto continua se posicionando como uma alternativa internacional cada vez mais forte além de Buenos Aires, refletindo uma tendência regional mais ampla em que as companhias aéreas diversificam capacidade em direção a mercados metropolitanos secundários.
Até mesmo as recentes adições de rotas em Montevidéu seguem essa mesma lógica. Em vez de depender exclusivamente de grandes hubs continentais, as companhias aéreas da região continuam explorando serviços internacionais ponto a ponto mais enxutos, capazes de sustentar fluxos turísticos, tráfego de diáspora e viagens corporativas regionais.
Os mercados domésticos permanecem mais irregulares
Enquanto o tráfego internacional permaneceu robusto em grande parte da rede, os mercados domésticos apresentaram desempenho mais fragmentado.
Na Argentina, a CAAP atribuiu a desaceleração doméstica principalmente às reduções de capacidade da Aerolíneas Argentinas e da Flybondi, parcialmente compensadas pelo aumento das operações da JetSMART.
Diversos aeroportos domésticos argentinos registraram quedas em março, incluindo Iguazú (-11,8%), Jujuy (-23,5%) e Río Gallegos (-28,2%).
Os números destacam uma realidade operacional mais ampla em vários mercados latino-americanos: a recuperação doméstica já não avança de forma uniforme. Alocação de frota, gestão de yield, custos operacionais e sensibilidade tarifária estão influenciando cada vez mais onde a capacidade é implantada.
O Brasil apresentou um ambiente doméstico relativamente mais estável, enquanto o mercado doméstico equatoriano continuou enfrentando pressão devido às tarifas elevadas, apesar do crescimento positivo do tráfego total.
Carga e operações mostram um ambiente mais misto
O crescimento de passageiros em toda a rede não foi totalmente acompanhado pelo desempenho do segmento de carga
Excluindo a Argentina, os volumes de carga cresceram 3,5% em relação ao ano anterior, embora o desempenho tenha variado significativamente entre os países. Armênia e Brasil registraram forte crescimento de dois dígitos, enquanto Itália, Uruguai e Equador apresentaram retrações.
Os movimentos de aeronaves em toda a rede aumentaram 3,3%, com Argentina, Brasil e Itália representando mais de 80% do total de operações durante março.
Um portfólio cada vez mais moldado pela conectividade transfronteiriça
Os resultados de tráfego da CAAP em março de 2026 mostram, em última análise, como a conectividade internacional e regional está se tornando cada vez mais central para o crescimento da carteira de aeroportos do grupo.
Enquanto os mercados domésticos permanecem expostos à reestruturação das companhias aéreas, pressão tarifária e condições econômicas locais, a demanda transfronteiriça continua sustentando a expansão do tráfego em diversas operações latino-americanas.
Os números de março também sugerem que o mapa de conectividade da região continua evoluindo além dos tradicionais gateways primários. Hubs secundários, rotas internacionais regionais e expansão das redes low-cost estão desempenhando um papel cada vez maior na definição dos fluxos de tráfego dentro do portfólio da CAAP — especialmente em um cenário de aviação sul-americana cada vez mais diversificado.



