A reforma tributária brasileira pode elevar as tarifas aéreas domésticas em 16,1% e reduzir a demanda de passageiros em 21,1%, segundo um estudo de 2026 da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA). As projeções da associação destacam possíveis consequências para a conectividade aérea, a capacidade das companhias aéreas e o turismo em um cenário tributário modelado.
O estudo, publicado no site da ALTA em 28 de agosto de 2026 , examina os possíveis efeitos da reforma tributária brasileira prevista na Lei Complementar nº 214/2025. A análise utiliza uma alíquota de referência de 26,5% para os novos tributos sobre o consumo, CBS e IBS. A Receita Federal do Brasil identifica 2026 como um ano de testes, com a transição para o novo sistema tributário prevista para ser concluída em 2033.
Tarifas aéreas mais altas podem reduzir a demanda de passageiros
A ALTA estima que as tarifas aéreas domésticas no Brasil podem aumentar 16,1% em seu cenário tributário central. A associação projeta uma queda correspondente de 21,1% na demanda de passageiros em voos domésticos, equivalente a aproximadamente 20 milhões de viagens de passageiros a menos por ano.
O estudo compara uma carga tributária setorial efetiva estimada em aproximadamente 9% antes da reforma com uma alíquota de referência de 26,5% para CBS e IBS. O percentual de 9% constitui uma premissa de modelagem, e não um imposto específico anteriormente cobrado sobre passagens aéreas domésticas.
Para passagens internacionais de ida e volta vendidas no Brasil , a ALTA estima um aumento de 13,3% nas tarifas e uma redução de 17,8% na demanda de passageiros. O cenário internacional pressupõe que a alíquota tributária de referência seja aplicada à parcela da viagem com origem no Brasil, correspondente à metade do preço total da passagem. A queda projetada equivale a aproximadamente cinco milhões de viagens de passageiros a menos por ano.
Conectividade aérea do Brasil pode enfrentar pressões
A ALTA alerta que uma demanda menor por transporte aéreo no Brasil pode reduzir as taxas de ocupação das aeronaves, provocar ajustes de capacidade e desacelerar a expansão das malhas aéreas. O estudo também destaca as restrições financeiras enfrentadas pelas companhias aéreas brasileiras, que acumularam aproximadamente R$ 55 bilhões em prejuízos líquidos entre 2015 e o terceiro trimestre de 2025. Esses prejuízos históricos refletem diversos fatores e não são atribuídos à reforma tributária.
A possível perturbação ocorre em um momento em que o mercado de aviação brasileiro continua em expansão. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil, o tráfego doméstico alcançou 59,38 milhões de passageiros entre janeiro e julho de 2026, um crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O tráfego internacional aumentou 8,2%, chegando a 17,79 milhões de passageiros no mesmo intervalo.
As projeções da ALTA, portanto, descrevem possíveis pressões futuras sobre um mercado em crescimento, e não uma queda já registrada no tráfego aéreo brasileiro.
Turismo pode enfrentar efeitos econômicos de longo prazo
A ALTA estima que a contribuição do setor de Viagens e Turismo para o PIB brasileiro pode ficar aproximadamente US$ 7,7 bilhões abaixo do cenário de referência de crescimento em 2036. A associação também projeta cerca de 360 mil empregos a menos sustentados pelo turismo, o equivalente a quase um quarto dos empregos adicionais esperados no cenário de referência.
Esses números representam diferenças entre cenários modelados, e não perdas de empregos já observadas ou perdas econômicas acumuladas entre 2026 e 2036. As estimativas pressupõem que a redução da demanda por transporte aéreo se traduza proporcionalmente em menor atividade turística, antes de considerar possíveis efeitos de substituição.
Os indicadores atuais do turismo internacional no Brasil apresentam uma tendência diferente. Dados publicados pelo Ministério de Portos e Aeroportos em 10 de setembro de 2026 indicam que mais de quatro milhões de turistas internacionais chegaram ao país por via aérea entre janeiro e julho de 2026, um aumento de 12% em comparação com o mesmo período de 2025.
As conclusões da ALTA ilustram como a tributação pode afetar o crescimento futuro da aviação e do turismo no Brasil, de acordo com as premissas analisadas. Os resultados efetivos dependerão das regras definitivas de implementação da reforma, das decisões tarifárias das companhias aéreas, das condições de mercado e das respostas dos passageiros.
O que o estudo da ALTA diz sobre a reforma tributária brasileira?
A ALTA estima que a reforma tributária brasileira pode elevar as tarifas aéreas, reduzir a demanda de passageiros e desacelerar a expansão da conectividade aérea no cenário tributário modelado pela associação.
Quanto as tarifas aéreas podem aumentar no Brasil?
A ALTA projeta um aumento de 16,1% nas tarifas aéreas domésticas e de aproximadamente 13,3% nas passagens internacionais de ida e volta vendidas no Brasil.
Como a reforma tributária brasileira pode afetar o transporte aéreo internacional?
A ALTA estima que a demanda de passageiros internacionais pode cair 17,8%, o equivalente a aproximadamente cinco milhões de viagens de passageiros a menos por ano.
Qual pode ser o impacto sobre o turismo brasileiro até 2036?
A ALTA projeta que a contribuição do setor de Viagens e Turismo para o PIB brasileiro pode ficar US$ 7,7 bilhões abaixo do cenário de referência em 2036, com aproximadamente 360 mil empregos a menos sustentados pelo turismo.



