A América Latina oferecerá 46,9 milhões de assentos aéreos programados em setembro de 2026, um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior. No entanto, essa expansão está cada vez mais desigual: a capacidade doméstica e intrarregional continua crescendo, enquanto o mercado norte-americano perdeu mais de 400 mil assentos. Os dados da OAG sugerem que a próxima fase de crescimento da aviação regional poderá ser definida menos pelo volume total e mais pelos mercados em que a nova capacidade está sendo alocada.
A América Latina continua sendo um mercado em expansão em setembro de 2026, mas o número geral esconde uma mudança importante. A OAG contabiliza 46,9 milhões de assentos programados na região, ante 45,9 milhões em setembro de 2025. A capacidade doméstica aumentou 4%, para 27,88 milhões de assentos, enquanto a capacidade internacional recuou ligeiramente, 0,1%, para 19,05 milhões. Esse contraste indica que a aviação regional continua crescendo, mas não pelos mesmos mercados ou corredores.
Os números internacionais de setembro de 2026 tornam-se ainda mais reveladores quando a capacidade é analisada por região de destino. A América do Norte continua sendo o maior mercado internacional da América Latina, com 9,07 milhões de assentos, mas a capacidade caiu 4,2%, o equivalente a 401.028 assentos a menos do que em setembro de 2025. A capacidade intralatino-americana seguiu na direção oposta, crescendo 3,4%, para 6,34 milhões de assentos, enquanto a capacidade entre a América Latina e a Europa aumentou 4,1%, para 3,36 milhões.
A perda de mais de 400 mil assentos para a América do Norte é suficientemente significativa para absorver grande parte da capacidade adicionada em outros mercados. As ligações intralatino-americanas ganharam quase 209 mil assentos, e os mercados europeus, mais de 132 mil, enquanto mercados menores, incluindo Ásia-Pacífico e África, também avançam a partir de bases reduzidas. Portanto, a capacidade internacional não está enfraquecendo de maneira uniforme. Os dados de setembro de 2026 apontam, sobretudo, para uma redistribuição do crescimento entre os principais corredores.

O crescimento se desloca para o sul e para dentro da região
A América do Sul oferece algumas das evidências mais claras dessa redistribuição. Segundo a OAG, a parte sul da América do Sul responderá por 17,8 milhões de assentos em setembro de 2026, cerca de um milhão a mais do que um ano antes. O Brasil continua sendo o maior mercado aéreo da América Latina, com 12,53 milhões de assentos, alta de 5,3%, enquanto a Argentina registra o maior crescimento percentual entre os principais mercados nacionais, com 15,5%. O Panamá também apresenta forte expansão, com a capacidade programada crescendo 11,5%.
Somente o mercado doméstico brasileiro oferecerá 11,1 milhões de assentos em setembro de 2026, um aumento de 5,6%, ou quase 590 mil assentos adicionais em relação a setembro de 2025. O Brasil demonstra, assim, como a escala do mercado doméstico pode continuar sustentando o crescimento da capacidade regional mesmo quando alguns segmentos internacionais perdem dinamismo. O México, por outro lado, terá cerca de 130.900 assentos a menos no total do que um ano antes, segundo a OAG.
O ranking das companhias aéreas latino-americanas reforça esse cenário desigual. A LATAM Airlines Group permanece como a maior companhia da região, com 9,01 milhões de assentos em setembro de 2026, alta de 4,7%, enquanto a GOL amplia sua capacidade em 10,4%. A Copa Airlines registra o crescimento mais rápido entre as dez maiores companhias, com 15,5%, adicionando aproximadamente 250.300 assentos, seguida pela JetSMART, com alta de 14,9%. Aeromexico e VivaAerobus seguem na direção oposta, reduzindo sua capacidade programada em 2,3% e 1,7%, respectivamente.
Os maiores aeroportos da América Latina apresentam uma divergência semelhante. São Paulo-Guarulhos, no Brasil, continua sendo o maior aeroporto da região em capacidade programada, com 2,41 milhões de assentos em setembro de 2026, enquanto Panama City, no Panamá, cresce 12,3%, e Buenos Aires Aeroparque, na Argentina, 14,6%.
Lima, no Peru, registra crescimento de 7,7%, e Rio de Janeiro-Galeão, no Brasil, de 8,2%. Cancún, no México, destaca-se na direção oposta, com queda de 12,3% na capacidade e quase 130 mil assentos a menos do que em setembro de 2025.
O mercado Estados Unidos–México ajuda a explicar a queda na América do Norte
O mercado entre Estados Unidos e México oferece um dos exemplos mais claros das mudanças em curso entre a América Latina e a América do Norte. Em julho de 2026, a OAG estimou que as companhias aéreas norte-americanas operariam cerca de um milhão de assentos a menos para o México durante o verão de 2026 em comparação com o verão de 2025. A American Airlines havia retirado quase 170 mil assentos na comparação anual, enquanto a Alaska Airlines havia reduzido sua capacidade em aproximadamente 240 mil assentos, ou 38%.
