Da conectividade ao capital: o que será necessário para transformar as oportunidades do Caribe em investimentos?

Enquanto o Caribbean Investment Forum 2026 se prepara para retornar a Barbados, uma questão central emerge para a região: não se existem oportunidades de investimento, mas se o Caribe consegue alcançar a escala, desenvolver a infraestrutura e estruturar os projetos prontos para investimento necessários para competir por um capital global cada vez mais seletivo.

BRIDGETOWN, BARBADOS — O cenário de investimentos no Caribe não carece de necessidades de infraestrutura, ideias empreendedoras ou setores com potencial de crescimento. O que a região ainda enfrenta dificuldades para fazer de forma consistente é transformar esse potencial em projetos estruturados para atrair capital — e, em seguida, converter esse capital em execução.

Essa distinção surgiu como uma das mensagens mais fortes do lançamento do Caribbean Investment Forum (CIF) 2026, em Barbados.

“O Caribe não tem um déficit de oportunidades. O desafio está em seu ecossistema”, afirmou Dr. Isaac Solomon, Vice-President of Operations do Caribbean Development Bank, aos participantes durante o Capital Forum.

Para os atores dos setores de aviação, marítimo e logístico, essa distinção é importante.

Logistics & Transportation é um dos quatro setores prioritários de investimento definidos para o CIF 2026, ao lado de Sustainable Agriculture, Green Economy Transition e Digital Transformation. Seu escopo inclui logística do comércio regional, infraestrutura de transporte e conectividade interilhas, abrangendo desde serviços de carga aérea e marítima até armazenagem, gestão de frotas e mobilidade sustentável.

O transporte ocupa, portanto, uma posição particular na agenda de investimentos: é, ao mesmo tempo, um setor que necessita de capital e um facilitador do crescimento de toda a economia.

A conectividade faz parte da proposta de investimento

Para as empresas do Caribe que buscam crescer além de seus mercados domésticos, a conectividade influencia o fluxo de mercadorias, os custos, os prazos de entrega e o acesso aos clientes. Para investidores internacionais que avaliam a região, a eficiência da infraestrutura de transporte e comércio pode, portanto, influenciar diretamente a viabilidade de um investimento.

Senator the Honourable Christopher Sinclair, Senior Minister of Foreign Affairs and Foreign Trade of Barbados, estabeleceu explicitamente essa relação durante o lançamento do CIF.

Senator the Honourable Christopher Sinclair, Senior Minister of Foreign Affairs and Foreign Trade of Barbados

Senator the Honourable Christopher Sinclair, Senior Minister of Foreign Affairs and Foreign Trade of Barbados, durante o lançamento do Caribbean Investment Forum 2026.

Ao apresentar a estratégia de Barbados para ampliar sua preparação para investimentos, ele destacou um investimento de BDS$ 213,5 milhões no Bridgetown Port, argumentando que as ambições de comércio regional não podem ser concretizadas sem portos eficientes e sistemas comerciais capazes de movimentar mercadorias dentro do Caribe e para os mercados internacionais.

A questão mais ampla, porém, vai além de Barbados.

Para que as empresas do Caribe possam atender aos mercados regionais e internacionais, a capacidade de movimentar mercadorias, serviços e pessoas de forma eficiente entre os territórios torna-se parte da competitividade da região. Investir em conectividade, portanto, vai além de uma questão específica do setor de transportes: fortalece a proposta mais ampla de investimento do Caribe.

Há capital disponível. O desafio continua sendo estruturar projetos investíveis

As discussões do CIF também questionaram a ideia de que o principal problema de investimento do Caribe seja simplesmente a falta de financiamento.

Caribbean Export informou que atualmente possui um portfólio de 30 projetos prontos para investimento, avaliados em aproximadamente US$ 172 milhões. O CIF 2026 pretende levar essa abordagem adiante por meio de apresentações de projetos, reuniões business-to-business direcionadas e sessões práticas destinadas a ajudar empresas e proponentes de projetos a compreender o que é necessário para atrair investimentos.

