PMAC amplia sua rede: número de autoridades portuárias cresce quase 18%, enquanto a rede de associados avança quase 40%

Quatro novas autoridades portuárias e uma rede de associados em rápida expansão estão ampliando o alcance da PMAC. O próximo desafio será transformar esse crescimento em programas de capacitação, normas regionais e projetos capazes de gerar resultados concretos muito além das reuniões anuais.

A Port Management Association of the Caribbean (PMAC) encerrou sua 29ª Assembleia Geral Anual (AGM) com uma base de membros ampliada e uma agenda operacional cada vez mais abrangente.

Durante o encontro, realizado entre 8 e 10 de julho de 2026, em Paramaribo, Suriname, a PMAC anunciou a adesão de quatro novas autoridades portuárias. O presidente da associação, Darwin Telemaque, destacou que o número de membros portuários cresceu cerca de 18%, enquanto a rede de associate members registrou uma expansão próxima de 40%.

Os números refletem uma demanda crescente por uma plataforma regional capaz de conectar portos caribenhos, parceiros técnicos e instituições de desenvolvimento. No entanto, o aumento da base de membros, por si só, não determinará a influência regional da PMAC. O verdadeiro desafio será transformar essa rede ampliada em cooperação efetiva, fortalecimento de capacidades e resultados concretos para os portos da região.

Quatro novos integrantes ampliam a rede portuária da PMAC

Segundo Darwin Telemaque, os novos membros anunciados durante a Assembleia Geral incluem Santo Domingo, Haiti e duas entidades portuárias do Suriname.

Com essas adesões, a rede da PMAC passa a representar um número de instalações portuárias muito superior ao total formal de membros. Isso ocorre porque uma única autoridade portuária pode administrar diversos ativos, como terminais de carga, terminais de cruzeiros, instalações para granéis, terminais de petróleo e gás e pequenos cais distribuídos por seu território.

Telemaque explicou que, embora a associação contabilizasse oficialmente 24 autoridades portuárias antes das novas adesões, os organismos que integram a PMAC administram, em conjunto, um universo muito mais amplo de instalações marítimas.

A dimensão da Assembleia Geral de 2026 também refletiu essa expansão. A PMAC registrou a participação de 92 organizações provenientes de 25 países, um nível de representatividade geográfica que, segundo seu presidente, pode ter sido o maior da história da associação.

Ao longo dos três dias de trabalhos, os debates abordaram temas como transformação digital, energias renováveis, shore power, segurança portuária, eficiência operacional, transporte marítimo regional e conectividade das cadeias de suprimentos. Paralelamente, autoridades portuárias e associate members realizaram sessões de trabalho específicas para revisar suas prioridades e respectivos programas de atuação.

Esses números demonstram a dimensão alcançada pela plataforma regional da PMAC. Ainda assim, eles não indicam, por si só, se os portos participantes conseguirão manter esse mesmo nível de engajamento após o encerramento da conferência.

Rede de 23 associados aproxima especialistas da estratégia portuária

A rede de associate members da PMAC passou a contar com 23 integrantes, representando um crescimento de aproximadamente 40% em relação ao ano anterior. Mais da metade dos participantes da reunião destinada aos associados participava do encontro pela primeira vez.

Esse grupo reúne empresas, consultorias, universidades, fornecedores de equipamentos e especialistas técnicos que atuam em áreas como digitalização, gestão de riscos, capacitação profissional, energia e operações portuárias.

Durante a apresentação de seu relatório na Assembleia Geral, os representantes dos associados defenderam que esse segmento da associação não deve funcionar apenas como um espaço de networking ou de promoção de serviços comerciais. O objetivo é integrar os associate members de forma mais direta às prioridades técnicas definidas pelas próprias autoridades portuárias.

Como resumiu Darwin Telemaque: “Nossos associate members não são visitantes da PMAC.”

