{"id":25572,"date":"2026-07-01T10:03:50","date_gmt":"2026-07-01T14:03:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.latitude-15.com\/cinco-alavancas-para-uma-visao-renovada-da-conectividade-intra-caribenha\/"},"modified":"2026-07-01T10:39:26","modified_gmt":"2026-07-01T14:39:26","slug":"cinco-alavancas-para-uma-visao-renovada-da-conectividade-intra-caribenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.latitude-15.com\/pt-br\/cinco-alavancas-para-uma-visao-renovada-da-conectividade-intra-caribenha\/","title":{"rendered":"Cinco Alavancas para uma Vis\u00e3o Renovada da Conectividade Intra-Caribenha"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Bilateral em vez de regional, converg\u00eancia em vez de harmoniza\u00e7\u00e3o, esquemas de incentivo, vis\u00e3o da jornada de viagem, liberaliza\u00e7\u00e3o efetiva. O estudo NACO\/ACI-LAC divulgado em mar\u00e7o de 2026 n\u00e3o se limita ao diagn\u00f3stico: apresenta cinco alavancas concretas para relan\u00e7ar a conectividade intra-regional. Decodificando o cap\u00edtulo 5 e encerrando nossa s\u00e9rie.  <\/em><\/p>\n\n<p>Ap\u00f3s seis artigos dedicados ao diagn\u00f3stico tra\u00e7ado pelo estudo NACO encomendado pela ACI-LAC, chegou o momento das recomenda\u00e7\u00f5es. O relat\u00f3rio apresenta cinco, expostas no seu cap\u00edtulo 5 sob o t\u00edtulo <strong><em>&#8220;Uma Vis\u00e3o Renovada para o Progresso&#8221;<\/em><\/strong>. Essas recomenda\u00e7\u00f5es compartilham uma orienta\u00e7\u00e3o comum: <em>priorizam o pragm\u00e1tico em vez do ambicioso, o bilateral em vez do multilateral e o mensur\u00e1vel em vez do declarativo.<\/em> Tamb\u00e9m se baseiam na an\u00e1lise de experi\u00eancias internacionais (Uni\u00e3o Europeia, Austr\u00e1lia, Estados Unidos, Espanha) que o estudo examina detalhadamente. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alavanca 1 \u2014 Identificar oportunidades bilaterais concretas enquanto se aproveitam iniciativas multilaterais no n\u00edvel regional<\/h2>\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de uma abordagem espec\u00edfica de mercado baseada em oportunidades bilaterais deve ser o caminho principal para melhorar a conectividade a\u00e9rea intra-caribenha, pelo menos no curto prazo. De acordo com a NACO, a identifica\u00e7\u00e3o de prioridades comerciais concretas deve ser apoiada por uma avalia\u00e7\u00e3o rigorosa da demanda crescente e\/ou potencial entre mercados, e ser prosseguida atrav\u00e9s de canais bilaterais, nomeadamente aeroporto a aeroporto ou pa\u00eds a pa\u00eds. <\/p>\n\n<p>Essa abordagem n\u00e3o descarta o papel das organiza\u00e7\u00f5es regionais. O relat\u00f3rio recorda que a busca de objetivos aspiracionais como a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica caribenha atrav\u00e9s de uma vis\u00e3o de Mercado \u00danico, com uma perspectiva de longo prazo para aumentar a competitividade de toda a regi\u00e3o, permanece relevante em 2025. As experi\u00eancias internacionais demonstram que as organiza\u00e7\u00f5es regionais s\u00e3o essenciais para promover uma abordagem comum \u00e0 conectividade a\u00e9rea, incluindo o compartilhamento de recursos, conhecimento do setor e li\u00e7\u00f5es aprendidas. A CARICOM, a Organiza\u00e7\u00e3o de Turismo do Caribe (CTO) e a ECCAA mant\u00eam um papel estruturante \u2014 desde que n\u00e3o substituam a agenda bilateral no curto prazo.   <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alavanca 2 \u2014 Focar na converg\u00eancia regulat\u00f3ria gradual em vez da harmoniza\u00e7\u00e3o a todo custo<\/h2>\n\n<p>Essa alavanca, explorada em profundidade no sexto artigo desta s\u00e9rie, merece ser reafirmada no quadro das recomenda\u00e7\u00f5es. O relat\u00f3rio defende uma abordagem gradual, de frutos ao alcance: selecionar uma ou duas quest\u00f5es onde h\u00e1 uma necessidade urgente de conter os efeitos negativos das pol\u00edticas nacionais atuais sobre a conectividade intra-caribenha \u2014 particularmente aquelas que impedem a conectividade cont\u00ednua, por exemplo, requisitos de visto e entrada ou protocolos de seguran\u00e7a aeroportu\u00e1ria. A converg\u00eancia \u00e9 apresentada como uma abordagem mais adequada e realista para alinhar m\u00faltiplos regimes regulat\u00f3rios e promover a conectividade intra-regional no curto prazo, tanto pr\u00e1tica quanto politicamente.  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alavanca 3 \u2014 Implementar esquemas regionais de incentivo que abordem tanto a oferta quanto a demanda por viagens a\u00e9reas<\/h2>\n\n<p>Uma terceira recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o de esquemas regionais de incentivo \u00e0 conectividade com uma data de t\u00e9rmino definida e adaptados para que as companhias a\u00e9reas se envolvam ativamente na promo\u00e7\u00e3o e crescimento de novas rotas. O relat\u00f3rio enfatiza um princ\u00edpio fundamental: os governos locais e as partes interessadas do setor de turismo \u2014 <em>incluindo aeroportos<\/em> \u2014 n\u00e3o devem estar no neg\u00f3cio de subsidiar indefinidamente a oferta de servi\u00e7os a\u00e9reos. O incentivo deve ter um horizonte definido.  <\/p>\n\n<p>O estudo examina v\u00e1rios modelos internacionais. O quadro de Obriga\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7o P\u00fablico (OSP) da UE permite que os Estados-Membros imponham obriga\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o p\u00fablico em rotas consideradas &#8220;vitais para o desenvolvimento econ\u00f4mico da regi\u00e3o que servem&#8221;. Se nenhuma companhia a\u00e9rea estiver interessada em operar a rota, o Estado-Membro em quest\u00e3o pode restringir o acesso a uma \u00fanica transportadora e compensar as perdas operacionais. Os pa\u00edses que atualmente se beneficiam do quadro OSP incluem Cro\u00e1cia, Chipre, Est\u00f4nia, Finl\u00e2ndia, Fran\u00e7a (com forte representa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios ultramarinos caribenhos), Gr\u00e9cia, Irlanda, It\u00e1lia, Portugal, Espanha e Su\u00e9cia.   <\/p>\n\n<p>A essa abordagem, a NACO adiciona outros modelos: <em>o Esquema de Subs\u00eddio de Servi\u00e7os A\u00e9reos Remotos (RASS) da Austr\u00e1lia<\/em>, que subsidia um servi\u00e7o regular semanal de transporte a\u00e9reo para o transporte de passageiros e mercadorias como materiais educacionais, medicamentos e alimentos frescos para comunidades remotas e isoladas; o Programa de Servi\u00e7o A\u00e9reo Essencial dos EUA, que fornece subs\u00eddios para servi\u00e7os a\u00e9reos regulares para pequenas comunidades rurais atrav\u00e9s de um processo de licita\u00e7\u00e3o competitiva que abrange de dois a quatro anos; o programa SARA da Espanha, que oferece aos residentes das Ilhas Can\u00e1rias, Ilhas Baleares, Ceuta e Melilla descontos de at\u00e9 75% em voos dom\u00e9sticos e passagens de ferry. O relat\u00f3rio tamb\u00e9m menciona programas semelhantes na Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia. <\/p>\n\n<p>Para o contexto caribenho, a NACO sugere que uma abordagem bilateral aos esquemas regionais de incentivo \u00e0 conectividade pode oferecer uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica pela qual dois pa\u00edses decidem voluntariamente financiar conjuntamente uma rota espec\u00edfica com base em considera\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica p\u00fablica nacional.