Capacidade continua crescendo enquanto a demanda aérea na América Latina e no Caribe entra em queda

LAC

A demanda de passageiros na América Latina e no Caribe (LAC) enfraqueceu em junho, mesmo com as companhias aéreas continuando a ampliar a capacidade, criando uma diferença significativa entre a evolução do tráfego e a oferta. A divergência foi mais acentuada no mercado intrarregional, onde a capacidade aumentou apesar da queda da demanda e de uma forte redução na taxa de ocupação.

Capacidade aumenta enquanto a demanda se contrai

Os passageiros-quilômetros pagos (RPKs) na América Latina e no Caribe (LAC) recuaram 1,0% em relação ao ano anterior em junho de 2026, enquanto os assentos-quilômetros disponíveis (ASKs) aumentaram 0,9%. Como consequência, a taxa média de ocupação da região caiu 1,6 ponto percentual, para 81,6%, segundo o relatório mais recente de tráfego da Latin American and Caribbean Air Transport Association (ALTA).

O volume de passageiros seguiu a mesma tendência. As companhias aéreas transportaram 37,3 milhões de passageiros para, a partir de e dentro da região durante o mês, uma queda de 2,3% em relação a junho de 2025, equivalente a aproximadamente 893 mil passageiros a menos. Foi a primeira contração mensal do tráfego em termos anuais na região desde 2021.

O resultado ocorre após uma clara perda de ritmo depois de um início de ano forte. O tráfego de passageiros cresceu 6,2% em janeiro, 6,6% em fevereiro e 6,0% em março, antes de desacelerar para 1,0% em abril, recuperar-se para 2,7% em maio e entrar em território negativo em junho.

O panorama mais amplo do primeiro semestre, no entanto, continua positivo. Entre janeiro e junho, a região LAC movimentou 242,8 milhões de passageiros, 3,4% a mais do que no mesmo período de 2025.

Junho representa, portanto, um sinal de alerta, e não, pelo menos neste momento, uma evidência de reversão estrutural da demanda regional.

Tráfego intrarregional apresenta a maior divergência

A diferença mais significativa entre capacidade e demanda foi observada no tráfego internacional dentro da América Latina e do Caribe (LAC).

O volume de passageiros intrarregionais caiu 3,0% em junho, para aproximadamente 4,24 milhões de passageiros. Os RPKs recuaram 2,8%, enquanto os ASKs aumentaram 4,4%. A taxa de ocupação do segmento caiu de 76,9% para 71,6%, uma deterioração de 5,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

A diferença foi consideravelmente menor nos demais segmentos.

Nos mercados domésticos, os RPKs diminuíram 1,9%, enquanto a capacidade aumentou 0,9%, levando a taxa de ocupação a cair 2,3 pontos, para 78,6%. O tráfego internacional extrarregional mostrou maior resiliência, com os RPKs recuando apenas 0,4%, a capacidade crescendo 0,2% e a taxa de ocupação diminuindo 0,5 ponto, para 84,8%.

O desempenho intrarregional de junho chama ainda mais atenção quando comparado ao primeiro semestre como um todo. Entre janeiro e junho, o tráfego de passageiros intrarregional permaneceu 6,6% acima dos níveis de 2025, os RPKs aumentaram 10,5%, os ASKs cresceram 7,3% e a taxa de ocupação avançou 2,3 pontos percentuais, para 80,4%.

Para companhias aéreas, aeroportos e equipes de desenvolvimento de rotas, a questão central é, portanto, saber se junho representou uma correção de curto prazo após vários meses de expansão ou o início de uma moderação mais prolongada da demanda.

Grandes mercados perdem força

O resultado regional foi reforçado pela desaceleração simultânea dos maiores mercados aéreos da região.

Brasil, México e Colômbia, que juntos representaram quase 65% do tráfego regional de passageiros, registraram quedas em relação ao ano anterior em junho. Combinados, transportaram 517 mil passageiros a menos do que no mesmo mês de 2025.