Essa mudança já começa a se refletir na organização dos grupos de trabalho. Temas ligados à digitalização portuária, dados e governança passaram a ser conduzidos pelo grupo de digitalização. Já a descarbonização e a transição para green ports foram integradas às discussões sobre risco e resiliência, enquanto a resiliência das cadeias de suprimentos e a conectividade regional passaram a fazer parte da frente dedicada à eficiência portuária.

A segurança marítima e a proteção das infraestruturas portuárias, por sua vez, deverão permanecer sob supervisão direta da PMAC, em vez de serem delegadas a um grupo liderado por membros associados.

Essa estrutura pode ampliar o acesso dos portos de menor porte a competências técnicas que muitas vezes não estão disponíveis internamente. Ao mesmo tempo, exige regras claras de governança. Parceiros técnicos e comerciais podem contribuir para o desenvolvimento de soluções, mas cabe às autoridades portuárias continuar definindo os problemas operacionais, as prioridades e os resultados esperados.

Capacitação e aprendizagem entre pares ganham dimensão mensurável

A expansão da associação também vem acompanhada de um foco maior no desenvolvimento da força de trabalho portuária.

Antes da Assembleia Geral, 62 funcionários portuários que não ocupavam cargos de gestão participaram de dois dias de treinamento no Suriname. O primeiro dia foi dedicado à digitalização, enquanto o segundo abordou a eletrificação portuária e o uso de shore power.

O apoio externo cobriu despesas de viagem, hospedagem e alimentação dos participantes, permitindo que profissionais de diferentes territórios participassem sem que os portos precisassem assumir integralmente os custos.

Esse programa é relevante porque investimentos em infraestrutura, por si só, não garantem melhorias operacionais. Portos que adotam sistemas digitais, equipamentos elétricos ou novas infraestruturas energéticas também precisam contar com equipes capazes de operar, manter e gerir esses ativos.

Mary-Ann Abdoelkariem, Executive Secretary da PMAC, também apresentou a troca de relatórios nacionais como um mecanismo prático de aprendizagem. Nessas sessões, representantes portuários comparam resultados, identificam dificuldades e analisam as respostas adotadas por outros territórios.

“Eles compartilham o que alcançaram e quais são seus desafios, para que possamos aprender uns com os outros.”

Ela também destacou a capacitação dos trabalhadores como uma das funções centrais da associação, ao lado do desenvolvimento portuário.

A PMAC vem discutindo a criação de uma estrutura de formação mais organizada, com apoio da Caribbean Maritime University e de parceiros especializados. O desafio será transformar programas associados à reunião anual em uma oferta regional recorrente, acessível ao longo de todo o ano.

Os grupos de trabalho revelam níveis desiguais de participação

Os relatórios internos da PMAC também expuseram a diferença entre criar um grupo de trabalho e conseguir manter uma participação contínua dos portos.

Segundo os dados apresentados, o grupo de digitalização precisou de vários anos para alcançar uma taxa de resposta próxima de 90% em seus levantamentos. Já o exercício conduzido pela frente de eficiência portuária ainda recebia respostas de apenas cerca de 30% dos portos consultados.

Os representantes dos associados solicitaram de forma explícita que as autoridades portuárias participem com maior regularidade das reuniões dos grupos de trabalho e respondam às pesquisas e questionários enviados.

Essa diferença é importante porque normas regionais não podem ser desenvolvidas sem informações comparáveis. A PMAC pode buscar a harmonização de indicadores de produtividade, práticas digitais ou planos de resiliência, mas, para isso, precisa primeiro reunir dados suficientes diretamente dos portos.

A associação também enfrenta uma limitação financeira. Telemaque informou que alguns membros portuários e associados ainda não haviam quitado suas contribuições, reduzindo os recursos disponíveis para executar as atividades planejadas.

Ele relacionou essa questão diretamente à capacidade da PMAC de fortalecer seu secretariado e prestar apoio mais consistente aos membros:

“Precisamos construir um sistema que nos permita trabalhar com os portos de forma regular.”