O programa de 2026 tem como foco projetos em estágio avançado que necessitem de mais de US$ 3 milhões em capital, apresentem viabilidade comercial, impacto nacional ou regional mensurável e potencial de expansão.

Mas um setor atrativo ou uma necessidade claramente identificada não se transforma automaticamente em um projeto investível.

Durante o Capital Forum, os participantes destacaram repetidamente fatores como governança, capacidade de gestão, fundamentos financeiros, preparação técnica, potencial de mercado e uma compreensão clara do tipo de capital buscado.

Cheryl Senhouse, Finance Innovation Director do Caribbean Climate Smart Accelerator, ilustrou o problema a partir da própria experiência da organização.

Após organizar uma série de fóruns com investidores, o Accelerator constatou que alguns projetos chegavam aos investidores sem estarem necessariamente prontos para receber investimentos. Mesmo investidores internacionais dispostos a fornecer capital paciente em estágios iniciais não estavam preparados para alocar recursos em alguns dos projetos apresentados.

Posteriormente, a organização utilizou capital filantrópico para apoiar a preparação dos projetos, trabalhando com uma incubadora na Jamaica para conduzir 12 projetos pelo programa.

A lição é particularmente relevante para os setores de transporte e infraestrutura: identificar uma necessidade regional é apenas o começo. Os projetos também precisam demonstrar as estruturas, a governança, a capacidade e os fundamentos financeiros necessários para estabelecer um diálogo confiável com investidores.

Ganhar escala exige uma visão regional

Outra questão é ainda mais profunda: a escala.

Os mercados individuais do Caribe são pequenos, e a capacidade de empresas e projetos se expandirem para além das fronteiras nacionais ocupou um lugar de destaque nas discussões.

Senator Christopher Sinclair argumentou que a região não deveria ser vista simplesmente como uma série de jurisdições desconectadas, mas como um espaço de investimento no qual capital, competências, mercadorias e serviços possam circular de forma mais eficiente.

Dr. Isaac Solomon levou esse argumento adiante, desafiando os participantes a desenvolver projetos genuinamente regionais, em vez de implementar separadamente projetos semelhantes em diferentes países e classificá-los como regionais.

“Temos oportunidades demais para não desenvolver projetos regionais na escala necessária para atrair investidores privados”, afirmou.

Para o setor de transportes, essa lógica é particularmente relevante.

As redes aéreas e marítimas são, por natureza, transfronteiriças, assim como muitas das cadeias de suprimentos que elas sustentam. Pensar o investimento em escala regional pode, portanto, criar oportunidades difíceis de estruturar dentro dos limites de mercados nacionais individuais.

Mas alcançar essa escala expõe outra limitação histórica do Caribe: a fragmentação.

Projetos regionais exigem maior harmonização

Russell Franklin, Operations and Financial Coordinator da Compete Caribbean, representando o Inter-American Development Bank, identificou a harmonização como uma das condições necessárias para o desenvolvimento de projetos regionais.

Ele citou legislação, processos de contratação, qualidade e normas, argumentando que abordagens regionais poderiam reduzir os custos de transação em comparação com a execução separada de operações semelhantes em nível nacional.

Senator Christopher Sinclair também apontou a rigidez institucional como uma limitação do ambiente de investimentos no Caribe, mencionando procedimentos aduaneiros, facilitação das importações, política tributária, transporte, setor bancário, acesso a financiamento e flexibilidade do mercado de trabalho.

Para os atores dos setores de aviação, marítimo e logístico, essa distinção é importante.

A conectividade física entre os territórios é apenas uma dimensão da integração regional. As regras e os sistemas administrativos que regem a circulação de mercadorias, serviços, competências e capital também influenciam a capacidade de empresas e projetos operarem em vários mercados do Caribe.

O desafio, portanto, não se limita à construção de infraestrutura. Ele também envolve o ambiente institucional que a cerca.

