O tráfego internacional de carga aérea na América Latina e no Caribe continuou a se expandir em fevereiro de 2026, mas o desempenho mais recente da região também revelou divergências crescentes entre seus principais mercados. Embora os volumes totais tenham aumentado 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, o crescimento ficou cada vez mais concentrado em um pequeno grupo de países, liderado por Colômbia, Argentina e Peru, enquanto Brasil e México perderam fôlego, apesar de permanecerem entre os maiores mercados de carga da região.
De acordo com a mais recente análise regional da ALTA, baseada em dados preliminares das autoridades de aviação civil, os volumes internacionais de carga aérea atingiram 319.380 toneladas em fevereiro. Colômbia, Brasil e México, sozinhos, responderam por quase 60% do tráfego total de carga da região, evidenciando a contínua concentração dos fluxos em um pequeno número de grandes mercados.
O crescimento regional da carga se fortaleceu em fevereiro
Após um início de ano mais fraco, fevereiro mostrou uma tendência de expansão mais forte para a carga aérea internacional na América Latina e no Caribe. A América do Norte permaneceu como a principal região de destino, respondendo por 47,9% dos fluxos totais de carga, seguida pela Europa, com 26,6%, enquanto o tráfego intrarregional na América Latina e no Caribe representou 16,6%.
Os números mais recentes também confirmaram que a demanda internacional de carga na região continua a depender fortemente de corredores comerciais transatlânticos e com a América do Norte. Os fluxos ligados à Ásia-Pacífico, ao Oriente Médio e à África ainda representaram menos de 10% do tráfego total.
Ainda assim, por trás do indicador de crescimento regional, o desempenho dos mercados variou acentuadamente de um país para outro.
A Colômbia se torna o principal motor de crescimento da carga na região
Entre os principais mercados de carga da região, a Colômbia se destacou como a maior contribuinte para o crescimento total em fevereiro. O país movimentou 70.037 toneladas de carga aérea internacional no mês, registrando alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior e adicionando quase 5.800 toneladas em comparação com fevereiro de 2025.
Seu maior corredor internacional de carga continuou sendo os Estados Unidos, com 42.535 toneladas transportadas entre os dois países. No entanto, os desenvolvimentos mais relevantes vieram de rotas secundárias, evidenciando uma diversificação mais ampla da rede de carga da Colômbia.
O tráfego entre Colômbia e México disparou 69%, enquanto os volumes Colômbia–Países Baixos aumentaram 67%. Em contraste, o tráfego Colômbia–Brasil recuou ligeiramente no mês.
Essas tendências reforçam a posição cada vez mais estratégica da Colômbia no cenário regional de carga. Além de sua conectividade tradicional com os EUA, o país vem fortalecendo progressivamente os vínculos tanto com a Europa quanto com outros mercados latino-americanos.
Argentina e Peru continuam a acelerar
A Argentina registrou o crescimento percentual mais rápido entre os principais mercados da região em fevereiro. Os volumes internacionais de carga aumentaram 15,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, o equivalente a mais de 2.100 toneladas adicionais.
O corredor Argentina–Estados Unidos permaneceu como o maior mercado de carga do país, crescendo 24,7%. No entanto, os aumentos mais fortes vieram de rotas menores, porém em rápida expansão, especialmente Argentina–Alemanha, que saltou 110%, e Argentina–Paraguai, que cresceu 75%.
Os números sugerem que a recuperação da carga na Argentina está se tornando cada vez mais diversificada, em vez de concentrada em um único mercado internacional.
O Peru também manteve seu impulso positivo após já ter registrado um dos desempenhos mais fortes da região em janeiro. Os volumes internacionais de carga atingiram 21.301 toneladas em fevereiro, impulsionados em grande parte pela forte demanda nas rotas para os Estados Unidos.
O tráfego de carga entre o Peru e os EUA cresceu 14,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e respondeu pela maior parte do aumento líquido do país no mês. No entanto, vários corredores secundários enfraqueceram, incluindo Peru–Espanha, Peru–Colômbia e Peru–Equador.
Brasil e México perdem fôlego apesar de sua escala
Enquanto Colômbia, Argentina e Peru avançaram, Brasil e México continuaram a enfrentar condições mais fracas no mercado de carga.
O Brasil permaneceu como o segundo maior mercado de carga internacional da região, com 66.823 toneladas transportadas em fevereiro. No entanto, os volumes caíram 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando o sétimo mês consecutivo de contração do país.
Todos os principais corredores internacionais de carga do Brasil registraram quedas no mês, incluindo rotas ligadas aos Estados Unidos, Portugal, Chile e Alemanha.
O México também registrou desempenho mais fraco. O tráfego internacional de carga caiu 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 47.638 toneladas, com o maior corredor do país — México–Estados Unidos — recuando fortemente em 32%.
Ao mesmo tempo, outros fluxos internacionais se expandiram de forma significativa. O tráfego de carga entre México e Hong Kong aumentou 32%, enquanto México–China cresceu 26% e México–Espanha, 21%.
Essa divergência aponta para um reequilíbrio gradual do perfil internacional de carga do México, com conexões asiáticas e europeias ganhando importância relativa à medida que o tráfego ligado aos EUA enfraquece.
A Europa permanece como um fator-chave da atividade regional de carga
O relatório também destacou a importância contínua da conectividade de carga com a Europa para a América Latina e o Caribe.
O tráfego internacional de carga entre a região e a Espanha permaneceu particularmente dinâmico em fevereiro, aumentando 10,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os maiores ganhos foram registrados nas rotas México–Espanha e Chile–Espanha, sendo que esta última apresentou alta de 32%.
Os Países Baixos também se consolidaram como um destino de carga cada vez mais importante, impulsionado pela rápida expansão do tráfego ligado à Colômbia.
Essas tendências sugerem que vários mercados latino-americanos de carga vêm diversificando progressivamente além de sua dependência tradicional dos Estados Unidos, embora a América do Norte ainda domine o cenário regional de carga como um todo.
O crescimento da capacidade de cargueiros sinaliza a evolução da dinâmica das frotas
Além dos volumes de tráfego, o relatório também mostrou mudanças importantes na alocação de capacidade de aeronaves cargueiras em toda a região.
A capacidade total de cargueiros aumentou 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior em fevereiro, alcançando 756 milhões de tonelada-quilômetros disponíveis e marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento após a queda registrada no fim de 2025.
O Boeing 747F permaneceu como o principal tipo de aeronave cargueira na região, respondendo por 39% da capacidade total, apesar de uma queda de 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Enquanto isso, o Boeing 777F continuou a ganhar espaço, crescendo 14,5% e alcançando 38,9% de participação de mercado.
O Airbus A330F registrou o maior aumento entre todos os principais tipos de aeronaves, disparando mais de 92%, enquanto as operações de cargueiros Boeing 737 também voltaram a crescer após meses de contração.
Os números indicam que, embora os grandes cargueiros widebody continuem a dominar as operações de carga na América Latina, os padrões de alocação de frota estão evoluindo gradualmente à medida que os operadores ajustam a capacidade entre mercados regionais e de longa distância.



