{"id":27285,"date":"2026-09-01T12:10:00","date_gmt":"2026-09-01T16:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.latitude-15.com\/os-lideres-portuarios-da-america-latina-mudam-quando-a-eficiencia-entra-na-equacao\/"},"modified":"2026-09-02T00:04:56","modified_gmt":"2026-09-02T04:04:56","slug":"os-lideres-portuarios-da-america-latina-mudam-quando-a-eficiencia-entra-na-equacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.latitude-15.com\/pt-br\/os-lideres-portuarios-da-america-latina-mudam-quando-a-eficiencia-entra-na-equacao\/","title":{"rendered":"Os l\u00edderes portu\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina mudam quando a efici\u00eancia entra na equa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hierarquia dos portos de cont\u00eaineres da Am\u00e9rica Latina e do Caribe parece familiar quando medida pelo volume movimentado. Santos lidera, seguido por Manzanillo, Cartagena e Callao. Mas, quando o indicador deixa de ser o n\u00famero de cont\u00eaineres movimentados e passa a considerar o tempo que os navios permanecem no porto, a ordem regional muda significativamente.  <\/p>\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><em>O Container Port Performance Index (CPPI) 2025, elaborado pelo World Bank e pela S&amp;P Global Market Intelligence, coloca Posorja, no Equador, na lideran\u00e7a da Am\u00e9rica Latina e do Caribe e na 20\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial. No entanto, segundo a ECLAC, Posorja ocupava apenas o 25\u00ba lugar na regi\u00e3o em movimenta\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres em 2024, com 955.728 TEUs. <\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse contraste evidencia uma distin\u00e7\u00e3o cada vez mais importante na competi\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria: escala e efici\u00eancia operacional n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Medir o tempo, e n\u00e3o apenas os cont\u00eaineres<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A movimenta\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres continua sendo um dos indicadores mais claros da escala comercial de um porto. Em 2024, Santos movimentou 5,48 milh\u00f5es de TEUs, seguido por Manzanillo, no M\u00e9xico, com 3,92 milh\u00f5es, Bah\u00eda de Cartagena, com 3,70 milh\u00f5es, e Callao, com 3,07 milh\u00f5es. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O CPPI analisa a quest\u00e3o sob outra perspectiva.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de medir quantos cont\u00eaineres passam por um porto, o \u00edndice avalia quanto tempo os navios porta-cont\u00eaineres permanecem nele, incluindo tanto o tempo de espera quanto o per\u00edodo de perman\u00eancia no ber\u00e7o. Uma opera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida pode reduzir atrasos, melhorar a confiabilidade das escalas e otimizar a utiliza\u00e7\u00e3o da infraestrutura portu\u00e1ria. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando esse indicador entra na an\u00e1lise, a hierarquia tradicional da regi\u00e3o muda consideravelmente.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atr\u00e1s de Posorja, Coronel, no Chile, ocupa a 26\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial, seguido, entre os portos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, por Itapo\u00e1, no Brasil, em 39\u00ba lugar, Cartagena em 42\u00ba, Paita em 44\u00ba e Callao em 47\u00ba. Ensenada e Altamira, no M\u00e9xico, Chancay, no Peru, e Buenaventura, na Col\u00f4mbia, tamb\u00e9m aparecem entre os portos mais bem posicionados da regi\u00e3o. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Posorja mostra o que um porto de menor escala pode alcan\u00e7ar<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posorja \u00e9 o exemplo mais claro de por que os dois rankings n\u00e3o devem ser confundidos.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terminal equatoriano movimentou menos de um milh\u00e3o de TEUs em 2024, muito abaixo dos volumes registrados em Santos, Manzanillo ou Cartagena. Ainda assim, segundo o indicador do CPPI baseado no tempo de perman\u00eancia dos navios, ocupa a primeira posi\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua infraestrutura ajuda a explicar esse desempenho. Inaugurado em 2019 como um terminal greenfield de \u00e1guas profundas, Posorja continuou ampliando seus ber\u00e7os e equipamentos. Em abril de 2026, a <a href=\"https:\/\/www.latitude-15.com\/pt-br\/de-porta-de-entrada-para-cruzeiros-a-hub-logistico-dp-world-amplia-suas-ambicoes-em-san-antonio\/\">DP World<\/a> inaugurou um cais de 700 metros como parte de um programa de investimento privado de US$ 190 milh\u00f5es, permitindo a opera\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de dois grandes navios porta-cont\u00eaineres.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A extens\u00e3o do cais dever\u00e1 chegar a 800 metros at\u00e9 o final de 2026, enquanto a capacidade anual dever\u00e1 aumentar para aproximadamente 1,4 milh\u00e3o de TEUs.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conclus\u00e3o vai al\u00e9m do Equador. Posorja mostra que um porto n\u00e3o precisa alcan\u00e7ar os volumes de um mega-hub para transformar seu desempenho operacional em uma vantagem competitiva. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as companhias mar\u00edtimas, o valor de uma escala n\u00e3o depende apenas da quantidade de carga dispon\u00edvel, mas tamb\u00e9m da capacidade do porto de concluir essa opera\u00e7\u00e3o de forma r\u00e1pida e previs\u00edvel.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cartagena mostra que escala e efici\u00eancia podem coexistir<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que portos menores sejam necessariamente mais eficientes, nem que grandes volumes resultem em desempenho inferior. Cartagena demonstra justamente o contr\u00e1rio. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bah\u00eda de Cartagena foi o terceiro maior sistema portu\u00e1rio de cont\u00eaineres da Am\u00e9rica Latina e do Caribe em 2024, com 3,70 milh\u00f5es de TEUs, enquanto Cartagena tamb\u00e9m alcan\u00e7ou a 42\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial no CPPI 2025.