Os portos da América Latina registraram volumes históricos de carga em 2025, refletindo uma transformação mais ampla nos padrões do comércio global. Expansões de capacidade, conexões marítimas mais fortes entre Ásia e Américas e a reconfiguração das cadeias de suprimentos estão impulsionando um crescimento sustentado em alguns dos principais gateways marítimos da região.
Terminais operados pela DP World em toda a América Latina registraram níveis recordes de movimentação ao longo do ano, destacando o papel cada vez mais relevante da região no comércio marítimo global, à medida que empresas ajustam suas redes de produção e estratégias de distribuição em todo o continente americano.
O aumento dos volumes de carga reflete uma combinação de investimentos em infraestrutura, escalas de navios cada vez maiores e o crescimento de fluxos logísticos impulsionados pelo nearshoring, conectando centros industriais da América Latina a mercados da América do Norte e de outras regiões.
Volumes recordes de carga nos principais portos da região
Diversos dos principais portos da região alcançaram recordes de movimentação de contêineres em 2025, evidenciando o fortalecimento da posição da América Latina nas redes globais de transporte marítimo.
No Port of Santos, um dos mais importantes gateways marítimos do continente, o terminal operado pela DP World movimentou um recorde de 1,3 milhão de TEUs (twenty-foot equivalent units), superando o recorde anterior de 1,25 milhão de TEUs registrado em 2024. O terminal também movimentou 5 milhões de toneladas de exportações de celulose, refletindo a forte demanda internacional por produtos da indústria de papel e celulose.
No Caribe, o Port of Caucedo continuou a fortalecer sua posição como um importante hub logístico regional. A movimentação alcançou 1,76 milhão de TEUs, impulsionada pelo crescimento das operações de transbordo e pela ampliação dos serviços marítimos conectando a América do Norte e a América do Sul.
Na costa do Pacífico, o Port of Callao atingiu um marco histórico ao superar 2 milhões de TEUs pela primeira vez. O terminal tornou-se o primeiro da costa oeste da América do Sul a ultrapassar esse limite, após a conclusão de importantes projetos de modernização de infraestrutura.
O Chile também registrou seu melhor desempenho até o momento, com volumes recordes tanto no Port of San Antonio quanto no Port of Lirquén. Em San Antonio, a movimentação alcançou 835.900 TEUs, representando um aumento de 18% em relação ao ano anterior, apoiado pela melhoria da conectividade marítima com a Ásia e pela maior produtividade nos berços de atracação.
Investimentos em infraestrutura impulsionam o crescimento
O forte desempenho dos portos da região reflete anos de investimentos contínuos em infraestrutura marítima e capacidade logística.
Em Santos, projetos de expansão em andamento estão aumentando gradualmente a capacidade do terminal para cerca de 1,7 milhão de TEUs, com planos de desenvolvimento de longo prazo visando 2,1 milhões de TEUs. Essas melhorias permitem que o porto receba navios porta-contêineres maiores e movimentações de carga mais elevadas, à medida que as grandes companhias marítimas passam a utilizar embarcações cada vez maiores nas principais rotas comerciais.
No Peru, a expansão do Bicentennial Pier em Callao aumentou significativamente a capacidade de atracação e a eficiência operacional. A nova infraestrutura permite que o terminal receba embarcações maiores e volumes mais elevados de carga, apoiando o crescimento do setor exportador peruano.
De forma semelhante, os investimentos contínuos em Caucedo — incluindo um programa de expansão de US$ 760 milhões que abrange tanto a infraestrutura portuária quanto a zona econômica ao redor do porto — estão reforçando o papel da República Dominicana como um hub estratégico de produção e distribuição para o comércio regional.
Nearshoring transforma cadeias globais de suprimentos
O crescimento dos volumes de contêineres também reflete mudanças estruturais nas cadeias globais de suprimentos.
À medida que as empresas buscam reduzir riscos logísticos e encurtar prazos de entrega, muitos fabricantes estão transferindo parte da produção para regiões mais próximas dos principais mercados consumidores, especialmente os Estados Unidos. Essa tendência, amplamente conhecida como nearshoring, está fortalecendo os fluxos comerciais dentro das Américas e aumentando a demanda por redes logísticas regionais mais eficientes.
A América Latina e o Caribe estão emergindo como importantes beneficiários dessa transformação. Portos como Caucedo e Santos estão lidando cada vez mais com cargas vinculadas às cadeias industriais, incluindo bens intermediários e componentes que circulam entre centros de produção e mercados consumidores.
Segundo executivos do setor, a evolução das redes globais de transporte marítimo também está concentrando o tráfego em menos portos, porém mais eficientes, capazes de receber navios maiores e volumes mais elevados de carga.
A ascensão de redes logísticas integradas
Além das operações portuárias, operadores logísticos globais estão expandindo cada vez mais sua presença em toda a cadeia de suprimentos.
No Brasil, a DP World recentemente fortaleceu suas capacidades logísticas terrestres por meio de um novo acordo de gestão de armazéns com a Suzano, uma das maiores empresas de papel e celulose do mundo.
A parceria inclui a operação de uma instalação logística de 5.000 metros quadrados, integrada à fábrica de tissue da Suzano no estado do Espírito Santo. A unidade apoia operações de logística de entrada, gestão de estoques, abastecimento das linhas de produção e distribuição de produtos acabados para grandes mercados consumidores em todo o Brasil.
O acordo reflete uma mudança mais ampla no setor logístico em direção a soluções integradas de cadeia de suprimentos, combinando operações portuárias, armazenagem, freight forwarding e redes de distribuição terrestre.
O papel crescente da América Latina no comércio global
Os volumes recordes de carga registrados em 2025 destacam a crescente importância da América Latina no comércio marítimo internacional.
Com a expansão das infraestruturas portuárias, o crescimento da atividade industrial e uma maior integração nas cadeias globais de suprimentos, os principais portos da região estão se tornando nós logísticos cada vez mais estratégicos, conectando Ásia, Américas e Europa.
À medida que os investimentos continuam e os fluxos comerciais evoluem, portos como Santos, Callao e Caucedo deverão desempenhar um papel ainda mais relevante na configuração do futuro do comércio internacional no hemisfério.



