A Lima Airport Partners (LAP) lançou uma licitação internacional para o desenvolvimento de um terminal de aviação privada no antigo Aeroporto Internacional Jorge Chávez, marcando uma nova etapa na estratégia de expansão do aeroporto. Com um investimento estimado em US$ 10 milhões, o projeto visa posicionar Lima como um hub competitivo para a aviação executiva, corporativa e privada, ao mesmo tempo em que desbloqueia valor adicional de infraestruturas existentes.
Para além da construção de um terminal do tipo Fixed Base Operator (FBO), a iniciativa reflete uma mudança mais ampla na forma como os aeroportos redefinem seus modelos de negócio — combinando serviços premium de aviação com estratégias de crescimento baseadas em real estate.
A aviação privada como segmento estratégico para hubs regionais
A decisão de investir em um terminal dedicado de FBO está alinhada com o crescimento sustentado da aviação privada e corporativa na América Latina. Antes considerada um nicho, a aviação privada tornou-se um segmento estratégico para aeroportos que buscam diversificar receitas e atrair fluxos de alto valor.
Diferentemente da aviação comercial, esse segmento exige infraestrutura especializada, serviços personalizados e capacidades integradas de handling de aeronaves. A futura instalação, com cerca de 2.000 metros quadrados, incluirá áreas de processamento de passageiros, hangares, estacionamentos, escritórios corporativos e espaços para reuniões de negócios — projetados para atender padrões internacionais e atrair operadores globais.
Como destacou Paola Loayza, Real Estate Business Manager da LAP, o projeto busca “reforçar a visão de longo prazo [da LAP] de consolidar Lima como um hub regional de aviação privada, executiva e corporativa”, evidenciando a crescente importância da mobilidade aérea premium nas estratégias globais de conectividade.
De terminal legado a ativo gerador de valor
O projeto do FBO não é um desenvolvimento isolado. Ele faz parte de um plano mais amplo de requalificação do antigo terminal Faucett, que encerrou suas operações em maio de 2025 após a inauguração do novo Aeroporto Jorge Chávez.
Em vez de manter essa infraestrutura subutilizada, a LAP busca reposicioná-la como um ativo multifuncional. Além do terminal de aviação privada, estão sendo avaliados projetos complementares, como um centro logístico, áreas comerciais e um centro de convenções.
Essa abordagem reflete uma tendência global do setor: os aeroportos evoluem cada vez mais para zonas econômicas integradas, frequentemente denominadas “airport cities”. Ao combinar atividades aeronáuticas e não aeronáuticas, os operadores conseguem otimizar o uso do solo, diversificar receitas e criar novos ecossistemas de investimento ao redor da infraestrutura aeroportuária.
Reforçando o posicionamento competitivo de Lima na região
O desenvolvimento de um terminal dedicado à aviação privada também responde à intensificação da concorrência entre hubs regionais. Vários aeroportos na América Latina já oferecem infraestruturas especializadas para aviação de negócios, posicionando-se como portas de entrada para o tráfego corporativo internacional.
Nesse contexto, a estratégia de Lima é dupla: reforçar sua conectividade com grandes centros financeiros globais e aumentar sua atratividade para passageiros e operadores de alto valor. Ao integrar a aviação privada em seu plano de desenvolvimento de longo prazo, a Lima Airport Partners (LAP) se alinha aos modelos globais de hubs, nos quais serviços premium desempenham um papel central na competitividade.
O projeto também apoia a ambição do Peru de fortalecer sua posição nas redes regionais e internacionais de transporte aéreo, combinando modernização de infraestrutura com oferta de serviços direcionados.
Uma estratégia dual que redefine o modelo aeroportuário
A licitação do FBO ilustra como os aeroportos passam a combinar especialização em aviação com desenvolvimento imobiliário para sustentar o crescimento de longo prazo. Em Lima, essa estratégia dual — centrada na aviação privada e na valorização de ativos — sinaliza a transição para um modelo aeroportuário mais diversificado e resiliente.
À medida que a demanda global evolui e a concorrência se intensifica, abordagens integradas como essa tendem a se tornar um elemento-chave dos hubs de nova geração, especialmente em mercados emergentes que buscam captar novos fluxos de capital, viagens de negócios e investimentos.