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa combina\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante porque Cartagena funciona n\u00e3o apenas como porta de entrada para o com\u00e9rcio colombiano, mas tamb\u00e9m como um importante hub de transbordo. Sua posi\u00e7\u00e3o nas redes mar\u00edtimas internacionais foi refor\u00e7ada pela escolha do porto como um dos hubs globais utilizados pela Gemini Cooperation, de Maersk e Hapag-Lloyd. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cartagena representa, portanto, um modelo diferente do observado em Posorja. Em vez de um terminal de menor escala utilizando a efici\u00eancia para competir com portos maiores, demonstra que grandes volumes de tr\u00e1fego e um forte desempenho na opera\u00e7\u00e3o dos navios podem coexistir. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante. Os rankings do CPPI n\u00e3o devem ser interpretados como substitutos dos rankings de movimenta\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres. Eles revelam outra dimens\u00e3o da competitividade portu\u00e1ria.  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Peru coloca tr\u00eas portos entre os l\u00edderes regionais<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Peru talvez ofere\u00e7a o exemplo nacional mais expressivo dessa nova hierarquia portu\u00e1ria.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paita ocupa a 44\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial, Callao a 47\u00aa e Chancay a 73\u00aa no CPPI 2025. Os tr\u00eas est\u00e3o entre os portos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe mais bem classificados, enquanto Paita \u2014 apesar de operar em uma escala consideravelmente menor que Callao \u2014 alcan\u00e7a uma posi\u00e7\u00e3o superior no \u00edndice. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Callao continua sendo o peso-pesado. Com mais de 3,07 milh\u00f5es de TEUs em 2024, ficou em quarto lugar na regi\u00e3o em movimenta\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres. Paita opera em outra escala, enquanto Chancay est\u00e1 apenas come\u00e7ando a consolidar sua posi\u00e7\u00e3o nas redes regionais de transporte de cont\u00eaineres.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a simult\u00e2nea dos tr\u00eas portos entre as melhores posi\u00e7\u00f5es regionais do CPPI mostra por que a competi\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria n\u00e3o pode ser reduzida a um \u00fanico ranking.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo porto pode apresentar um desempenho s\u00f3lido antes mesmo de atingir sua maturidade operacional. Um gateway de menor escala pode operar navios com efici\u00eancia sem se transformar em um hub regional de transbordo. E um grande porto pode combinar escala com tempos de opera\u00e7\u00e3o competitivos.  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Efici\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de capacidade<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, a capacidade portu\u00e1ria foi discutida principalmente em termos f\u00edsicos: ber\u00e7os mais longos, canais mais profundos, p\u00e1tios maiores, mais guindastes e maior capacidade nominal em TEUs.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses investimentos continuam sendo fundamentais. Mas a efici\u00eancia operacional pode funcionar como capacidade adicional: mantidas as demais condi\u00e7\u00f5es, uma opera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida dos navios permite que a mesma infraestrutura de ber\u00e7o acomode um n\u00famero maior de escalas. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reduzir o tempo que os navios passam esperando ou atracados tamb\u00e9m pode melhorar a confiabilidade das programa\u00e7\u00f5es e diminuir os impactos sobre o restante da cadeia log\u00edstica. \u00c9 por isso que o desempenho operacional vem se tornando um complemento cada vez mais importante aos indicadores tradicionais de escala portu\u00e1ria. <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os rankings, no entanto, precisam ser analisados dentro de seu contexto. As varia\u00e7\u00f5es no CPPI podem refletir n\u00e3o apenas decis\u00f5es tomadas dentro dos portos, mas tamb\u00e9m condi\u00e7\u00f5es mais amplas do transporte mar\u00edtimo, como mudan\u00e7as de rotas, tens\u00f5es geopol\u00edticas, congestionamentos, condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e outras restri\u00e7\u00f5es na cadeia de suprimentos. O \u00edndice deve, portanto, ser entendido como um indicador de desempenho, e n\u00e3o como um ranking definitivo para determinar qual porto \u00e9 o \u201cmelhor\u201d.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente essa distin\u00e7\u00e3o que torna particularmente \u00fatil a compara\u00e7\u00e3o com os dados de movimenta\u00e7\u00e3o da ECLAC (Economic Commission for Latin America and the Caribbean).<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Santos demonstra a for\u00e7a da escala. Posorja evidencia o valor da efici\u00eancia na opera\u00e7\u00e3o dos navios. Cartagena mostra que as duas caracter\u00edsticas podem coexistir, enquanto os portos peruanos revelam que terminais com fun\u00e7\u00f5es e n\u00edveis de maturidade muito diferentes podem apresentar um forte desempenho sob o mesmo indicador.  <\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A disputa portu\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina est\u00e1, portanto, se tornando mais complexa do que uma simples corrida para movimentar o maior n\u00famero de cont\u00eaineres. \u00c0 medida que os terminais investem em novas capacidades, canais mais profundos e equipamentos de maior porte, outra quest\u00e3o competitiva se torna cada vez mais dif\u00edcil de ignorar: quanto desempenho \u00e9 poss\u00edvel extrair de cada escala de navio? <\/p>\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Fontes: <a href=\"https:\/\/documents.worldbank.org\/en\/publication\/documents-reports\/documentdetail\/099060826180024954\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">World Bank \u2014 Container Port Performance Index 2025<\/a> &#8211; ECLAC \/ CEPAL \u2014 Port Report 2024-2025 &#8211; DP World \u2014 Posorja Terminal Expansion, April 2026 &#8211; Grupo Puerto de Cartagena \u2014 Cartagena and the Gemini Cooperation<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hierarquia dos portos de cont\u00eaineres da Am\u00e9rica Latina e do Caribe parece familiar quando medida pelo volume movimentado. 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