O desempenho ambiental está se tornando uma prioridade estratégica para os portos do Caribe, mas medir esse progresso de forma consistente em toda a região continua sendo um desafio. Esse é o objetivo do CariPorts II, uma iniciativa regional apresentada na mais recente edição da Caribbean Maritime, a revista oficial da Caribbean Shipping Association (CSA).
Lançado oficialmente em 17 de outubro de 2025, o projeto busca implementar o primeiro selo ambiental desenvolvido especificamente para os portos do Caribe, oferecendo aos portos participantes um marco comum para avaliar seu desempenho, fortalecer a resiliência climática e apoiar sua transição ambiental.
Um marco desenvolvido para a realidade dos portos caribenhos
O CariPorts II é liderado pelo Grand Port Maritime de la Guadeloupe (GPMG) em parceria com a Caribbean Shipping Association (CSA), contando com apoio financeiro do programa Interreg Caribbean. Em vez de introduzir uma certificação genérica de sustentabilidade, o projeto aproveita a experiência adquirida durante a primeira fase do CariPorts, realizada entre 2021 e 2024 com sete portos da região. Seu objetivo é apoiar coletivamente os portos caribenhos, ajudando-os a se adaptar às mudanças climáticas por meio de uma metodologia desenvolvida especificamente para sua realidade operacional e ambiental.
Medindo o desempenho ambiental além da conformidade regulatória
O selo ambiental está estruturado em torno de um amplo conjunto de indicadores de desempenho que refletem os diversos desafios enfrentados pelos portos do Caribe.
De acordo com a estrutura do projeto, a avaliação abrange:
- gestão ambiental das atividades portuárias; gestão e tratamento de resíduos;
- redução das emissões de gases de efeito estufa; proteção dos ecossistemas e do capital natural;
- prevenção da poluição da água e do solo;
- redução do ruído submarino;
- adaptação da infraestrutura portuária às mudanças climáticas;
- cooperação e compartilhamento de conhecimento entre os portos do Caribe.
Em conjunto, essas dimensões vão além de uma abordagem centrada apenas na conformidade. O objetivo é oferecer aos portos uma metodologia comum para medir seu progresso, ao mesmo tempo em que fortalece suas próprias estratégias de transição ambiental.
Construindo um processo regional de melhoria contínua
Uma das principais características do CariPorts II é sua concepção como um programa colaborativo, e não como um simples processo de certificação.
Sua implementação está organizada em torno de três componentes complementares:
- Pioneer Ports Program;
- Partners Program;
- School Program.
Essa estrutura reflete a ênfase do projeto no fortalecimento de capacidades, no compartilhamento de experiências e na implementação gradual de boas práticas ambientais em toda a região.
Representantes de portos de Barbados, Jamaica, República Dominicana, Antígua e Barbuda, Dominica e Guadalupe participaram do encontro internacional que deu suporte à iniciativa, evidenciando desde as primeiras etapas seu alcance regional.
Os portos-piloto testarão a metodologia antes da implementação regional
O projeto entrou em uma nova fase operacional em março de 2026, quando representantes do setor portuário da região se reuniram em Santo Domingo para lançar o Pilot Ports Program. Durante o encontro, os portos participantes participaram dos primeiros workshops metodológicos voltados à integração do futuro selo ambiental em suas operações.
A fase-piloto tem um objetivo bastante prático: testar tanto as ferramentas de avaliação quanto a metodologia em condições operacionais reais antes de ampliar sua aplicação para toda a rede portuária do Caribe.
Segundo a publicação, a iniciativa ocorre em uma região particularmente exposta à elevação do nível do mar, ao aumento da intensidade dos furacões e à erosão costeira, tornando a resiliência climática e o desempenho ambiental fatores cada vez mais estratégicos para o desenvolvimento portuário.
O desempenho ambiental como um objetivo regional compartilhado
Além dos aspectos técnicos do selo, o CariPorts II reflete uma mudança mais ampla na forma como os portos do Caribe estão abordando a sustentabilidade. Em vez de desenvolver iniciativas ambientais de maneira isolada, o projeto busca estabelecer uma abordagem regional comum que permita aos portos comparar seu progresso, compartilhar conhecimentos e aprimorar sua gestão ambiental com base em critérios harmonizados.
A ambição de longo prazo é criar uma rede de portos caribenhos comprometidos com uma visão compartilhada de desempenho ambiental e resiliência climática. Dessa forma, o CariPorts II posiciona a cooperação — e não apenas as iniciativas individuais dos portos — como um elemento central da transição ambiental da região.