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alavanca 4 \u2014 Focar na redu\u00e7\u00e3o de custos com uma vis\u00e3o da jornada de viagem<\/h2>\n\n<p>Um tema comum levantado durante entrevistas com executivos de aeroportos \u00e9 que o custo das viagens intra-regionais \u00e9 completamente desproporcional aos n\u00edveis de renda atuais na maioria dos pa\u00edses caribenhos. Como o custo da viagem se estende al\u00e9m das tarifas a\u00e9reas, os viajantes caribenhos tamb\u00e9m s\u00e3o sobrecarregados com impostos adicionais impostos pelo governo, estadias noturnas caras e tempos de viagem mais longos do que o razo\u00e1vel. O relat\u00f3rio, portanto, recomenda uma abordagem hol\u00edstica que tamb\u00e9m considere a qualidade da conectividade a\u00e9rea com foco na jornada de viagem. A viagem \u00e9 tratada como uma experi\u00eancia cont\u00ednua (pr\u00e9-voo, durante o voo, p\u00f3s-voo), n\u00e3o como uma mera sucess\u00e3o de passagens.   <\/p>\n\n<p>Sobre essa quest\u00e3o, a NACO formula v\u00e1rias sub-recomenda\u00e7\u00f5es concretas. Os aeroportos devem trabalhar em estreita colabora\u00e7\u00e3o com as companhias a\u00e9reas para alcan\u00e7ar uma melhor otimiza\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios com vistas a possibilitar servi\u00e7os de retorno no mesmo dia \u2014 uma limita\u00e7\u00e3o importante que dificulta as viagens entre ilhas no momento. Reduzir a dura\u00e7\u00e3o das jornadas de viagem para passageiros locais provavelmente eliminar\u00e1 a necessidade de estadias noturnas, reduzindo os custos de viagem para residentes que, de outra forma, est\u00e3o sujeitos a tarifas hoteleiras mais adequadas para visitantes internacionais de pa\u00edses de renda mais alta.  <\/p>\n\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m recomenda uma reavalia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria dos benef\u00edcios de longo prazo da redu\u00e7\u00e3o de impostos gerais sobre atividades de avia\u00e7\u00e3o. Uma recalibra\u00e7\u00e3o de impostos para viajantes intra-regionais poderia estimular a conectividade regional, fortalecendo, em \u00faltima an\u00e1lise, a competitividade econ\u00f4mica e a integra\u00e7\u00e3o em todo o Caribe. Dado que as viagens a\u00e9reas t\u00eam demanda el\u00e1stica, redu\u00e7\u00f5es nos custos de viagem normalmente estimulam maior demanda. Os governos locais e as autoridades de turismo podem potencialmente considerar alguns esquemas de incentivo destinados a encorajar viagens intra-ilhas por residentes locais, particularmente durante a baixa temporada. A NACO cita, por exemplo, o esquema &#8220;We Travel Together&#8221; da Tail\u00e2ndia, destinado a estimular o turismo dom\u00e9stico durante a baixa temporada.    <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alavanca 5 \u2014 Focar na liberaliza\u00e7\u00e3o efetiva em vez da liberaliza\u00e7\u00e3o no papel<\/h2>\n\n<p>A quinta e \u00faltima alavanca \u00e9, sem d\u00favida, a mais estruturante. O relat\u00f3rio observa que a maioria dos governos hoje abra\u00e7ar\u00e1 a ideia de liberaliza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea \u2014 <em>e at\u00e9 assinar\u00e1 acordos do tipo c\u00e9us abertos com seus parceiros comerciais e de turismo<\/em> \u2014 mas que, muitas vezes, o cen\u00e1rio de fazer neg\u00f3cios permanece caro, oneroso e ineficiente. Essa situa\u00e7\u00e3o foi denominada &#8220;liberaliza\u00e7\u00e3o no papel&#8221; no relat\u00f3rio. A regi\u00e3o caribenha deve passar da liberaliza\u00e7\u00e3o no papel para a liberaliza\u00e7\u00e3o efetiva, concentrando-se em melhorias tang\u00edveis no cen\u00e1rio empresarial e regulat\u00f3rio para servi\u00e7os a\u00e9reos.   <\/p>\n\n<p>Concretamente, os pa\u00edses caribenhos devem garantir que seus Acordos Bilaterais de Servi\u00e7os A\u00e9reos (BASA) estejam totalmente alinhados com os objetivos aspiracionais do Acordo Multilateral de Servi\u00e7os A\u00e9reos (MASA) da CARICOM, que j\u00e1 promove a converg\u00eancia regulat\u00f3ria e a no\u00e7\u00e3o de Comunidade Caribenha. A NACO reconhece que nem todos os pa\u00edses caribenhos podem estar em posi\u00e7\u00e3o de abra\u00e7ar totalmente a vis\u00e3o da Comunidade, mas esfor\u00e7os devem ser feitos para fornecer um ambiente de mercado aberto para servi\u00e7os a\u00e9reos, incluindo um cen\u00e1rio empresarial e pol\u00edtico s\u00f3lido e n\u00e3o distorcivo para opera\u00e7\u00f5es a\u00e9reas. