A Guiana registrou 443,3 mil embarques internacionais de passageiros em origem-destino (O-D) em 2023, com as viagens internacionais representando 93% de todo o mercado aéreo O-D do país. Embora continue sendo um mercado relativamente pequeno em termos de tráfego global, sua base de passageiros internacionais cresceu 53,6% ao longo da última década, segundo a IATA.
Esse avanço foi impulsionado por um mercado cada vez mais conectado a destinos no exterior, mas ainda fortemente concentrado. A América do Norte respondeu por 57% dos embarques internacionais, enquanto Nova York, sozinha, concentrou mais de um terço de todos os passageiros que deixaram a Guiana com destino ao exterior.
O tráfego internacional define o mercado aéreo da Guiana
Em 2023, a Guiana ocupava a 147ª posição entre os maiores mercados internacionais de transporte aéreo de passageiros do mundo, com base nos embarques O-D. Seus 443,3 mil passageiros internacionais representaram apenas 0,03% do tráfego internacional global e 0,5% do mercado regional correspondente.
Esses números evidenciam a dimensão ainda limitada do setor aéreo guianense em comparação com mercados maiores do Caribe e da América Latina. Ainda assim, a estrutura da demanda chama atenção: apenas 7% dos embarques O-D foram domésticos, enquanto os outros 93% corresponderam a viagens internacionais.
O acesso aos mercados externos ocupa, portanto, uma posição central no modelo de aviação do país. A demanda de passageiros depende fortemente das rotas internacionais que conectam a Guiana a importantes destinos comerciais, turísticos e regionais, e não de uma ampla base de viagens aéreas domésticas.
O crescimento acumulado de 53,6% nos embarques internacionais de passageiros ao longo da década anterior também aponta para uma expansão consistente no longo prazo. O indicador reflete a evolução dos volumes de passageiros O-D, e não o tráfego aeroportuário total ou os movimentos de aeronaves, mas ainda assim evidencia o desenvolvimento mais amplo do mercado aéreo internacional da Guiana.
A América do Norte concentra a maior parte da demanda
A América do Norte foi a principal região de destino dos passageiros que partiram da Guiana em 2023. Cerca de 254,4 mil viajantes, equivalentes a 57% do total internacional, seguiram para destinos na região.
A América Latina — definida pela IATA como América do Sul, América Central e Caribe — respondeu por outros 166 mil embarques, ou 37% do mercado. A Europa recebeu aproximadamente 17,6 mil passageiros, representando 4%.
O tráfego para a região Ásia-Pacífico correspondeu a 1%, enquanto África e Oriente Médio representaram, cada um, menos de 1%.
Os dados revelam um mercado amplamente dominado pela demanda norte-americana, embora as viagens regionais continuem sendo um componente importante. Mais de um terço dos embarques internacionais teve como destino outro mercado da América Latina ou do Caribe, o que demonstra a relevância persistente das conexões aéreas regionais ao lado das rotas de maior distância.
Esse equilíbrio também confere à Guiana um perfil de mercado duplo. A América do Norte concentra o maior volume de passageiros, enquanto os destinos próximos no Caribe e na América do Sul continuam sustentando a mobilidade dentro da região.
Nova York lidera com ampla vantagem entre os principais mercados urbanos
Nova York foi, de longe, o destino internacional mais procurado a partir da Guiana em 2023, com 155,8 mil passageiros embarcados. A cidade respondeu por 35,1% de todo o mercado internacional de passageiros O-D.
Esse volume foi mais de três vezes superior ao de Port of Spain, que ocupou a segunda posição, com 45,3 mil passageiros e participação de 10,2% no mercado. Bridgetown veio em seguida, com 37,3 mil viajantes, o equivalente a 8,4%.
Miami e Paramaribo responderam, cada uma, por cerca de 7,2% dos embarques, com 32,1 mil e 32 mil passageiros, respectivamente. Toronto recebeu 29 mil passageiros, ou 6,5% do mercado.
As demais cidades entre os dez principais destinos foram Havana, com 14,5 mil passageiros; Londres, com 12,2 mil; Orlando, com 7,3 mil; e Santa Lúcia, com 4,6 mil.
Juntos, os três principais mercados urbanos — Nova York, Port of Spain e Bridgetown — concentraram aproximadamente 53,7% dos embarques internacionais. Já os dez maiores destinos representaram cerca de 83,3%, com base nos dados publicados pela IATA.
Esse nível de concentração mostra que grande parte da demanda internacional da Guiana está direcionada a um grupo relativamente restrito de cidades. No entanto, o ranking considera o destino final dos passageiros O-D e não significa, necessariamente, que todas as viagens tenham sido realizadas em voos diretos.
A conectividade se expandiu para além da América Latina
Em 2023, a Guiana contava com três aeroportos atendidos por serviços aéreos comerciais regulares. Sua malha internacional conectava diretamente o país a 14 aeroportos no exterior, distribuídos por 12 países, com cerca de 16 voos internacionais de saída por dia.
A IATA também registrou 11 companhias aéreas em operação e seis novas rotas internacionais lançadas nos cinco anos anteriores. Para que uma companhia fosse considerada ativa, foi adotado o limite mínimo de um serviço regular por semana.
O índice de conectividade internacional do país avançou de forma significativa desde 2014. A conectividade com a América Latina cresceu 54%, enquanto as ligações com todas as demais regiões aumentaram 208%.
Esse avanço muito mais expressivo fora da região sugere que o acesso da Guiana a mercados internacionais mais amplos cresceu em ritmo superior ao de sua rede intrarregional.
Ainda assim, o índice de conectividade não deve ser interpretado como uma medida direta do crescimento do tráfego de passageiros. A IATA calcula esse indicador com base na capacidade disponível nas rotas, ponderando cada conexão de acordo com o porte e a relevância do aeroporto de destino.
Por isso, a abertura ou ampliação de uma rota para um grande hub internacional pode exercer impacto maior sobre o índice do que um serviço semelhante para um aeroporto regional de menor porte
Um mercado de destino, e não um hub regional
Apesar da expansão de sua malha internacional, a Guiana continua sendo, essencialmente, um mercado de origem e destino, e não um hub de conexão aérea.
Segundo a IATA, 99% dos passageiros internacionais que chegaram à Guiana encerraram sua viagem aérea no país ou prosseguiram por outro meio de transporte. Apenas 1% fez conexão para outro voo internacional.
Os dados mostram que os aeroportos guianenses atendem principalmente viajantes cuja jornada começa ou termina no país. Seu papel atual, portanto, está baseado no acesso direto aos principais mercados emissores de passageiros, e não na transferência de viajantes entre destinos de terceiros países.
O mercado aéreo internacional da Guiana cresceu, enquanto o acesso do país a regiões fora da América Latina se fortaleceu de forma considerável. Ainda assim, a demanda permanece concentrada na América do Norte e, sobretudo, em Nova York. A próxima etapa de desenvolvimento do mercado dependerá menos da criação de um hub regional de conexões e mais da consolidação das frequências, da manutenção das novas rotas e da ampliação da oferta de ligações internacionais diretas.
Fonte: IATA, The Value of Air Transport to Guyana. Os indicadores de tráfego referem-se a 2023 e são baseados em dados de passageiros de origem-destino (O-D).



