Após um ano marcado por forte crescimento no número de passageiros e desempenho financeiro sólido, a rede aeroportuária operada pelo Grupo Aeroportuario del Pacífico (GAP) iniciou 2026 com sinais iniciais de volatilidade no tráfego. Embora o grupo tenha movimentado quase 64 milhões de passageiros em 2025, os primeiros meses de 2026 registraram queda no tráfego em vários hubs importantes, refletindo interrupções operacionais, impactos climáticos no Caribe e ajustes na capacidade das companhias aéreas.
Operando 14 aeroportos no México e na Jamaica, o grupo desempenha um papel central na conectividade do corredor turístico do Pacífico e em várias rotas estratégicas entre a América do Norte e destinos turísticos do México.
Forte desempenho financeiro em 2025
O grupo encerrou 2025 com resultados financeiros robustos, sustentados por uma combinação de crescimento do tráfego, ajustes tarifários e expansão das atividades comerciais em seus aeroportos.
A receita total aumentou de forma significativa em relação ao ano anterior, impulsionada por crescimento de dois dígitos tanto nas receitas aeronáuticas quanto não aeronáuticas. Estas últimas — que incluem concessões de varejo, alimentação e bebidas, lojas duty-free e serviços de transporte — registraram expansão particularmente forte à medida que os aeroportos continuaram a diversificar seus modelos de receita.
A rentabilidade operacional também melhorou. O EBITDA atingiu aproximadamente MXN 5,1 bilhões no quarto trimestre de 2025, refletindo ganhos de eficiência operacional e maior geração de receitas comerciais em toda a rede.
Apesar desse desempenho operacional positivo, o lucro líquido caiu em comparação com o ano anterior, principalmente devido a ajustes financeiros e contábeis, e não a uma fraqueza operacional subjacente.
Tráfego de passageiros alcança quase 64 milhões
Em toda a rede, o tráfego de passageiros atingiu aproximadamente 63,7 milhões de viajantes em 2025, registrando crescimento moderado, porém estável, em comparação com 2024.
Diversos aeroportos tiveram papel fundamental na sustentação desse desempenho.
O maior hub do grupo, o Guadalajara International Airport, movimentou mais de 18,7 milhões de passageiros, consolidando sua posição como uma das principais portas de entrada da aviação no México.
Enquanto isso, o Tijuana International Airport continuou a se beneficiar da forte demanda por viagens transfronteiriças entre México e Estados Unidos, enquanto destinos turísticos como Los Cabos International Airport e Puerto Vallarta International Airport mantiveram volumes de tráfego estáveis, sustentados pelo turismo de lazer proveniente da América do Norte.
Juntos, esses aeroportos orientados ao turismo formam um dos corredores de aviação mais dinâmicos da América Latina.
Furacão impacta operações no Caribe
Enquanto os aeroportos mexicanos registraram crescimento relativamente estável, as operações do grupo no Caribe enfrentaram desafios mais significativos.
A rede inclui dois aeroportos na Jamaica: Sangster International Airport, em Montego Bay, e Norman Manley International Airport, em Kingston.
Montego Bay, principal porta de entrada turística do país, sofreu uma queda acentuada no tráfego após o furacão Melissa, que forçou o fechamento temporário do aeroporto e interrompeu operações durante o último trimestre de 2025. Como resultado, o volume de passageiros caiu significativamente em relação ao ano anterior.
O aeroporto de Kingston, por sua vez, demonstrou maior resiliência, registrando crescimento moderado apesar das interrupções regionais.
Esses eventos evidenciam a vulnerabilidade da infraestrutura aeroportuária caribenha a fenômenos climáticos extremos, especialmente em destinos fortemente dependentes do turismo internacional.
Tráfego no início de 2026 mostra sinais de desaceleração
Os dados de tráfego do início de 2026 sugerem um cenário mais cauteloso.
Em toda a rede, o número de passageiros caiu 2,2% em janeiro de 2026, com cerca de 5,5 milhões de passageiros movimentados no mês. A desaceleração se intensificou em fevereiro, quando o tráfego recuou 5,5% em comparação anual.
Vários aeroportos importantes registraram queda nesse período, incluindo Tijuana e Puerto Vallarta, enquanto Guadalajara apresentou uma contração mais moderada.
Embora essa queda reflita parcialmente interrupções temporárias e não uma fraqueza estrutural da demanda, ela indica um período de ajuste após a forte recuperação observada nos anos anteriores.
Interrupções operacionais afetam hubs importantes
Eventos operacionais também contribuíram para a volatilidade observada no início de 2026.
Incidentes de segurança no oeste do México provocaram uma série de cancelamentos de voos em vários aeroportos da rede, especialmente em Guadalajara e Puerto Vallarta. Em apenas dois dias, mais de 200 voos foram cancelados, demonstrando como situações locais de segurança podem impactar rapidamente as programações das companhias aéreas e os volumes de tráfego aeroportuário.
Essas interrupções não são incomuns em redes aeroportuárias complexas e normalmente são absorvidas ao longo dos meses seguintes, à medida que as companhias ajustam suas operações.
Atividades comerciais impulsionam a rentabilidade aeroportuária
Uma das tendências estruturais mais relevantes destacadas nos resultados é o crescimento da importância das receitas não aeronáuticas.
Concessões de varejo, serviços de alimentação e bebidas, transporte terrestre e atividades imobiliárias comerciais estão se tornando centrais nos modelos de negócios aeroportuários em todo o mundo — e a rede aeroportuária do Pacífico não é exceção.
A forte expansão desses segmentos comerciais ajudou a compensar a volatilidade no tráfego de passageiros, ao mesmo tempo em que contribuiu para melhorar a rentabilidade geral.
Essa estratégia de diversificação reflete uma transformação mais ampla no setor aeroportuário, no qual o consumo dos passageiros e as parcerias comerciais complementam cada vez mais as receitas aeronáuticas tradicionais.
Perspectivas: crescimento moderado esperado em 2026
Apesar do início de ano mais fraco, o grupo espera que o crescimento moderado seja retomado ao longo de 2026.
A administração projeta um aumento do tráfego de passageiros entre 2% e 5%, impulsionado pela continuidade da demanda turística, expansão da conectividade aérea e investimentos em infraestrutura em diversos aeroportos da rede.
Espera-se que o crescimento das receitas permaneça robusto, com contribuições tanto das atividades aeronáuticas quanto comerciais. O grupo também planeja investimentos significativos em capital para ampliar capacidade e modernizar infraestrutura em vários aeroportos.
Uma rede aeroportuária resiliente diante de volatilidade de curto prazo
De forma geral, os resultados destacam um sistema aeroportuário resiliente, fortemente ligado aos fluxos turísticos e à demanda por viagens transfronteiriças.
Embora os primeiros meses de 2026 revelem volatilidade de curto prazo — causada por eventos climáticos, interrupções operacionais e ajustes das companhias aéreas — os fundamentos estruturais da rede permanecem sólidos.
Para a região do Pacífico mexicano e para importantes destinos turísticos do Caribe, a recuperação contínua das viagens internacionais e os investimentos estratégicos em aeroportos devem continuar sustentando o crescimento da aviação nos próximos anos.



