O Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) concluiu, em 1º de setembro de 2026, a aquisição da plataforma aeroportuária da Motiva por US$ 992,2 milhões. A operação adiciona participações em 20 aeroportos no Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao, incluindo 17 aeroportos brasileiros, e proporciona à ASUR acesso direto ao maior mercado de aviação da América Latina em número de passageiros.
O Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) concluiu a aquisição da totalidade da participação da Motiva na Companhia de Participações em Concessões (CPC) em 1º de setembro de 2026, encerrando uma transação originalmente acordada em 18 de novembro de 2025.
O Grupo Aeroportuario del Sureste pagou R$ 5,1 bilhões, equivalentes a US$ 992,2 milhões, pela participação da Motiva na Companhia de Participações em Concessões, após os ajustes habituais de fechamento. A transação foi financiada por meio de uma linha de crédito contratada quando a ASUR apresentou sua proposta de aquisição.
O valor de US$ 992,2 milhões corresponde ao preço pago pela participação da Motiva na Companhia de Participações em Concessões, e não ao valor total da empresa associado aos ativos aeroportuários. Quando o acordo foi anunciado, em novembro de 2025, o Grupo Aeroportuario del Sureste estimou a transação em um enterprise value implícito de aproximadamente R$ 13,7 bilhões, ou US$ 2,57 bilhões.
Vinte aeroportos, com o Brasil no centro do portfólio
A Companhia de Participações em Concessões adiciona ao Grupo Aeroportuario del Sureste participações em 20 aeroportos distribuídos entre Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao. O portfólio recebeu mais de 48 milhões de passageiros em 2025, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior, e atendia a mais de 200 rotas regulares.
O Brasil representa 17 dos 20 aeroportos adquiridos por meio da Companhia de Participações em Concessões. O portfólio brasileiro inclui Belo Horizonte/Confins, em Minas Gerais; Curitiba/Afonso Pena e Foz do Iguaçu, no Paraná; Goiânia, em Goiás; Navegantes, em Santa Catarina; São Luís, no Maranhão; Teresina, no Piauí; Palmas, no Tocantins; e Petrolina, em Pernambuco, além de diversos aeroportos regionais de menor porte.
Fora do Brasil, a Companhia de Participações em Concessões inclui o Aeroporto Internacional de Quito, no Equador; o Aeroporto Internacional Juan Santamaría, que atende San José, na Costa Rica; e o Aeroporto Internacional de Curaçao, em Curaçao.
O Brasil já era a principal fonte de tráfego de passageiros do portfólio da Companhia de Participações em Concessões antes da aquisição de setembro de 2026. A plataforma de 20 aeroportos havia recebido aproximadamente 44,7 milhões de passageiros em 2024, dos quais cerca de 31,5 milhões passaram pelos aeroportos brasileiros, o equivalente a aproximadamente 71% do tráfego total do portfólio.
A participação brasileira no portfólio confere à aquisição de setembro de 2026 uma importância particular para o Grupo Aeroportuario del Sureste. A ASUR entra no maior mercado de aviação da América Latina por meio de uma rede aeroportuária já estabelecida, em vez de avançar gradualmente por meio da obtenção de concessões individuais.
Os 17 aeroportos brasileiros expõem o Grupo Aeroportuario del Sureste a diferentes segmentos de tráfego. Belo Horizonte/Confins, Curitiba e Goiânia atendem importantes mercados metropolitanos e corporativos, enquanto Foz do Iguaçu apresenta um perfil fortemente turístico. Aeroportos menores, como Petrolina, Palmas e Imperatriz, desempenham um papel importante na conectividade regional.
ASUR entra em quatro novos mercados aeroportuários
Antes de 1º de setembro de 2026, as operações aeroportuárias do Grupo Aeroportuario del Sureste estavam concentradas no México, Colômbia e Porto Rico. O portfólio existente da ASUR incluía nove aeroportos no sudeste do México, seis aeroportos na Colômbia e uma participação majoritária na Aerostar Airport Holdings, operadora do Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan, Porto Rico.
A aquisição da Companhia de Participações em Concessões acrescenta Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao à presença aeroportuária do Grupo Aeroportuario del Sureste. A operação leva a ASUR de três principais mercados aeroportuários para uma rede muito mais ampla na América Latina e no Caribe.
O novo portfólio também oferece maior diversificação dos perfis de tráfego. O Aeroporto Internacional de Quito, no Equador, e o Aeroporto Internacional Juan Santamaría, na Costa Rica, proporcionam acesso a importantes gateways internacionais, enquanto o Aeroporto Internacional de Curaçao reforça a presença do Grupo Aeroportuario del Sureste no Caribe.
Os aeroportos brasileiros adquiridos em setembro de 2026 combinam aviação doméstica, conectividade internacional, turismo, viagens de negócios e ligações regionais. Essa diversidade reduz a dependência do Grupo Aeroportuario del Sureste de um único tipo de aeroporto ou mercado de passageiros dentro da nova plataforma.
Quando anunciou a aquisição, em novembro de 2025, o Grupo Aeroportuario del Sureste afirmou que os aeroportos da Companhia de Participações em Concessões acrescentariam mais de 45 milhões de passageiros anuais a um portfólio da ASUR que havia recebido aproximadamente 71 milhões de passageiros em 2024.
Dezessete das 20 concessões aeroportuárias adquiridas por meio da Companhia de Participações em Concessões ainda tinham mais de 15 anos de prazo de concessão remanescente quando o acordo foi anunciado, em novembro de 2025. Essa duração proporciona ao Grupo Aeroportuario del Sureste uma exposição de longo prazo a vários mercados de aviação latino-americanos.
