O crescimento da carga aérea na América Latina e no Caribe acelera — mas dois mercados concentram a maior parte dos ganhos

Cargo

A carga aérea internacional na América Latina e no Caribe registrou em junho sua maior taxa de crescimento de 2026. No entanto, o resultado regional esconde uma forte concentração dos volumes adicionais: a maior parte do aumento veio de apenas dois mercados, Colômbia e Brasil.

O volume regional de carga aérea internacional alcançou 336.269 toneladas métricas, alta de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, o equivalente a 15.089 toneladas adicionais frente a junho de 2025. Foi o sexto mês consecutivo de crescimento e a maior expansão interanual registrada até agora em 2026.

O crescimento acelera, mas continua concentrado

Junho marcou uma nova aceleração após a moderação observada nos dois meses anteriores. Os volumes internacionais de carga cresceram 1,9% em janeiro, 3,1% em fevereiro e 4,2% em março, antes de desacelerarem para 3,7% em abril e 3,3% em maio. Em junho, o ritmo de crescimento voltou a subir, alcançando 4,7%.

A composição desse avanço, porém, esteve longe de ser uniforme entre os mercados.

Colômbia e Brasil movimentaram, juntos, 11.212 toneladas a mais do que em junho de 2025, respondendo por 74,3% de todo o crescimento regional. Brasil, Colômbia e México permaneceram como os três maiores mercados de carga aérea internacional da região, concentrando 60,4% do volume total de junho, mas a geração de volumes adicionais esteve ainda mais concentrada nos dois primeiros.

O mercado regional, portanto, continua se expandindo, mas o crescimento adicional está sendo gerado de forma desproporcional por um número limitado de países e corredores comerciais.

Colômbia responde por quase metade do crescimento

A Colômbia foi o principal motor do crescimento regional.

O país movimentou 67.310 toneladas métricas de carga internacional, alta de 11,6% em relação a junho de 2025, o equivalente a 7.016 toneladas adicionais. Esse aumento, sozinho, representou 46,5% de toda a carga aérea internacional adicional registrada na América Latina e no Caribe durante o mês. A Colômbia também completou seu quinto mês consecutivo de crescimento e registrou sua maior expansão interanual de 2026.

A maior parte do avanço veio do corredor com os Estados Unidos. O fluxo Colômbia–Estados Unidos alcançou 40.079 toneladas nos dois sentidos, um aumento de 5.696 toneladas, ou 16,6%. Esses volumes adicionais representaram 81% do crescimento total da Colômbia e quase 38% do avanço regional.

Houve crescimento nos dois sentidos, embora tenha sido significativamente mais forte nas cargas transportadas para a Colômbia. Os volumes Estados Unidos–Colômbia aumentaram 33,8%, para 14.314 toneladas, adicionando 3.617 toneladas, enquanto o fluxo Colômbia–Estados Unidos cresceu 8,8%, para 25.766 toneladas, com acréscimo de 2.079 toneladas.

No nível dos pares de aeroportos, Bogotá–Miami respondeu por uma parcela particularmente elevada desse crescimento. A rota movimentou 30.540 toneladas, alta de 18,7%, adicionando 4.812 toneladas em relação a junho de 2025. Isso correspondeu a 84,5% do aumento registrado no corredor Colômbia–Estados Unidos e a 68,6% de todo o volume adicional da Colômbia.

O crescimento não ficou restrito ao mercado norte-americano. A carga entre Colômbia e México aumentou 32,7%, enquanto o par aeroportuário Bogotá–Cidade do México avançou 51,0%, para 2.146 toneladas.

A recuperação do Brasil ganha amplitude

O Brasil permaneceu como o maior mercado de carga aérea internacional da região em volume, movimentando 77.822 toneladas métricas em junho.

O tráfego cresceu 5,7%, equivalente a 4.196 toneladas adicionais, fazendo com que o Brasil respondesse por 27,8% do aumento regional. O resultado também marcou o quarto mês consecutivo de crescimento após sete meses de quedas interanuais entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026.

Uma mudança importante ocorreu no corredor Brasil–Estados Unidos. O tráfego bilateral atingiu 26.644 toneladas, alta de 3,6%, registrando seu primeiro crescimento interanual após dez meses consecutivos de contração. A recuperação foi impulsionada pelas cargas transportadas dos Estados Unidos para o Brasil, que cresceram 6,2%, enquanto os volumes Brasil–Estados Unidos recuaram 2,0%.

Os ganhos brasileiros também se estenderam para além da América do Norte. A carga movimentada com os Países Baixos quase dobrou, alcançando 1.852 toneladas, alta de 97,8%, enquanto o corredor com os Emirados Árabes Unidos atingiu 1.982 toneladas, avanço de 83,0%. Juntamente com os Estados Unidos, esses três mercados geraram 65,5% do volume adicional registrado pelo Brasil.

O cenário, porém, não foi positivo em todos os mercados. Os volumes recuaram nas relações com Chile, França, México e Espanha. A ALTA também observa que os dados disponíveis ainda não permitem identificar quais produtos ou mudanças de capacidade estiveram por trás dos fortes aumentos registrados com os Países Baixos e os Emirados Árabes Unidos.

México cresce, mas perdas em outros mercados limitam o resultado

O México, terceiro maior mercado regional de carga internacional, voltou a crescer após a contração registrada em maio. O país movimentou 58.128 toneladas métricas, alta de 1,8%, equivalente a 1.033 toneladas adicionais.

O desempenho por corredor, no entanto, foi consideravelmente mais desigual. Somente o corredor México–Estados Unidos adicionou 2.057 toneladas, com os volumes bilaterais crescendo 12,6%, para 18.325 toneladas. O aumento nesse único corredor foi, portanto, superior ao ganho líquido total registrado pelo México.

Essa diferença foi compensada por volumes mais fracos em outros mercados. As cargas movimentadas com China, Hong Kong, Luxemburgo e Espanha recuaram, em conjunto, 1.118 toneladas, enquanto o crescimento observado com Alemanha e França compensou apenas parcialmente essas perdas.

O caso do México mostra por que as taxas nacionais de crescimento, quando analisadas isoladamente, podem ocultar mudanças significativas entre diferentes corredores comerciais.

O resultado regional esconde mercados com desempenhos muito diferentes

Fora dos três maiores mercados de carga aérea, junho apresentou resultados contrastantes.

O Panamá movimentou 20.995 toneladas, alta de 7,2%, enquanto o Peru alcançou 22.059 toneladas, um aumento de 6,7%. A Argentina ficou praticamente estável, com +0,3%, após registrar taxas de crescimento muito mais elevadas no início do ano. Equador e Costa Rica recuaram 0,4%, o Chile permaneceu praticamente estável e El Salvador cresceu 5,1%.

Os números de junho revelam, portanto, um mercado regional de carga aérea que continua em expansão, mas cujo crescimento está sendo gerado de forma desproporcional por um pequeno número de mercados, corredores e gateways.

A Colômbia, sozinha, respondeu por quase metade do volume adicional, enquanto Colômbia e Brasil, juntos, geraram quase três quartos do crescimento regional. Para aeroportos, operadores de carga e empresas de logística, o desempenho desses gateways e corredores comerciais específicos pode, portanto, oferecer uma leitura mais precisa de onde o mercado está efetivamente se expandindo do que a taxa de crescimento regional considerada isoladamente.


Fonte: ALTA Cargo Report, junho de 2026.

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