Da capacitação ao apoio a projetos: a próxima visão de Darwin Telemaque para a PMAC

Entrevista com Darwin Telemaque, CEO da Antigua Port Authority e presidente da Port Management Association of the Caribbean (PMAC), durante a 29ª Assembleia Geral Anual da associação, realizada em Paramaribo, no Suriname, de 8 a 10 de julho de 2026.

“Para nós, o transporte marítimo não é uma opção.”

Para Darwin Telemaque, essa afirmação simples explica por que os portos caribenhos ocupam uma posição tão estratégica no futuro da região. Em economias insulares onde cerca de 95% dos bens essenciais chegam por via marítima, os portos são muito mais do que ativos logísticos: são infraestruturas críticas que conectam as comunidades a alimentos, materiais de construção, combustíveis e fluxos comerciais.

Telemaque refletiu não apenas sobre o sucesso do principal encontro anual da associação, mas também sobre aquilo que, em sua visão, deve constituir o próximo capítulo da PMAC.

Como CEO da Antigua Port Authority e presidente da PMAC, sua ambição vai além de ampliar o número de membros ou organizar conferências maiores. Sua visão é transformar a PMAC, hoje reconhecida como uma importante associação regional, em uma plataforma capaz de ajudar os portos caribenhos a preparar, estruturar e acelerar seus processos de transformação.

Uma associação em expansão, com ambições maiores

Sob diversos aspectos, a 29ª Assembleia Geral Anual da PMAC representou mais um avanço para a organização.

Darwin Telemaque descreveu o evento como um dos mais bem-sucedidos já realizados pela associação, destacando a participação recorde, a ampla representação dos portos membros e um programa ampliado, concebido para ir além do formato tradicional de conferência. Ao mesmo tempo, reconheceu que as próximas edições deverão atrair uma presença ainda maior de CEOs portuários, presidentes de conselhos de administração e altos representantes governamentais responsáveis pelo setor.

A própria organização também segue crescendo.

Segundo Darwin Telemaque, a PMAC recebeu quatro novos portos membros ao longo do último ano, o que representa um crescimento de aproximadamente 18%, enquanto o número de membros associados chegou a 23 organizações, uma expansão próxima de 40%. Esses números revelam mais do que um simples crescimento institucional: apontam para um interesse regional cada vez maior em abordagens colaborativas para o desenvolvimento portuário.

Para Telemaque, porém, crescer não é o objetivo final.

É uma oportunidade para redefinir o valor que a PMAC pode oferecer aos seus membros.

A capacitação continua sendo a base

Essa evolução começa com um princípio que há muito orienta o trabalho da PMAC: a capacitação.

Antes da Assembleia Geral deste ano, a associação promoveu dois dias de treinamento dedicados a profissionais do setor portuário. Um deles foi voltado à digitalização; o outro, à eletrificação portuária e ao shore power. Cerca de 62 participantes, em sua maioria profissionais operacionais e não executivos seniores, participaram do programa.

A iniciativa reflete uma compreensão mais ampla sobre o processo de modernização dos portos.

A infraestrutura, por si só, não transforma operações portuárias. Novas tecnologias exigem profissionais capazes de operá-las, mantê-las e integrá-las às atividades diárias. Seja em transformação digital, automação ou transição energética, o investimento em competências humanas continua sendo indispensável.

Para Darwin Telemaque, o papel da PMAC nunca se limitou à realização de encontros anuais. Sempre envolveu o fortalecimento da base de conhecimentos que permite aos portos caribenhos se adaptarem a um ambiente operacional cada vez mais complexo.

Uma estratégia de cinco pilares para os portos caribenhos

Ao olhar para o futuro, Darwin Telemaque apresentou aquilo que considera serem as prioridades estratégicas que devem orientar o apoio da PMAC à região.

A visão da associação está estruturada em cinco pilares:

  • infraestrutura moderna;
  • automação;
  • digitalização;
  • capacitação de recursos humanos;
  • energia.

Isoladamente, nenhuma dessas prioridades é nova.

Em conjunto, no entanto, elas apontam para uma filosofia mais ampla.

A competitividade portuária já não é determinada apenas pela infraestrutura. Ela depende cada vez mais da forma como ativos físicos, sistemas digitais, profissionais qualificados e soluções energéticas funcionam de maneira integrada dentro de um único modelo operacional.

Essa abordagem integrada esteve presente em muitas das discussões realizadas durante a conferência da PMAC, onde temas que iam da inteligência artificial ao shore power evidenciaram repetidamente a crescente interdependência entre tecnologia, operações e investimento.

Da capacitação ao apoio a projetos

Talvez o elemento mais significativo da visão de Darwin Telemaque seja sua convicção de que a PMAC deve se envolver muito mais cedo no desenvolvimento dos projetos portuários.