Variação líquida do tráfego aéreo por país – junho de 2026 (passageiros adicionais ou perdidos) – Fonte: ALTA

O México movimentou 9,5 milhões de passageiros, queda de 3,0%, marcando o quarto mês consecutivo de contração. A Colômbia transportou 4,69 milhões de passageiros, recuo de 2,7%, registrando seu primeiro mês negativo de 2026. O Brasil, maior mercado da região, movimentou 10,29 milhões de passageiros, queda de 0,9%, encerrando uma sequência de mais de vinte meses consecutivos de crescimento.

A Colômbia oferece um exemplo particularmente claro da tensão entre capacidade e demanda. O tráfego doméstico de passageiros caiu 1,7%, mesmo com a capacidade doméstica aumentando 5,9%. Ao mesmo tempo, quatro importantes corredores domésticos registraram retração: Bogotá–Medellín, 8,3%; Bogotá–Cali, 12,2%; Bogotá–Cartagena, 6,6%; e Cartagena–Medellín, 12,2%.

A Argentina apresenta uma configuração diferente. O tráfego total caiu 10,1%, impulsionado principalmente por uma queda de 17,0% no número de passageiros domésticos. As companhias aéreas já haviam reduzido a oferta doméstica de assentos em 8,3% e o número de voos em 10,3%, mas a demanda de passageiros caiu mais rapidamente do que o ajuste de capacidade.

A conectividade regional torna-se mais desigual

A queda agregada não significa que todos os corredores intrarregionais estejam enfraquecendo.

O tráfego entre Argentina e Brasil, o maior mercado intrarregional entre dois países em volume, caiu 7,5% em junho. Brasil–Chile recuou 8,6%, enquanto Argentina–Chile registrou contração de 13,3%.

Outros mercados continuaram crescendo. Colômbia–República Dominicana avançou 17,6%, México–Panamá cresceu 15,9%, enquanto Colômbia–México permaneceu ligeiramente positivo, com alta de 0,5%.

Principais mercados intrarregionais de passageiros (top 10 de pares de países) e crescimento anual – junho de 2026 – Fonte: ALTA

Os números de junho apontam, portanto, menos para um recuo generalizado da conectividade intrarregional e mais para desempenhos cada vez mais distintos entre mercados e corredores específicos.

Essa diferença é relevante para o planejamento de malha. Uma desaceleração regional agregada pode esconder rotas nas quais a demanda continua forte o suficiente para sustentar frequências adicionais ou novos serviços, enquanto outros mercados podem exigir uma gestão mais cuidadosa da capacidade.

A expansão das malhas continua

O ambiente de tráfego mais fraco não impediu as companhias aéreas de abrir novas conexões.

A ALTA identificou 33 rotas que iniciaram operações regulares em junho após não terem registrado serviço regular em 2025. O México respondeu por 24 das 33 rotas, todas operadas a partir de aeroportos diferentes do Mexico City International Airport. Puebla adicionou dez rotas e Querétaro, seis.

A conectividade de longo curso também se expandiu com o lançamento das rotas Barcelona–Lima e Bruxelas–São Paulo, enquanto os novos serviços intrarregionais incluíram Guatemala City–Medellín, Montego Bay–Medellín e Cap-Haïtien–Punta Cana.

A continuidade da entrada de nova capacidade torna a evolução da demanda e das taxas de ocupação especialmente importante durante o segundo semestre do ano. Se a demanda mais fraca persistir, o desempenho das novas frequências e rotas passará a ser um indicador cada vez mais relevante tanto para as companhias aéreas quanto para os aeroportos.

As pressões de custos acrescentam outra dimensão a essa equação. A ALTA reportou um preço médio regional do combustível de aviação de US$ 3,92 por galão na semana encerrada em 31 de julho, 77,3% acima da média de 2025. O combustível representou quase 30% dos custos operacionais das companhias aéreas da região em 2025.

O mês de junho, isoladamente, não é suficiente para caracterizar um desequilíbrio estrutural entre capacidade e demanda na aviação da América Latina e do Caribe (LAC). Mas a combinação de demanda mais fraca, crescimento contínuo da capacidade e queda das taxas de ocupação — particularmente no mercado intrarregional — oferece às companhias aéreas, aeroportos e equipes de desenvolvimento de rotas um conjunto claro de indicadores a acompanhar durante o segundo semestre de 2026.


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