O Canadá tornou-se um dos mercados internacionais de melhor desempenho para o Guadeloupe Airport Maryse Condé, enquanto o gateway caribenho francês registrou um forte aumento no tráfego de passageiros canadenses em março de 2026, ao mesmo tempo em que a conectividade regional continua se reorganizando após o colapso da Air Antilles.
Segundo os mais recentes dados de tráfego do aeroporto, as rotas entre Guadalupe e Canadá transportaram 18.963 passageiros em março, um aumento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete a crescente demanda de viajantes canadenses e reforça a importância estratégica da conectividade norte-americana para destinos caribenhos que buscam diversificar além de seus mercados europeus tradicionais.
O aeroporto associou diretamente esse crescimento ao recente lançamento das rotas para Toronto e Québec City, dois serviços que estão ampliando o alcance da Guadalupe dentro do mercado canadense de turismo emissivo.
A América do Norte ganha força enquanto Paris se estabiliza
Enquanto o tráfego canadense avançou fortemente, o mercado historicamente dominante da França metropolitana permaneceu relativamente estável. O tráfego nas rotas para Paris e Nantes alcançou 138.339 passageiros em março de 2026, contra 137.815 no mesmo período do ano anterior, representando um crescimento modesto de 0,4%.
O aeroporto atribuiu essa estabilidade à recuperação da oferta de assentos nas rotas para Paris após ajustes anteriores de capacidade.
O contraste entre o mercado maduro de Paris e a rápida expansão do tráfego canadense evidencia uma mudança mais ampla que vem se tornando cada vez mais visível nas redes aéreas caribenhas. Aeroportos e autoridades de turismo da região buscam reduzir a dependência de um número limitado de mercados emissores, fortalecendo conexões com a América do Norte, onde a recuperação da demanda e o poder de consumo permanecem relativamente sólidos.
Para Guadalupe, os números mais recentes sugerem que essa estratégia começa a se traduzir em crescimento mensurável de tráfego.
A recuperação caribenha segue desigual após a Air Antilles
O tráfego regional também registrou forte crescimento em março, com o volume de passageiros caribenhos aumentando 30,6% em comparação com março de 2025. O aeroporto destacou os bons resultados da Caribbean Airlines, além da recuperação da demanda nas rotas para Santo Domingo e Cap-Haïtien.
No entanto, por trás dessa recuperação regional, os números também revelam uma rede caribenha ainda em processo de adaptação após a suspensão das operações da Air Antilles.
As rotas anteriormente dependentes da companhia continuam registrando quedas significativas. O tráfego na rede das “Northern Islands” caiu 20,3% em relação ao ano anterior, totalizando 12.278 passageiros, enquanto o corredor Martinica–Guiana Francesa recuou 17,2%.
Essas tendências contrastantes ilustram o caráter desigual da recuperação da aviação regional no Caribe francês. Enquanto algumas rotas internacionais e regionais conseguem reconstruir tráfego por meio de novos operadores e estratégias revisadas de rede, outros mercados interilhas permanecem estruturalmente frágeis após o desaparecimento de uma importante companhia aérea regional.
O tráfego do primeiro trimestre recua apesar do crescimento da carga aérea
No total, o Guadeloupe Maryse Condé Airport movimentou 207.766 passageiros em março. O tráfego acumulado do primeiro trimestre atingiu 641.799 passageiros, representando uma queda de 2,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo o aeroporto, essa retração já era esperada devido a dois fatores principais: a suspensão dos voos europeus ligados ao mercado de cruzeiros desde dezembro e a paralisação operacional da Air Antilles.
O aeroporto também destacou o impacto crescente da regulamentação ambiental europeia sobre a economia da aviação. O mecanismo de compensação de carbono EU ETS, aplicado aos voos originados na Europa, deverá acrescentar aproximadamente EUR 240 ao preço de uma passagem de ida e volta. Os voos partindo da França continental continuam isentos do sistema.
Apesar da desaceleração nos volumes de passageiros, a atividade de carga aérea continuou avançando. Os volumes de freight movimentados pelo aeroporto cresceram 6,5% desde o início do ano, alcançando 4.004 toneladas.
O aeroporto acrescentou ainda que as tensões geopolíticas no Oriente Médio ainda não afetaram diretamente os fluxos de tráfego, embora tenha alertado que a recente alta nos preços do combustível de aviação e os consequentes fuel surcharges continuam sendo uma importante fonte de preocupação para o setor.



