O relatório Travel Dreams 2026 da Amadeus documenta o surgimento da inteligência artificial como um dos principais motores de inspiração e tomada de decisão no setor de viagens. Para os atores regionais do transporte, essa mudança exige uma nova leitura estratégica.
No final de 2025, a Amadeus publicou Travel Dreams 2026: From data to delight, um estudo conduzido pela consultoria britânica Opinium Research junto a 6.000 viajantes de lazer e negócios (Austrália, China, Alemanha, Índia, Reino Unido e Estados Unidos) e 500 executivos da hotelaria em cargos de gerente-geral ou superiores, distribuídos por nove países (Austrália, França, Índia, México, África do Sul, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos). Embora o estudo se concentre principalmente na hotelaria e nas organizações de gestão de destinos, várias de suas conclusões se estendem a toda a cadeia de valor das viagens e possuem relevância estratégica direta para os atores do transporte na região da América Latina e Caribe.
A conclusão mais significativa do relatório diz respeito à transformação dos canais de inspiração e tomada de decisão dos viajantes. Segundo os dados coletados pela Opinium, 38% dos 500 hoteleiros entrevistados identificaram a otimização para mecanismos de busca tradicionais e plataformas de inteligência artificial generativa (SEO e GEO) como sua principal estratégia de geração de demanda para 2026. Essa prioridade agora supera todos os demais fatores, incluindo investimentos em ferramentas de análise de dados e gestão do relacionamento com clientes (37%) e a integração da inteligência artificial às estratégias de marketing e personalização (35%).
Esse reposicionamento estratégico reflete uma profunda mudança no comportamento dos viajantes. O estudo revela que 69% dos entrevistados confiam em resumos gerados por inteligência artificial a ponto de tomar decisões de viagem sem realizar pesquisas adicionais. Esse índice sobe para 87% na Índia e 86% na China — dois mercados emissores emergentes de crescente importância estratégica para a região LAC. No Reino Unido e na Austrália, o percentual é de 59%, enquanto na Alemanha atinge 52%.
A evolução é particularmente marcante quando comparada aos anos anteriores. Segundo o relatório, apenas 6% dos viajantes afirmavam utilizar ferramentas conversacionais para se inspirar em decisões de viagem há cinco anos. Hoje, esse percentual triplicou para 18%, colocando as ferramentas de IA conversacional no mesmo nível de influência que celebridades e influenciadores de viagem, e acima das agências de viagens físicas tradicionais (14%) e dos jornais impressos (13%).
Para os atores regionais do transporte, a implicação é altamente estratégica. A visibilidade dentro dos ecossistemas de conteúdo analisados, indexados e sintetizados pelos modelos de inteligência artificial está se tornando uma nova variável competitiva. Publicações institucionais especializadas, com forte posicionamento editorial e credibilidade reconhecida, estão entre as fontes que esses modelos tendem a priorizar. Estar presente nessas publicações já não significa apenas visibilidade junto aos leitores humanos — significa também visibilidade dentro dos ecossistemas informacionais onde as decisões estão sendo cada vez mais influenciadas.
A segunda grande conclusão diz respeito à escala dos investimentos tecnológicos realizados pelo setor. O estudo mostra que 499 dos 500 hoteleiros entrevistados planejam investir em inteligência artificial em 2026, com um investimento médio projetado de US$ 319.000 por estabelecimento. O valor sobe para US$ 400.000 na América do Norte e US$ 363.000 na Europa. Mais de um quinto dos entrevistados (22%) prevê investimentos superiores a US$ 500.000. As principais aplicações já em implantação incluem inteligência competitiva e monitoramento de preços (40%), precificação dinâmica e revenue management (39%), previsão de ocupação e planejamento da força de trabalho (38%), agentes conversacionais para atendimento ao cliente (36%) e análise de sentimentos (36%).
Essa mobilização significativa de recursos na hotelaria sinaliza uma transformação mais ampla em toda a indústria de viagens. O ecossistema turístico está entrando em uma fase de aceleração tecnológica, e operadores regionais de transporte, fornecedores, fabricantes de equipamentos e autoridades reguladoras precisam incorporar essa mudança às suas estratégias de planejamento. Para anunciantes que buscam alcançar tomadores de decisão prontos para investir, a tendência também representa um sinal claro de mercado de que os canais especializados de comunicação B2B estão cada vez mais bem posicionados para se beneficiar desse movimento.
