A Colômbia acelera, o México se estabiliza e Porto Rico perde fôlego — os dados do início de 2026 revelam mudanças nos padrões de demanda dentro de um dos maiores portfólios aeroportuários da região.
Trajetórias divergentes dentro do portfólio da ASUR
Os dados de passageiros de janeiro de 2026 divulgados pelo Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) vão além de uma simples atualização de tráfego. Por trás do crescimento consolidado de 3,6% em relação ao ano anterior — alcançando 6,66 milhões de passageiros — emerge uma leitura mais estratégica: a demanda aérea na América Latina e no Caribe já não evolui de forma homogênea.
Dentro de um único portfólio aeroportuário que abrange México, Colômbia e Porto Rico, três ciclos distintos de demanda tornam-se visíveis. O contraste é evidente — e estrategicamente relevante.
Colômbia surge como motor de crescimento
A Colômbia apresentou o desempenho mais robusto do mês, com alta de 15,0% no tráfego de passageiros, totalizando 1,72 milhão de viajantes. O impulso foi majoritariamente doméstico, com o mercado interno crescendo 18,3%, enquanto o tráfego internacional avançou 5,2%.
O Aeroporto Internacional José María Córdova, em Medellín (MDE – Rionegro), permanece como o principal vetor dessa expansão. O tráfego total no aeroporto aumentou 16,3%, impulsionado por um expressivo crescimento de 21,4% na demanda doméstica. Aeroportos secundários também registraram expansão de dois dígitos: Montería (+18,1%), Carepa (+19,9%) e Quibdó (+14,7%).
A conclusão é clara: a mobilidade aérea interna na Colômbia está se fortalecendo, consolidando Medellín como um hub secundário em ascensão dentro do sistema andino de aviação. Diferentemente de picos pontuais impulsionados por lazer, a expansão doméstica tende a refletir maior resiliência econômica e melhora na conectividade regional.
Para a ASUR, a Colômbia deixou de ser um ativo periférico. Está se tornando o principal vetor de crescimento do grupo.
México: resiliência internacional mascara fraqueza doméstica
O México, que representa mais da metade da base total de passageiros da ASUR, registrou um crescimento modesto de 0,9%, alcançando 3,75 milhões de passageiros.
Entretanto, a composição desse resultado revela um cenário mais complexo. O tráfego internacional avançou 2,5%, enquanto o doméstico recuou 1,2%. Essa divergência sugere que a estabilidade observada no início de 2026 está fortemente sustentada pelo turismo internacional, especialmente proveniente dos Estados Unidos.
O Aeroporto Internacional de Cancún (CUN), principal ativo do portfólio, apresentou leve retração de 1,0%. Considerando que Cancún responde por mais de 70% do tráfego mexicano da ASUR, mesmo pequenas variações têm impacto sistêmico.
Por outro lado, alguns aeroportos secundários mostraram desempenho mais dinâmico. Mérida cresceu 12,9%, Veracruz 11,4% e Villahermosa 6,8%, indicando uma redistribuição gradual dos fluxos dentro da região sudeste.
A questão central é se a desaceleração doméstica no México é cíclica ou estrutural. Caso o turismo internacional permaneça como principal motor de crescimento, o sistema aeroportuário mexicano poderá se tornar mais sensível às condições econômicas externas ao longo de 2026.
Porto Rico: início de ano cauteloso
O Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín (SJU), em San Juan, registrou queda de 2,1% em relação ao ano anterior, totalizando 1,19 milhão de passageiros.
O tráfego doméstico caiu 2,6%, enquanto o internacional cresceu 1,8%. Assim como no México, a demanda internacional demonstra resiliência. No entanto, a retração global sugere pressões competitivas crescentes no mercado aéreo caribenho.
San Juan opera em um ambiente cada vez mais competitivo, disputando fluxos com hubs em expansão acelerada, como Punta Cana e Panamá. Um mês mais fraco não define o desempenho anual, mas sinaliza que o cenário competitivo no Caribe permanece dinâmico.
A fragmentação define o início de 2026
A principal leitura dos dados de janeiro da ASUR não está no crescimento consolidado de 3,6%, mas na fragmentação subjacente.
- Colômbia: forte expansão doméstica e impulso estrutural
- México: estabilidade com dependência do turismo internacional
- Porto Rico: retração moderada em meio à competição regional
Dentro de um único portfólio operacional, a demanda aérea avança em ritmos distintos conforme o mercado. Para investidores, autoridades aeroportuárias e planejadores de rede, essa divergência é relevante.
Ela indica que 2026 não será marcado por uma recuperação regional uniforme. Competitividade, resiliência econômica e estratégia de rotas serão fatores determinantes para o desempenho.
Na aviação da América Latina e do Caribe, o tráfego pode estar crescendo — mas não de forma equilibrada.