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma leitura regional: do diagn\u00f3stico ao roteiro<\/h2>\n\n<p>Ao encerrar esta s\u00e9rie, v\u00e1rias observa\u00e7\u00f5es se destacam. Primeiro, a coer\u00eancia interna das cinco alavancas \u00e9 not\u00e1vel: elas dialogam entre si. A abordagem bilateral (alavanca 1) encontra sua contraparte metodol\u00f3gica na converg\u00eancia (alavanca 2), seu motor econ\u00f4mico nos esquemas de incentivo (alavanca 3), sua tradu\u00e7\u00e3o operacional na vis\u00e3o da jornada de viagem (alavanca 4) e sua garantia pol\u00edtica na liberaliza\u00e7\u00e3o efetiva (alavanca 5). Segundo, a novidade do relat\u00f3rio reside menos na identifica\u00e7\u00e3o de qualquer alavanca individual do que em sua articula\u00e7\u00e3o como um todo coerente \u2014 e na mudan\u00e7a de paradigma de abandonar a ambi\u00e7\u00e3o de uma transforma\u00e7\u00e3o regional unificada em favor de uma acumula\u00e7\u00e3o de progresso bilateral mensur\u00e1vel.   <\/p>\n\n<p>Para os atores B2B da regi\u00e3o, essa mudan\u00e7a de paradigma exige uma mudan\u00e7a de postura. A conectividade intra-caribenha, h\u00e1 muito abordada como um objeto de negocia\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica multilateral, torna-se um objeto de oportunidade comercial identific\u00e1vel, par de pa\u00edses por par de pa\u00edses. Essa transforma\u00e7\u00e3o abre novo espa\u00e7o para atores preparados para se posicionar em corredores bilaterais direcionados \u2014 sejam companhias a\u00e9reas, aeroportos, institui\u00e7\u00f5es financeiras ou partes interessadas do turismo. O relat\u00f3rio NACO n\u00e3o entrega uma solu\u00e7\u00e3o pronta: prop\u00f5e um m\u00e9todo. E em um dossi\u00ea que carece de um h\u00e1 duas d\u00e9cadas, isso pode muito bem ser uma de suas contribui\u00e7\u00f5es mais valiosas.    <\/p>\n\n<p>Esta s\u00e9rie de sete artigos cobriu as principais din\u00e2micas do estudo NACO\/ACI-LAC. O diagn\u00f3stico est\u00e1 na mesa, as alavancas identificadas. Cabe agora aos atores B2B da regi\u00e3o \u2014 autoridades aeroportu\u00e1rias, companhias a\u00e9reas, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, organiza\u00e7\u00f5es regionais \u2014 traduzir essa an\u00e1lise em decis\u00f5es operacionais. A Latitude 15 continuar\u00e1, em suas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es, a acompanhar o progresso concreto que esse roteiro inspirar\u00e1.   <\/p>\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em><strong>LATITUDE 15 \u2014 S\u00c9RIE ANAL\u00cdTICA<\/strong> Decodificando o estudo NACO\/ACI-LAC sobre conectividade a\u00e9rea caribenha \u2014 Artigo 7\/7<\/em><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em><strong>Fonte<\/strong>: NACO (Netherlands Airport Consultants), The State of Air Connectivity in the Caribbean: A Renewed Vision for Progress, estudo independente encomendado pela ACI-LAC, mar\u00e7o de 2026, 128 p\u00e1ginas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bilateral em vez de regional, converg\u00eancia em vez de harmoniza\u00e7\u00e3o, esquemas de incentivo, vis\u00e3o da jornada de viagem, liberaliza\u00e7\u00e3o efetiva. O estudo NACO\/ACI-LAC divulgado em mar\u00e7o de 2026 n\u00e3o se limita ao diagn\u00f3stico: apresenta cinco alavancas concretas para relan\u00e7ar a conectividade intra-regional. Decodificando o cap\u00edtulo 5 e encerrando nossa s\u00e9rie. 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