Os destinos mexicanos de lazer absorveram algumas das maiores reduções de capacidade provenientes dos Estados Unidos. A capacidade programada dos Estados Unidos para Cancún cai 15,5% entre os verões de 2025 e 2026, enquanto Puerto Vallarta registra queda de 29,6% e San José del Cabo, de 16,6%. No mesmo período, Mexico City cresce 2,3%, Guadalajara 7,4% e Querétaro 24,6%. O ajuste no mercado Estados Unidos–México, portanto, não representa uma retirada uniforme do México; a capacidade está sendo redistribuída entre diferentes tipos de destinos.
O equilíbrio competitivo no corredor Estados Unidos–México também está mudando. Companhias aéreas sediadas no México representam 40% da capacidade programada no verão de 2026, ante 34% no verão de 2024. A OAG associa parte dessa mudança ao crescimento das frotas das companhias low-cost mexicanas e às reduções de capacidade realizadas pelas empresas norte-americanas. O resultado não é apenas um mercado menor em determinados segmentos, mas uma nova distribuição da capacidade entre os operadores.
Assentos programados são apenas parte do cenário
A programação da OAG para setembro de 2026 não deve ser interpretada como evidência de que a demanda internacional esteja diminuindo de forma generalizada na América Latina. Dados da International Air Transport Association (IATA) referentes a julho de 2026 mostram que as companhias aéreas latino-americanas registraram crescimento anual de 7,1% nos passageiros-quilômetros pagos (RPK) internacionais, enquanto a capacidade internacional, medida em assentos-quilômetros disponíveis (ASK), aumentou 7,2%. Em comparação, as companhias norte-americanas registraram queda de 2,3% tanto na demanda quanto na capacidade internacionais em julho de 2026.
As companhias aéreas da América Latina e do Caribe já haviam enfrentado um ambiente de tráfego mais difícil no início de 2026. A Latin American and Caribbean Air Transport Association (ALTA) registrou 37,3 milhões de passageiros em junho de 2026, queda de 2,3% em relação a junho de 2025 e a primeira retração mensal na comparação anual registrada na região desde 2021.
Os assentos-quilômetros disponíveis ainda aumentaram 0,9%, enquanto os passageiros-quilômetros pagos caíram 1% e a taxa média de ocupação recuou para 81,6%. O primeiro semestre de 2026, no entanto, permaneceu positivo, com 242,8 milhões de passageiros, alta de 3,4% na comparação anual.
A combinação dos dados da OAG, IATA e ALTA revela, portanto, um mercado mais complexo do que as expressões “crescimento contínuo” ou “desaceleração internacional” poderiam sugerir. A aviação latino-americana continua crescendo em termos agregados, mas a expansão da capacidade está se tornando mais seletiva entre mercados domésticos, corredores internacionais, companhias aéreas e aeroportos.
A América do Norte é atualmente o principal ponto de fraqueza da capacidade internacional programada, enquanto a conectividade intrarregional, a Europa e vários mercados sul-americanos continuam adicionando assentos.
A próxima fase de crescimento da aviação na América Latina poderá, portanto, depender menos do número total de assentos adicionados e mais de quais mercados, hubs e corredores conseguirão capturá-los. Setembro de 2026 mostra uma região em que a escala dos mercados domésticos continua sendo determinante, a capacidade intralatino-americana está aumentando e grandes operadores sul-americanos seguem em expansão, mesmo enquanto o maior corredor internacional da região se contrai.
Para aeroportos e companhias aéreas, compreender esse novo mapa do crescimento pode se tornar mais relevante do que acompanhar apenas o indicador regional agregado.
Fontes: OAG, Latin American Aviation Market – September 2026; OAG, One Million Seats Gone: The Forces Reshaping US-Mexico Aviation, 29 de julho de 2026; ALTA, Air Traffic in Latin America and the Caribbean – June 2026, 14 de agosto de 2026; IATA, Air Passenger Market Analysis – July 2026, 31 de agosto de 2026.
Quantos assentos aéreos estão programados na América Latina em setembro de 2026?
Segundo a OAG, estão programados 46,9 milhões de assentos em setembro de 2026, um aumento de 2,3% em relação a setembro de 2025.
A capacidade aérea internacional está diminuindo na América Latina?
A capacidade internacional total recua apenas 0,1% na comparação anual. Esse resultado, porém, esconde o crescimento das ligações dentro da América Latina e com a Europa, ao mesmo tempo em que a capacidade para a América do Norte cai 4,2%.
Qual mercado internacional perdeu mais capacidade?
A América do Norte perdeu 401.028 assentos programados a partir da América Latina em comparação com setembro de 2025, a maior queda absoluta entre as regiões de destino analisadas pela OAG.
A queda da capacidade programada significa necessariamente uma queda na demanda de passageiros?
Não. Os assentos programados medem a capacidade planejada pelas companhias aéreas, enquanto os dados de tráfego de passageiros e RPK refletem a atividade efetivamente realizada. A IATA registrou crescimento de 7,1% na demanda internacional das companhias latino-americanas em julho de 2026, apesar do padrão diferente observado na capacidade programada pela OAG para setembro.