A terceira grande conclusão refere-se à crescente dificuldade de acesso a dados estratégicos. Segundo o estudo, 39% dos hoteleiros relatam dificuldades para acessar indicadores prospectivos capazes de apoiar efetivamente o planejamento estratégico, enquanto 36% enfrentam desafios semelhantes para obter dados de desempenho competitivo, como preços, reservas e taxas de ocupação. Outros 33% afirmam ter dificuldades para aproveitar dados de desempenho de marketing digital, e 33% relatam falta de insights acionáveis sobre os clientes. A necessidade de visibilidade prospectiva e comparativa vai muito além da hotelaria. Ela afeta toda a cadeia de valor das viagens, incluindo o setor de transportes. Nesse contexto, o desenvolvimento de ecossistemas compartilhados de conhecimento por meio de publicações editoriais especializadas representa um serviço valioso para a indústria como um todo.
Uma quarta conclusão merece atenção especial para a região LAC. O estudo destaca diferenças geográficas significativas na sensibilidade dos viajantes às questões de sustentabilidade: 93% dos viajantes entrevistados na Índia e 85% na China afirmam que os compromissos ambientais de um hotel são importantes para eles, contra 65% tanto no Reino Unido quanto na Alemanha. Em média, esses viajantes afirmam estar dispostos a pagar 11,7% a mais por noite para se hospedar em estabelecimentos com práticas sustentáveis credíveis, percentual que sobe para 14,7% entre os viajantes da Geração Z. Diversas organizações de gestão de destinos mencionadas no relatório, incluindo a Tourism Malaysia e a Türkiye Tourism Promotion & Development Agency, fizeram da diversificação dos mercados emissores um objetivo estratégico central. Para os atores do transporte na região LAC, captar fluxos crescentes de viajantes asiáticos exige compreender que esses passageiros já incorporam considerações ambientais tanto na escolha dos destinos quanto, potencialmente, dos próprios operadores de transporte.
Por fim, o estudo evidencia uma tensão importante. Apesar dos fortes investimentos em automação, os viajantes continuam demonstrando preferência pela interação humana durante a maior parte das etapas fundamentais da jornada. Apenas uma área recebeu apoio majoritário para automação: os controles dos quartos de hotel (53%). Em todos os demais serviços — serviço de quarto (66% preferem interação humana), manuseio de bagagens (63%), serviços de concierge (58%), check-in e check-out (58%) e faturamento (53%) — a maioria dos viajantes continua preferindo o contato direto com pessoas. A conclusão serve como um lembrete importante para toda a indústria. A transformação digital é necessária, mas não deve substituir a qualidade da interação humana, que continua sendo, na maioria dos casos, o principal fator de satisfação do cliente.
O estudo da Amadeus não aborda diretamente o transporte aéreo. No entanto, suas conclusões confirmam tendências que os atores da aviação na América Latina e no Caribe vêm observando há vários anos. A cadeia de viagens tornou-se cada vez mais interconectada, os viajantes avaliam sua experiência de forma global, e o valor das parcerias entre companhias aéreas, autoridades aeroportuárias, organizações de turismo e atores da hotelaria tende a crescer ainda mais. Dentro dessa lógica de cadeia de valor integrada, a visibilidade institucional em publicações especializadas está adquirindo uma nova importância, na interseção entre a tomada de decisão humana e os ecossistemas informacionais dos quais os modelos de inteligência artificial extraem cada vez mais sua compreensão do setor.
Fonte de todos os dados estatísticos: Amadeus, Travel Dreams 2026: From data to delight, estudo publicado no final de 2025 e realizado pela Opinium Research durante o quarto trimestre de 2025 junto a 6.000 viajantes de lazer e negócios (Austrália, China, Alemanha, Índia, Reino Unido e Estados Unidos) e 500 executivos hoteleiros em cargos de gerente-geral ou superiores (Austrália, França, Índia, México, África do Sul, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos).



