A América Latina impulsiona o crescimento do 1º trimestre da VINCI Airports, mas as tendências regionais divergem

A América Latina surgiu como o principal motor do crescimento do tráfego em toda a rede da VINCI Airports no primeiro trimestre de 2026, com vários mercados expandindo bem acima do ritmo global do grupo. Ainda assim, o panorama regional permaneceu desigual, moldado por diferentes combinações de demanda doméstica, expansão das companhias aéreas, conectividade internacional e restrições de frota.

De acordo com dados divulgados pela VINCI Airports, mais de 74 milhões de passageiros viajaram por sua rede de aeroportos durante o trimestre, alta de 1,5% na comparação anual. A operadora afirmou que o resultado refletiu a resiliência de seu portfólio geograficamente diversificado, apesar das interrupções ligadas ao conflito no Oriente Médio e às tensões entre China e Japão.

Na América Latina e no Caribe, porém, o crescimento foi significativamente mais forte em vários mercados. O tráfego de passageiros aumentou 12% na Costa Rica, 9,9% em todo o portfólio da República Dominicana, 8% no Brasil e 5% em todos os aeroportos da OMA no México. O Chile foi a principal exceção, com o Aeroporto de Santiago em queda de 1,8%.

Brasil e México avançam com dinâmicas de tráfego diferentes

O Brasil esteve entre os maiores contribuintes para o desempenho regional, com o portfólio da VINCI Airports movimentando 3,5 milhões de passageiros, um aumento de 8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

O Aeroporto de Salvador Bahia liderou o mercado com 2,28 milhões de passageiros e crescimento de 12%. A VINCI Airports vinculou o aumento à ampliação de serviços da GOL, Azul e LATAM, além da demanda sustentada de longa distância via TAP. Manaus também registrou um trimestre forte, com o tráfego de passageiros subindo 9,1%.

O quadro mais amplo no Brasil foi mais misto. Porto Velho caiu 6,6%, enquanto Boa Vista e Rio Branco recuaram 23% e 19%, respectivamente. Essa divergência mostra que o aumento em nível nacional se concentrou nas plataformas de melhor desempenho, em vez de se distribuir de forma uniforme por todo o portfólio.

O México seguiu um padrão diferente. O tráfego de passageiros em todo o portfólio da OMA subiu 5%, para 6,77 milhões. Monterrey, o maior aeroporto do portfólio mexicano do grupo em volume de passageiros, movimentou 3,58 milhões de viajantes, alta de 8,2%, com a VINCI Airports apontando o tráfego doméstico como a principal fonte de impulso.

Vários aeroportos mexicanos menores também registraram ganhos de dois dígitos, incluindo Durango com 19%, Zacatecas com 17%, San Luis Potosí com 15% e Tampico com 13%. Ao mesmo tempo, o tráfego caiu em Mazatlán, Culiacán, Ciudad Juárez e Reynosa, reforçando a natureza desigual do crescimento dentro de mercados nacionais individuais.

Mercados do Caribe e da América Central mantêm forte impulso

Na República Dominicana, o tráfego de passageiros em todo o portfólio da Aerodom aumentou 9,9%, para 1,79 milhão. Santo Domingo respondeu pela maior parte desse volume, chegando a 1,38 milhão de passageiros após um aumento de 10% na comparação anual.

A VINCI Airports destacou a forte evolução da Arajet em Santo Domingo como um fator-chave por trás do desempenho do mercado. Samaná registrou o aumento percentual mais rápido do portfólio, alta de 64%, embora a partir de uma base de tráfego muito menor, de 63.000 passageiros.

A Costa Rica também permaneceu como um dos mercados de crescimento mais fortes da rede. O Aeroporto de Guanacaste movimentou 793.000 passageiros no trimestre, um aumento de 12%, à medida que o país continuou a fortalecer seu apelo internacional.

O quadro operacional ali foi particularmente notável: os movimentos de aeronaves comerciais subiram 26%, mais do que o dobro do ritmo de crescimento de passageiros. Em toda a rede global da VINCI Airports, a tendência foi na direção oposta, com o tráfego de passageiros aumentando 1,5% enquanto os movimentos comerciais caíram 0,8%.

Esses números apontam para padrões distintos de capacidade e tráfego em todo o portfólio. No entanto, os dados divulgados pela operadora não fornecem detalhes suficientes para tirar conclusões sobre fatores de ocupação, porte das aeronaves ou capacidade de assentos.

Santiago evidencia os limites de uma narrativa regional uniforme de crescimento

O Chile se destacou do impulso regional mais amplo. O Aeroporto de Santiago movimentou 7,39 milhões de passageiros no primeiro trimestre, queda de 1,8% na comparação anual, enquanto os movimentos de aeronaves comerciais recuaram 3,9%.

A VINCI Airports atribuiu a queda a problemas de alocação de frota que afetaram a SKY Airline. O resultado ilustra como restrições operacionais no nível das companhias aéreas podem pesar sobre o tráfego aeroportuário mesmo quando a região mais ampla está em expansão.

O contraste é significativo. Enquanto Costa Rica, República Dominicana, Brasil e México superaram o crescimento de 1,5% registrado em toda a rede global da VINCI Airports, Santiago se moveu na direção oposta.

Em conjunto, os números do primeiro trimestre mostram um portfólio na América Latina e no Caribe sustentado por vários motores de crescimento distintos, em vez de uma única tendência regional. A demanda doméstica fortaleceu Monterrey, a expansão das companhias aéreas sustentou Salvador, a Arajet contribuiu para o impulso em Santo Domingo, e a demanda internacional permaneceu central para o desempenho de Guanacaste.

Para operadores aeroportuários e parceiros de companhias aéreas, essa diversidade pode ser uma das características definidoras da região em 2026: o crescimento permanece amplo em vários mercados, mas seus motores — e suas vulnerabilidades — continuam a diferir acentuadamente de uma plataforma para outra.


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