Muito além dos aeroportos: a aviação sustenta 10,6% do PIB da República Dominicana

O transporte aéreo sustenta cerca de US$ 12,9 bilhões em atividade econômica na República Dominicana, o equivalente a 10,6% do PIB nacional, segundo o relatório Value of Air Transport da IATA. Considerando seu impacto ampliado, o setor também apoia quase 550 mil empregos em toda a economia.

No entanto, esses números contam apenas parte da história. O relatório evidencia uma diferença significativa entre a contribuição econômica direta da aviação e o valor muito maior gerado pelas cadeias de suprimentos, pelos gastos dos trabalhadores e, sobretudo, pelo turismo. Essa distinção é fundamental para compreender como o transporte aéreo contribui para a economia dominicana.

A contribuição direta da aviação é muito menor

As atividades diretamente ligadas à aviação empregam 14.300 pessoas e geram US$ 342,5 milhões em valor econômico, o equivalente a 0,3% do PIB.

A IATA adota uma definição ampla desse ecossistema direto. Ele inclui companhias aéreas, operadores aeroportuários e empresas instaladas nos aeroportos, provedores de serviços de navegação aérea (ANSPs) e fabricantes ligados ao setor aeronáutico.

Dentro desse universo, as companhias aéreas respondem por US$ 105,5 milhões em atividade econômica e 3.100 empregos. Já os aeroportos, os ANSPs e a indústria de manufatura associada geram outros US$ 237 milhões e sustentam 11.200 postos de trabalho.

Embora relevantes, esses números permanecem muito abaixo dos US$ 12,9 bilhões atribuídos ao impacto econômico total da aviação. A diferença reflete os diversos canais por meio dos quais o transporte aéreo impulsiona a economia como um todo.

O turismo responde pela maior parte do impacto ampliado

O principal componente desse impacto é o turismo viabilizado pela conectividade aérea.

Segundo o relatório, essa atividade contribui com US$ 12 bilhões para o PIB e sustenta 513.300 empregos. Os turistas internacionais também injetam cerca de US$ 10,1 bilhões por ano na economia dominicana por meio da compra de bens e serviços oferecidos por empresas locais.

A dimensão desses números mostra onde grande parte do valor econômico da aviação realmente se materializa. Esse impacto vai muito além dos balanços financeiros das companhias aéreas e das operações aeroportuárias, alcançando os setores de hospedagem, alimentação, transporte terrestre e diversas outras atividades impulsionadas pelos gastos dos visitantes.

Essa distinção é importante. O relatório não afirma que companhias aéreas e aeroportos gerem diretamente US$ 12,9 bilhões. Esse valor incorpora também os efeitos indiretos das cadeias de suprimentos, os gastos dos trabalhadores e, sobretudo, a contribuição muito maior do turismo possibilitado pelo acesso aéreo.

O acesso aéreo como infraestrutura econômica

Para a República Dominicana, os resultados reforçam que a aviação vai muito além de um simples setor de transporte. A conectividade aérea sustenta uma economia fortemente dependente dos fluxos internacionais de visitantes.

Esse papel torna-se particularmente evidente quando se compara os 14.300 empregos diretamente ligados à aviação com os 513.300 empregos associados ao turismo sustentado pelo transporte aéreo. A diferença ilustra como a conectividade gera valor econômico muito além dos aeroportos e das companhias aéreas.

Ela também revela uma forma específica de interdependência. A contribuição econômica proporcionada pelo transporte aéreo depende não apenas do desempenho das empresas do setor, mas também da capacidade do destino de transformar o acesso internacional em consumo local, geração de empregos e atividade empresarial.

O resultado é um modelo no qual a maior contribuição da aviação encontra-se fora dos limites diretos do próprio setor. Na República Dominicana, o verdadeiro valor do transporte aéreo está tanto na atividade econômica que ele possibilita quanto na atividade gerada pela própria aviação.


Fonte: IATA, “The Value of Air Transport to the Dominican Republic”. Os principais indicadores econômicos referem-se a 2023 e utilizam dados da Oxford Economics e de outras fontes identificadas no relatório.

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