A associação administra, portanto, duas formas de crescimento ao mesmo tempo: uma base de membros maior e uma carga de trabalho também mais ampla. Mais integrantes criam novas oportunidades de colaboração, mas também aumentam o volume de coordenação, coleta de dados e acompanhamento de projetos exigido de uma estrutura administrativa relativamente limitada.

A representação regional torna-se cada vez mais ativa

As ambições da PMAC agora vão muito além da realização de sua Assembleia Geral anual.

Em seu relatório, Darwin Telemaque informou que, desde a AGM anterior, a associação participou de 12 missões e encontros distribuídos por três continentes, além de diversas iniciativas realizadas na região do Caribe.

Essas atividades incluíram participação em discussões ligadas à CARICOM, reuniões em Miami e nas Bahamas, intercâmbio com a União Europeia e apresentações da estratégia dos cinco pilares da PMAC a parceiros internacionais.

Telemaque também destacou um encontro com o governo dos Estados Unidos, que reuniu representantes de cerca de 40 empresas e instituições do setor privado. O objetivo foi apresentar as prioridades dos portos caribenhos a potenciais parceiros técnicos e financeiros, evitando que cada porto de menor porte tivesse de conduzir essas negociações de forma isolada.

Paralelamente, a associação busca fortalecer seu reconhecimento institucional junto à CARICOM. Embora a PMAC já participe de diferentes fóruns regionais, sua liderança pretende consolidá-la como uma referência ainda mais clara para a formulação de políticas portuárias e para a coordenação de projetos regionais.

Esse posicionamento institucional também poderá reduzir esforços duplicados. Durante a Assembleia Geral, participantes observaram que diferentes organizações frequentemente encomendam estudos semelhantes ou abordam portos individualmente com programas comparáveis, sem um mecanismo regional de coordenação.

Uma plataforma coordenadora permitiria consolidar necessidades comuns, identificar prioridades técnicas compartilhadas e determinar quando um único estudo regional ou um modelo comum poderia atender simultaneamente a vários portos.

Da representação à preparação de projetos

O papel que a PMAC pretende desempenhar também avança para uma etapa anterior ao desenvolvimento dos projetos.

Segundo Telemaque, a associação precisa ter acesso a especialistas regionais e consultores capazes de apoiar os portos na estruturação de suas necessidades antes mesmo da realização de estudos de viabilidade ou da busca por financiamento externo.

Ele apontou a existência de uma lacuna entre os especialistas internacionais e o conhecimento operacional acumulado pelas autoridades portuárias locais. Consultores estrangeiros dominam normas técnicas e mecanismos de financiamento, enquanto especialistas da região conhecem melhor o contexto institucional, os interlocutores locais e as especificidades operacionais necessárias para estruturar projetos mais adequados.

O desafio, entretanto, é uma questão de capacidade institucional. A PMAC ainda não dispõe de recursos suficientes para manter internamente especialistas em áreas como energia, digitalização, infraestrutura, segurança e operações portuárias.

Durante as discussões sobre financiamento, Telemaque sugeriu aproximar especialistas temáticos e consultores regionais da associação, para que os portos possam receber apoio já na fase de pré-viabilidade dos projetos.

Essa proposta dá um significado prático ao crescimento da base de membros. Uma rede maior pode permitir que os portos compartilhem conhecimento, dividam os custos da preparação técnica e negociem coletivamente com parceiros internacionais. Sem uma capacidade de execução mais robusta, porém, existe o risco de que essa rede produza mais debates do que projetos efetivamente implementados.

A expansão da PMAC oferece aos portos do Caribe uma plataforma coletiva mais ampla e representativa. O verdadeiro indicador de sucesso, entretanto, não será o número de organizações presentes na Assembleia Geral, mas a capacidade da associação de transformar essa rede em programas permanentes de capacitação, dados comparáveis, padrões regionais e projetos prontos para investimento ao longo dos meses que separam uma reunião anual da outra.


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