Em vez de intervir apenas quando os projetos já estão estruturados ou financiados, ele identifica uma oportunidade para a associação contribuir ainda na fase de pré-viabilidade, quando as ideias estão sendo definidas e decisões fundamentais ainda precisam ser tomadas.

“Gostaria de ver a PMAC se envolver de maneira muito mais ativa”, afirmou, explicando que a associação poderia ajudar os portos a estruturar projetos, identificar as competências técnicas adequadas e apoiar o planejamento inicial antes que os investimentos avancem.

Trata-se de uma mudança sutil, mas importante.

Historicamente, muitas organizações regionais concentraram suas atividades em networking, conferências e compartilhamento de conhecimento. Darwin Telemaque propõe que a PMAC complemente essas funções com apoio prático, ajudando os portos a atravessar as etapas iniciais — e muitas vezes mais incertas — do desenvolvimento de um projeto.

Para os portos caribenhos de menor porte, que dispõem de capacidade técnica interna limitada, esse tipo de apoio pode ser particularmente valioso.

Membros associados como parceiros estratégicos

Essa ambição também ajuda a explicar como Darwin Telemaque enxerga os membros associados da PMAC.

Em vez de tratar fornecedores de equipamentos, consultorias e empresas técnicas como patrocinadores ou partes interessadas externas, ele os posiciona como componentes essenciais do ecossistema portuário regional.

“Nossos membros associados não são visitantes da PMAC. Eles são parceiros dentro do sistema da comunidade portuária.”

Em sua visão, essas organizações oferecem conhecimentos que podem fortalecer os portos por meio de aconselhamento técnico, expertise especializada, capacitação e inovação.

A plataforma de webinars da associação, criada para facilitar o compartilhamento contínuo de conhecimento entre membros e parceiros técnicos, reflete essa abordagem colaborativa para além da conferência anual.

É um modelo que trata a capacitação não como uma atividade realizada uma vez por ano, mas como um processo permanente, apoiado por uma rede profissional mais ampla.

Reduzindo a fragmentação na região

Outro desafio identificado por Darwin Telemaque é menos visível, mas igualmente relevante.

Em toda a região do Caribe, os portos são abordados por diversas organizações, agências de desenvolvimento e instituições internacionais que promovem iniciativas semelhantes — da digitalização e sustentabilidade à resiliência e ao desenvolvimento de infraestrutura.

O resultado, segundo ele, é frequentemente mais fragmentação do que coordenação.

Diferentes organizações podem atuar sobre os mesmos temas, enquanto os portos enfrentam dificuldades para acompanhar todos os programas ou participar de cada iniciativa.

Darwin Telemaque acredita que a PMAC pode ajudar a preencher essa lacuna ao criar uma base regional de conhecimento mais estruturada, reunindo informações, competências técnicas e projetos em andamento dentro de um quadro comum capaz de beneficiar todos os membros.

Esse tipo de abordagem poderia ampliar a visibilidade regional, reduzir duplicações e permitir que os portos aprendam de forma mais sistemática com as experiências de seus pares.

Construindo uma voz regional mais forte

A visão de Darwin Telemaque também possui uma dimensão institucional.

Ele gostaria de ver uma participação maior de diretores portuários, presidentes de conselhos de administração e ministros responsáveis pelos portos, garantindo que as discussões estratégicas contem com apoio nos níveis mais elevados de decisão.

Também defende que a PMAC continue fortalecendo sua relação com a CARICOM, posicionando-se como a organização mais bem preparada para representar os interesses dos portos caribenhos em debates mais amplos sobre políticas regionais.

Para ele, um reconhecimento político mais forte não serviria apenas para ampliar a visibilidade da PMAC.

Também aumentaria sua capacidade de mobilizar expertise, coordenar iniciativas regionais e oferecer mais valor aos portos membros.

Para além do diálogo, rumo à implementação

As discussões realizadas em Paramaribo demonstraram mais uma vez a capacidade da PMAC de reunir autoridades portuárias, especialistas técnicos, fornecedores de equipamentos e formuladores de políticas públicas de toda a região do Caribe.

A mensagem de Darwin Telemaque, no entanto, vai além da conferência.

Segundo ele, a próxima etapa não consiste simplesmente em ampliar a rede da PMAC, mas em aprofundar seu papel.

Infraestrutura moderna, digitalização, automação, capital humano e energia continuarão no centro do desenvolvimento portuário caribenho. No entanto, a concretização dessas ambições dependerá cada vez mais da eficácia com que os projetos forem preparados, coordenados e apoiados muito antes do início das obras.

A PMAC já se consolidou como uma plataforma regional de diálogo e capacitação.

A próxima ambição de Darwin Telemaque é transformar essa plataforma em um instrumento capaz de ajudar os portos caribenhos a converter ideias em projetos bem estruturados e aptos a atrair investimentos, fortalecendo não apenas portos individuais, mas também a resiliência e a competitividade de todo o setor marítimo regional.


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