Uma estratégia ampliada em toda a região das Américas
A aquisição da Companhia de Participações em Concessões em setembro de 2026 ocorre após outra operação de expansão do Grupo Aeroportuario del Sureste para além de seus mercados aeroportuários tradicionais.
O Grupo Aeroportuario del Sureste concluiu a aquisição da URW Airports em dezembro de 2025, ampliando sua exposição às atividades comerciais aeroportuárias nos Estados Unidos. A URW Airports administra programas de varejo, alimentação e outras atividades comerciais nos terminais de grandes aeroportos norte-americanos, incluindo Los Angeles International Airport, Chicago O’Hare International Airport e John F. Kennedy International Airport, em Nova York.
A aquisição da URW Airports em dezembro de 2025 e a aquisição da Companhia de Participações em Concessões em setembro de 2026 representam modelos de negócios diferentes. A URW Airports proporciona ao Grupo Aeroportuario del Sureste exposição a receitas comerciais não aeronáuticas, enquanto a Companhia de Participações em Concessões acrescenta participações diretas em concessões e operações aeroportuárias.
As duas transações, no entanto, ampliam a presença geográfica do Grupo Aeroportuario del Sureste nas Américas. A operação envolvendo a CPC reforça a presença da ASUR na América do Sul, América Central e Caribe, enquanto a aquisição da URW Airports proporciona exposição comercial em grandes aeroportos dos Estados Unidos.
Motiva deixa o setor aeroportuário
A Motiva recebeu R$ 5,187 bilhões por sua participação na Companhia de Participações em Concessões no fechamento da transação, em 1º de setembro de 2026. A Motiva também informou R$ 7,024 bilhões em dívida associada aos ativos aeroportuários, elevando o valor da transação divulgado pelo grupo brasileiro de infraestrutura para R$ 12,211 bilhões.
A Motiva apresentou a venda da Companhia de Participações em Concessões como parte de sua estratégia para simplificar seu portfólio, destravar valor de seus ativos aeroportuários e reforçar sua capacidade financeira para futuros investimentos em infraestrutura.
A transação de setembro de 2026 reflete, portanto, duas estratégias corporativas opostas. A Motiva deixa o setor aeroportuário, enquanto o Grupo Aeroportuario del Sureste utiliza a mesma plataforma de 20 aeroportos para acelerar sua expansão geográfica na América Latina e no Caribe.
O Grupo Aeroportuario del Sureste também adquire uma plataforma aeroportuária multinacional já estruturada, em vez de construir gradualmente um portfólio por meio de concessões individuais. A Companhia de Participações em Concessões já reúne participações aeroportuárias, estruturas corporativas, equipes operacionais e contratos de concessão em quatro mercados.
A integração se torna o próximo desafio
O Grupo Aeroportuario del Sureste iniciou a transição operacional do portfólio da Companhia de Participações em Concessões após a conclusão da transação em 1º de setembro de 2026. Motiva e ASUR estabeleceram um período de transição para transferir os sistemas de suporte corporativo, administrativo e operacional, mantendo ao mesmo tempo a continuidade das atividades em toda a rede aeroportuária.
A estrutura de serviços compartilhados da Motiva continuará temporariamente prestando determinadas funções, incluindo folha de pagamento, compras, tecnologia da informação e outras atividades de back-office, durante a transição para o Grupo Aeroportuario del Sureste. Os funcionários vinculados à plataforma aeroportuária também estão sendo transferidos como parte do processo de integração.
A integração da Companhia de Participações em Concessões representa para o Grupo Aeroportuario del Sureste um desafio diferente da própria aquisição financeira. A ASUR precisa integrar participações aeroportuárias distribuídas entre Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao, com diferentes estruturas de concessão, ambientes regulatórios e perfis de passageiros.
A aquisição de US$ 992,2 milhões foi concluída em 1º de setembro de 2026, mas a transformação operacional do Grupo Aeroportuario del Sureste está apenas começando. O próximo teste será verificar como a ASUR integrará uma plataforma de 20 aeroportos que recebe mais de 48 milhões de passageiros por ano à sua rede ampliada nas Américas.
Fonte: ASUR — Closing of the acquisition of Motiva’s airport interests in Brazil, Ecuador, Costa Rica and Curaçao, 1º de setembro de 2026. ASUR / SEC filing
Quanto a ASUR pagou pela plataforma aeroportuária da Motiva?
O Grupo Aeroportuario del Sureste pagou R$ 5,1 bilhões, equivalentes a US$ 992,2 milhões, pela participação da Motiva na Companhia de Participações em Concessões no fechamento da transação, em 1º de setembro de 2026.
Quantos aeroportos a ASUR adicionou com a transação?
O Grupo Aeroportuario del Sureste adquiriu participações em 20 aeroportos por meio da Companhia de Participações em Concessões.
Quantos dos aeroportos adquiridos estão no Brasil?
Dezessete dos 20 aeroportos estão no Brasil. Os outros três estão localizados no Equador, Costa Rica e Curaçao.
Quantos passageiros o portfólio aeroportuário adquirido recebe?
O portfólio de 20 aeroportos recebeu mais de 48 milhões de passageiros em 2025, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior.
Quais novos mercados essa aquisição acrescenta à rede da ASUR?
A aquisição de setembro de 2026 adiciona ao Grupo Aeroportuario del Sureste participações aeroportuárias no Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao, complementando sua presença existente no México, Colômbia e Porto Rico.