O financiamento para o desenvolvimento pode ajudar a mobilizar capital privado

As instituições de financiamento ao desenvolvimento consideram cada vez mais que seu papel não consiste apenas em fornecer capital, mas também em fortalecer as condições que permitem a participação de outras fontes de financiamento.

Dr. Isaac Solomon descreveu o capital de desenvolvimento como um instrumento para melhorar o ambiente favorável aos investimentos, ampliar o acesso a financiamento, desenvolver empresas e projetos prontos para receber investimentos e mobilizar volumes maiores de capital privado e institucional.

O financiamento comercial é uma parte importante dessa equação.

Garvin Joefield, Economist da Republic Financial Holdings, apresentou vários exemplos da demanda por financiamento na região.

A Republic Financial Holdings comprometeu US$ 200 milhões em novos empréstimos voltados à sustentabilidade em todo o grupo em 2021, com a intenção de alocar esse montante ao longo de cinco anos. Segundo Garvin Joefield, aproximadamente US$ 235 milhões haviam sido desembolsados até o quinto ano.

Um programa de financiamento para PMEs, iniciado com US$ 20 milhões, esgotou seus recursos em apenas três semanas e foi posteriormente ampliado para US$ 150 milhões, dos quais pouco menos de US$ 120 milhões haviam sido desembolsados no momento do lançamento do CIF.

Esses números não significam que o financiamento esteja facilmente disponível para todas as empresas do Caribe. No entanto, reforçam uma mensagem central das discussões: o desafio não consiste simplesmente em encontrar capital, mas em criar projetos e empresas capazes de absorvê-lo.

Além do fórum de investimentos

Esse poderá ser, em última análise, um dos testes mais importantes para o CIF 2026.

A Caribbean Export pretende ir além de um evento concentrado principalmente na apresentação de oportunidades e transformar o CIF em uma plataforma regional mais ampla de promoção de investimentos, capaz de identificar projetos em fases mais iniciais, reforçar sua preparação e manter o relacionamento para além dos três dias do fórum.

Cheryl Senhouse também destacou a importância do que acontece depois de uma reunião com um investidor. Uma vez preparado o projeto, o próximo desafio é conectá-lo a potenciais investidores e dar continuidade a essas conversas.

O lançamento apresentou um exemplo concreto.

Um líder empresarial relatou como uma conexão estabelecida durante o CIF 2025, na Jamaica, evoluiu posteriormente para uma joint venture voltada ao fornecimento de serviços tecnológicos e à expansão para a Guiana e o Suriname.

Essa distinção — entre promover um encontro e transformá-lo em uma relação de negócios — pode, em última análise, representar uma medida de sucesso mais significativa do que apenas os números de participação.

O transporte como multiplicador de investimentos

O CIF 2026 será realizado em Barbados de 5 a 7 de outubro, reunindo governos, instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento, investidores e empresas.

Para os atores dos setores de aviação, marítimo e logístico, sua importância vai além dos projetos de transporte que poderão ser apresentados.

Portos eficientes facilitam o comércio. A aviação conecta as economias do Caribe entre si e aos mercados externos. Os sistemas logísticos sustentam o fluxo de mercadorias ao longo das cadeias de suprimentos. No entanto, cada um desses sistemas também necessita de capital para se expandir, modernizar e se tornar mais eficiente.

Isso cria uma relação potencialmente poderosa: o capital pode fortalecer a conectividade, enquanto uma conectividade mais robusta pode melhorar as condições nas quais as empresas comercializam, expandem suas atividades e atraem investimentos.

As discussões em Barbados apontam para o que é necessário para que essa relação funcione: melhor preparação dos projetos, estruturas de financiamento adequadas, instituições capazes, maior escala regional e avanços no enfrentamento da fragmentação regulatória e operacional que continua caracterizando o mercado do Caribe.

Não são as oportunidades que faltam à região.

A tarefa mais difícil é torná-las investíveis.

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